Por que nosso corpo para de funcionar?

Falar de morte faz parte do estudo da vida. Em vez de deixar o tema de lado, é hora de explicar à turma que os sistemas trabalham integrados e investigar o que acontece quando algo não sai como o previsto

POR:
Anna Rachel Ferreira

A Lua se posiciona majestosa lá no alto, mas é parcialmente encoberta por nuvens carregadas, que preenchem o céu. O vento forte faz as portas baterem e os galhos das árvores balançarem. E então surge, sombria e silenciosa, a imagem que tanto apavora todos, munida de uma foice e coberta por uma túnica escura, que deixa ver somente parte de sua face de caveira. Em geral, assim a morte é vista: causa de grande medo e envolta em fantasias. E por essa razão acaba sendo evitada nas aulas de Ciências ou abordada apenas pelo viés comportamental e religioso.

O procedimento não condiz com a relevância do tema. "A morte é uma trajetória natural e é tão importante quanto a vida no sistema evolutivo", explica Franklin David Rumjanek, docente do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É importante, portanto, incluí-la no estudo do corpo humano.

Foi o que fez Amara Andreia Teixeira de Andrade, professora de Ciências do 8º ano da EE Benjamin Bastos, em Vargem Grande do Sul, a 244 quilômetros de São Paulo. Para conseguir tratar de um assunto tão amplo de maneira satisfatória, ela escolheu incluí-lo nas aulas sobre cada um dos sistemas que compõem nosso organismo, enfatizando a interdependência entre eles.

Ao trabalhar o sistema nervoso, por exemplo, Amara começou falando a respeito do funcionamento dele. Na primeira aula, ela trouxe de casa um programa de computador em que aparecia uma simulação de dois minutos sobre os impulsos nervosos e mostrou à turma como eles se propagam dentro do corpo humano. Em seguida, os estudantes observaram a reprodução do sistema em um mapa de anatomia eletrônico, que foi projetado na sala de aula.

Nos próximos encontros, Amara organizou uma aula expositiva sobre as principais estruturas e funções do sistema. Em seguida, a turma foi dividida em grupos de quatro a seis alunos, que receberam um questionário. Havia perguntas como: "Sabendo que nossos movimentos voluntários são coordenados pelo sistema nervoso periférico somático, relacione as estruturas que o compõem e sua ação nos tecidos e órgãos". Nessa etapa, também, três jogos circularam na sala: um quebra -cabeça de borracha em que é possível montar o sistema estudado dentro do corpo, um dorso com peças desmontáveis e um encéfalo de borracha, silicone e corante. A ideia era ajudar a classe a checar os conhecimentos obtidos até então e investigar, na prática, o que foi aprendido.

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