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Música para ensinar conteúdos de espanhol

Em Rio Branco, a turma analisou a canção "Te Perdí", de Chris Durán, para estudar os verbos no passado. Conheça essa e outras atividades com música

por:
MQ
Mariana Queen
NE
NOVA ESCOLA
BV
Beatriz Vichessi
01 de Junho 2012 - 12:00

Os professores de Língua Estrangeira enfrentam muitas vezes uma dificuldade em seu trabalho: a distância entre o idioma ensinado e o cotidiano dos alunos. Haja criatividade e conhecimento didático para manter a turma focada nos conteúdos e torná-los compreensíveis e atraentes, além de mostrar a importância deles para a vida.

Vários docentes apostam em recursos como reportagens de jornais e revistas, textos publicitários, programas de TV e músicas. Essas últimas, em especial, costumam entusiasmar a garotada. "Muitas vezes, elas são sucesso nas rádios e fazem parte da trilha sonora de novelas que os alunos acompanham", diz Maristela Diniz, professora do Centro de Educação, Letras e Artes (Cela), da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Porém usar canções para explorar algum conteúdo requer um planejamento bastante cuidadoso, evitando que a aula vire um momento de cantar, assistir a videoclipes e nada mais. Com base nas letras e na fala dos intérpretes, os estudantes podem aprender questões relacionadas a gramática, ortografia, oralidade e interpretação de texto: tudo depende dos objetivos de aprendizagem traçados. "É preciso trabalhar a canção vinculada a uma sequência didática que englobe os conteúdos selecionados de modo intencional", esclarece Maristela.

Depois de um curso de formação continuada, Rawllinsson da Rocha, professor de Língua Estrangeira da EE Tancredo de Almeida Neves, em Rio Branco, por exemplo, passou a recorrer a músicas cantadas em espanhol para desenvolver atividades com os alunos do 8º ano. Te Perdí, do cantor Chris Durán, foi um dos hits selecionados (leia o quadro na próxima página, com a letra da música e a análise dos tempos verbais que remetem ao passado). "Escolhi essa composição porque ela proporciona um bom estudo de verbos conjugados no passado, conteúdo que estava sendo visto no momento, e é cantada lentamente, o que facilita a compreensão da letra", explica Rocha.

Depois de escutar o material uma vez, a garotada recebeu cópias da letra com lacunas no lugar de verbos conjugados no pretérito perfecto. Todos escutaram a música outras duas vezes para ajustar o que ouviam ao que haviam escrito e fazer as correções necessárias.

Durante a correção da atividade, realizada coletivamente, o docente prestou atenção nas principais dúvidas e equívocos da turma. "Alguns alunos, por exemplo, escreveram llamado com 'lh', em vez de 'll', registrando a pronúncia do espanhol falado na Espanha e usando ao mesmo tempo um critério ortográfico da língua portuguesa", notou Rocha. Ele então desafiou a turma a repensar a grafia, explicando que um argentino cantaria esse trecho com sotaque diferente (falaria algo como djmado). "Conversamos sobre as diversas pronúncias de uma mesma palavra, o que não implica, no entanto, na mudança da grafia." Outra possibilidade que pode ser sugerida à turma é recorrer ao infinitivo (llamar).

Para que os estudantes aprendam o conteúdo, é interessante sugerir que, em dupla, escrevam um texto empregando o pasado simple e o pretérito perfecto compuesto. Assim, eles se deparam com o problema na prática, não ficando restristos somente à análise durante a leitura.

A tradução das letras não deve ser o foco principal das aulas

Aumente o som para ensinar conteúdos de espanhol. Foto Roberto Pinheiro. Ilustração Larissa Ribeiro
Pretérito perfecto
Indica fatos ocorridos em um passado recente. Formado pelo verbo haber no presente do indicativo (he/has/ha/hemos/habéis/han) e o particípio do verbo principal (os regulares terminam em ido ou ado).

Pasado simple
Faz referência a uma ação concluída em um passado distante.

Modo de usar
O emprego de cada uma das conjugações é determinado pela lembrança e intenção do sujeito ao contar a história. Ao narrar diversos fatos ocorridos no passado, os mais antigos são conjugados no pasado simple (te perdí), e os recentes, no pretérito perfecto (he debido).

Além do preenchimento de lacunas que ocultam trechos pré-selecionados, é possível trabalhar com outras propostas interessantes. Uma possibilidade: distribuir cópias da letra para os alunos lerem e só depois apresentar o áudio ou, se possível, o videoclipe. "Na medida em que apreciam o material, escutam o intérprete, leem a letra e analisam o cenário, ganham mais condições de atribuir significado e sentido ao texto, compreender de que trata a música e corrigir a fala", afirma Claudio Muzzio, professor de Espanhol no Colégio Miró, em Salvador.

Apresentar canções tradicionais também é válido. "Já explorei as cantigas mexicanas. Além de trabalhar a pronúncia, quero que os alunos se familiarizem com o léxico típico de cada nação", diz Muzzio. Porém solicitar que a turma traduza a letra sem intenção didática clara não vale a pena. Afinal, há tradutores virtuais e programas de computador que fazem isso automaticamente.

Fátima Bruno, professora de Língua e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Universidade de São Paulo (USP), sugere ainda pedir indicações aos alunos para selecionar as canções a serem estudadas em classe. Para analisar o que precisa ser estudado e o que o grupo já sabe, algumas perguntas são particularmente interessantes: "O que vocês têm escutado em espanhol?", "Compreendem o que é cantado pelo intérprete?", "São capazes de cantar tudo ou há trechos mais difíceis de pronunciar? Quais?". Mas lembre-se sempre de que quem decide o que pode virar tema de aula e de que forma será abordado é você.

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