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Jornalismo

Relato de experiência: como levar a investigação para a Educação Infantil

Com base na curiosidade da turma, a professora Dalila Maitê desenvolveu um projeto de pesquisa sobre pássaros

PorJúlia Goulart

31/01/2024

Práticas investigadoras estimulam o protagonismo das crianças da Educação Infantil, além de promover aspectos previstos nos Campos de Experiência. Foto: Acervo pessoal/Dalila Maitê

Durante o horário do lanche, no CMEI Edimilson da Silva Reis, em Ji-Paraná (RO), a professora Dalila Maitê percebeu que sua turma de três anos estava fascinada com convidados especiais que chegavam todos os dias para acompanhá-los: os pássaros. 

O que os pássaros comem? Quando não tem merenda, o que eles comem? foram as primeiras perguntas que os pequenos fizeram. A educadora viu a oportunidade de desenvolver um projeto investigativo sobre as aves que viam na escola.

O interesse da turma guiou as etapas da investigação: o que queriam pesquisar e quanto tempo duraria cada fase da pesquisa. “Iniciei perguntando o que eles já sabíamos sobre essas aves e elencamos tudo para depois investigar o que eles não sabiam ainda”, comenta Dalila. 

Uma das atividades desenvolvidas, com base nas pesquisas da turma, foi a construção de um ninho para os pássaros. A ideia surgiu depois que os pequenos estavam no pátio e viram que um dos animais tinha caído do ninho e estava no chão. Por ser muito alto para colocá-lo de volta, eles juntaram gravetos e folhas e montaram uma nova casa para a ave. 

A prática deu protagonismo às crianças, além de desenvolver aspectos ligados aos Campos de Experiência previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educação Infantil. Esse tipo de proposta não tem uma duração padrão. Por se tratar de um processo construído com base na curiosidade e ritmo das crianças, o projeto foi finalizado quando todas as dúvidas foram respondidas. Ao longo de todo o processo, Dalila fez rodas de conversas para ouvir as crianças, acompanhar o progresso da turma e saber o que elas gostariam de aprofundar. Com base nessas discussões, coletou insumos para pensar próximas investigações.

A investigação como parte da rotina

Com outras turmas, Dalila já fez pesquisas sobre dinossauros, animais marinhos, higiene pessoal e emoções. Em seu mestrado, na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), ela conduziu uma investigação, com crianças de cinco anos, a respeito do corpo e seus movimentos. 

O pontapé inicial do projeto foi dar uma bola para cada criança, sem nenhuma orientação. A professora deixou com que elas explorassem livremente o objeto. Ela observou como as lançavam para cima, deitavam em cima dela, quicavam a bola, entre outras ações.

Em seguida, realizou intervenções e propôs pequenos desafios como limitar o número de bolas, exigindo que interagissem com outros colegas. Com base nos movimentos realizados, elaborava uma ação para a atividade seguinte. 

“Ao propor algo para as crianças é importante perceber o interesse delas para engajá-las e ter mais êxito. Nesse caso, explorei a interação das crianças com o objeto, com o espaço, comigo e com os outros. Por isso, fiquei atenta aos movimentos que mais se repetiam e quais eram os favoritos, quem estava participando mais e quem não estava tão envolvido.”, explica a educadora.

Ao final, a pesquisa do mestrado virou um e-book que pode ser acessado aqui.

Dicas para levar a pesquisa para a sua prática

1. Crie espaços para identificar as demandas e os interesses da turma. 

2. Comece perguntando o que eles já sabem sobre o assunto, o que gostariam de saber, quais as principais dúvidas e quais as hipóteses que tem para responder essas questões;

3. Observe atentamente cada ação das crianças para planejar os próximos passos do trabalho. 

4. Proponha uma roda de conversa, ao final do projeto, para discutir e retomar o que elas aprenderam.

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