Mapas temáticos para avançar na interpretação

Quarta reportagem da série sobre cartografia mostra como compreender informações específicas sobre aspectos culturais, humanos e econômicos representados por símbolos

POR:
Fernanda Salla
O professor ensinou os estudantes do 9º ano a trabalhar com mapas temáticos em um estudo sobre a ocupação e expansão da cidade. Foto: Fernanda Preto
CONSTRUÇÃO DE MAPAS O professor Paulo Roberto Andrade de Moraes, da EE Júlia Lopes de Almeida ensinou os estudantes do 9º ano a trabalhar com mapas temáticos em um estudo sobre a ocupação e expansão da cidade

A capacidade de ler e de interpretar mapas começa a ser trabalhada logo no início da vida escolar, na chamada alfabetização cartográfica - tema da primeira reportagem desta série. E seu aprimoramento ocorre à medida que os estudantes avançam em sua escolaridade. No fim do Ensino Fundamental, um novo recurso é introduzido a fim de tornar essa competência mais elaborada: o mapa temático -- tipo de representação cartográfica que aborda temas específicos.

A cartografia temática usa os mapas como base técnica para representar informações diversas de qualquer natureza, como fenômenos culturais, humanos (por exemplo, perfil de uma população segundo variáveis como sexo e idade) e econômicos (tal como a taxa de desenvolvimento).Também pode contemplar aspectos físicos, como a média anual de temperatura ou precipitação sobre uma área e seu tipo de solo.

Mais do que descrever fenômenos, o mapa temático abre espaço para a análise. Com eles, é possível refinar as habilidades de leitura e interpretação, de modo a permitir que os estudantes os usem como ferramentas de consulta e comunicação, importantes em diversos campos da ciência e na vida prática.

Variáveis visuais evidenciam a relação entre os fenômenos

Para interpretar mapas temáticos, é preciso conhecer a simbologia deles. Alguns desses símbolos são convenções adotadas internacionalmente. Variações visuais (forma, cor, tamanho e orientação, por exemplo) são exemplos disso. É o caso das imagens pictóricas - o desenho de uma casa com uma cruz no topo para designar uma igreja - é um exemplo de variação visual de forma.

O uso de cores distintas ou gradações de uma mesma tonalidade também ajuda a identificar informações diversas. É uma convenção, por exemplo, usar cores distintas para representar países diferentes. Também é usual representar com tom verde-escuro áreas de vegetação mais densa, ao passo que um verde mais claro demarca as regiões de vegetação mais devastada.

O tamanho é a variável visual usada para distinguir fenômenos em relação à quantidade. É usado em mapas de círculo, nos quais eles aumentam de forma proporcional aos dados representados. Para representar a população de uma região, por exemplo, traça-se um círculo maior dentro do estado com mais habitantes e um proporcionalmente menor naquele que tem menos pessoas. A variável orientação é utilizada em mapas de fluxo. As setas indicam a direção dos fluxos, estabelecendo pontos de dispersão e de atração da população que migra (leia uma atividade de interpretação de mapa desse tipo na próxima página). É importante lembrar ainda que variáveis diversas podem ser combinadas para facilitar a leitura de um mapa. Para mostrar que a quantidade de migrantes que entram no estado de São Paulo é maior que a dos que saem, a linha em forma de seta usada para explicitar o fluxo de entrada é mais grossa do que aquela usada para mostrar a saída - a espessura indica uma proporção entre os dados e, nesse caso, as variáveis tamanho e orientação se combinam.

Outros signos, não fixos, são usados para representar elementos que não tenham correlações diretas com algum símbolo já conhecido. Apresentar e analisar diferentes tipos de mapa é condição para que os alunos aprendam esses conceitos. O professor Paulo Roberto Andrade de Moraes, da EE Júlia Lopes de Almeida, em Osasco, na Grande São Paulo, abordou essa questão ao ler e construir mapas temáticos com seus alunos do 9º ano. A atividade envolveu a apresentação de informações sobre o processo de ocupação e expansão de algumas regiões da cidade. "A ideia era que eles pudessem reconhecer as mudanças na paisagem urbana e usar o mapa como uma forma de registro", conta Moraes.

Ele apresentou algumas convenções cartográficas existentes para a garotada, como as linhas em forma de setas para identificar os eixos para onde se deslocam as concentrações de indústrias e serviços no decorrer do tempo. Mas outras representações gráficas foram criadas pelos próprios estudantes em conjunto. Para identificar um comércio, por exemplo, foi usada a imagem de uma sacola de compras. O cifrão foi escolhido para indicar áreas financeiras.

Depois de decidir que signos usar para representar os fenômenos observados, a turma passou para outra etapa importante da sequência: a construção dos próprios mapas. "Um bom trabalho necessariamente inclui a produção de materiais pela garotada", afirma Jorn Seemann, do Departamento de Geociências da Universidade Regional do Cariri (Urca). Munidos de cópias do mapa da cidade, os alunos de Osasco delimitaram a área estudada com lápis de cor, aplicaram os signos selecionados e inseriram legendas e título. Assim, aprenderam que a boa representação gráfica é aquela que leva o leitor do mapa a entender rapidamente o que ele diz.

Exercício de interpretação de mapa temático

O mapa abaixo apresenta os fluxos de migração interna no Brasil. Veja como ensinar a turma a lê-lo e interpretá-lo seguindo os dois passos abaixo.

Migração na década de 2000. Fonte <i>Geoatlas</i>, Maria Elena Simielli, Ed. Ática, 2010

Conclusão
Pergunte aos alunos o que eles podem compreender por meio da análise do mapa. Eles identificam os principais fluxos migratórios destacados? Observe se entendem que a direção é dada pelas pontas e que a largura da seta indica a quantidade de migrantes (quanto mais larga, maior o fluxo). Questione sobre o significado de setas com pontas nos dois sentidos.

Análise
Peça que a turma observe o mapa de fluxos de migração interna no Brasil. Lance questões como "o que o mapa representa?" e "como essa informação está representada?". Dê destaque à fonte e à data que constam na legenda. Questione os alunos sobre o significado das setas no mapa. Sugira que consultem a legenda para saber o que a largura delas indica.

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