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Jornalismo

Mobilidade urbana: como usar a temática para impulsionar aprendizagens

Saiba como planejar para turmas com diferentes níveis de aprendizagem e de forma interdisciplinar

PorMaggi Krause

24/08/2023

Baixe material com cinco sequências didáticas interdisciplinares que associam a recomposição de aprendizagens com temáticas ligadas à mobilidade urbana. Ilustração: Rafaela Pascotto.

A mobilidade urbana é muito mais do que o direito de ir e vir. Ela envolve refletir sobre os processos de fabricação, a distribuição e o consumo de produtos; o descarte de resíduos nas cidades; os meios de transporte, o trânsito e suas ocorrências; e, principalmente, o protagonismo do ser humano nas ações para construir espaços mais verdes, sustentáveis, inclusivos e seguros.

Essas questões ficam visíveis no entorno da escola ou estão ligadas à vida dos estudantes. Por isso, o tema incentiva a interdisciplinaridade e a recomposição de aprendizagens nos Anos Finais do Ensino Fundamental.

Se você pensou em Geografia, História e Ciências após ler o primeiro parágrafo, acertou! Se você também imaginou que as discussões e pesquisas sobre a mobilidade podem ser conduzidas em Língua Portuguesa, enquanto os números, dados e informações organizados podem ser trabalhados em Matemática, você já ampliou as possibilidades de ações relacionadas com a temática. 

Mas não é simples fazer um planejamento de aulas que trabalhe de forma integrada os componentes curriculares e ainda pense em dar conta de turmas heterogêneas. “Quando buscamos a aprendizagem, é preciso estimular processos cognitivos e vale a pena oferecer a interação com diferentes objetos de conhecimento, o que inclui a mobilidade urbana. Ela não está restrita a um componente curricular, mas se relaciona com diferentes áreas”, explica a formadora de professores Eliane de Siqueira.

Para explicar Ciências é válido utilizar representações matemáticas ou lançar mão de habilidades de escrita e oralidade, foco das aprendizagens em Língua Portuguesa, mas que servem para impulsionar aprendizagens em todos os componentes. Isso tem muita lógica, mas parece ir na contramão da organização da rotina a partir do 6º ano, quando os conteúdos ficam a cargo dos professores especialistas, como você bem sabe, e fragmentados em aulas de 50 minutos.  

Além desse ensino compartimentado, o trabalho descontextualizado da realidade do estudante abre caminho para que ele não veja sentido no que está aprendendo e, por consequência, perca o interesse nos estudos. Não é à toa que a etapa dos anos finais do Ensino Fundamental registra uma queda grande de aprendizagem, atestada pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nas escolas públicas brasileiras, que mostra indicadores melhores ao final do 5º ano do que no 9º ano. 

Pesquisadores do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social, o Lepes, da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, lançaram em 2022 o documentário “Esquecidos. Crise nos Anos Finais do Fundamental” (veja aqui um trailer). Nas entrevistas gravadas, especialistas debatem o que levaria estudantes a aprender menos e não ter estímulo para ir à escola. Entre as conclusões, estão a falta de compreensão mais aprofundada sobre as transformações dos adolescentes e a escassez de modelos pedagógicos planejados para lidar com as dificuldades específicas dessa faixa etária.

Soma-se outro desafio, especialmente neste período pós-pandemia, que é fazer com que alunos em vários níveis de aprendizagem avancem e recomponham habilidades.

Estratégias para trabalhar com turmas heterogêneas

  • Realizar diagnósticos com regularidade para avaliar o avanço das aprendizagens;
  • Planejar situações diversificadas para apresentar o mesmo conteúdo;
  • Propor atividades com graus de complexidade diferentes de acordo com o nível de aprendizagem do aluno, permitindo que todos possam avançar;
  • Estimular o trabalho colaborativo e o aprendizado entre pares;
  • Fazer uso de agrupamentos produtivos, para que os estudantes aprendam uns com os outros;
  • Planejar aulas com o uso de metodologias ativas para estimular o protagonismo dos estudantes.

Relacionar áreas do conhecimento para recompor aprendizagens

Um dos caminhos que vem sendo discutido é o protagonismo dos estudantes, mas para que isso aconteça efetivamente é preciso colocá-los no centro das situações de aprendizagem. “É válido oferecer propostas que integrem habilidades prioritárias e prévias ao se estudar um objeto de conhecimento”, conta Eliane.

A especialista é responsável por desenhar um banco de atividades da NOVA ESCOLA em torno da temática mobilidade urbana e como ela pode impulsionar as aprendizagens dos estudantes. “O material apoia o professor na recomposição de aprendizagens, pois evidencia o trabalho integrado dos diferentes componentes curriculares e o desenvolvimento progressivo de habilidades dos alunos”, descreve Eliane.

Educador do ano de 2022 no Prêmio Educador Nota 10, o professor de Ciências Linaldo Oliveira ressalta a importância de conectar as aprendizagens nos Anos Finais. “Construir um aprendizado contextualizado, interligado e atrativo exige muitas vezes flexibilização curricular, esforço e criatividade de nós, docentes”, observa. Ele nota uma tendência de os professores se isolarem em seus componentes. 

Pensando em abreviar o tempo de planejamento dos professores, Eliane construiu um banco de atividades em que Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geografia e Arte trabalham habilidades de forma sequencial. “A ideia é que os componentes curriculares explorem o mesmo assunto, mobilizando ações que se integram para a construção das aprendizagens.” Segundo ela, o trabalho interdisciplinar precisa ser planejado com antecedência e não adianta cada professor atuar de forma isolada. As propostas do banco já estão pensadas para garantir essa integração. 

Ao longo das atividades, Eliane sinalizou estratégias que incentivam a aprendizagem em turmas heterogêneas, em especial a divisão da turma em agrupamentos produtivos. Ela sugere desde pesquisas simples, feitas em separado por cada grupo de alunos e consolidadas em uma discussão coletiva, até variar a maneira como as habilidades dos estudantes são mobilizadas dentro do grupo. “É possível explorar o registro escrito, o uso de imagens e a oralidade para que os estudantes possam se apoiar. Assim, cada estudante terá uma função importante e indispensável para o desempenho do grupo”, explica Eliane. Saiba mais sobre estratégias para planejar o trabalho em grupo aqui

Adaptar o planejamento à realidade da turma e da escola é outra recomendação da formadora. “Olhar para a situação da mobilidade no entorno escolar e na região permite que novas ações sejam planejadas, em um constante movimento de reflexão e ação”, explica. Uma atividade não se esgota enquanto a turma estiver motivada a seguir descobrindo outras possibilidades de aprender ou colaborar com o meio ambiente e com a comunidade escolar. Para favorecer as aprendizagens, o professor deve dar seguimento e permitir aprofundamentos até que os estudantes reconheçam que suas habilidades foram potencializadas e, com isso, possam recompor suas aprendizagens.

Para auxiliar você nesse trabalho, a NOVA ESCOLA preparou um banco de atividades para abordar a questão da mobilidade urbana nos anos finais, de forma interdisciplinar, integrada às ações de recomposição de aprendizagens e com sugestões para adaptação para os diferentes níveis de aprendizagens. 

acesse as atividades

Consultora pedagógica: Eliane de Siqueira, formadora de professores, integrante do Time de Formadores da NOVA ESCOLA.

Acesse aqui a página especial do projeto Cidadania em Movimento e conheça todos os conteúdos da parceria entre a NOVA ESCOLA e a Fundação Grupo Volkswagen.

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