Leve a classe para uma volta ao mundo em inglês

Entenda como uma sequência de aulas com textos de guias, folhetos e sites turísticos pode aprimorar a capacidade de escrita e ampliar o vocabulário dos alunos

POR:
Elisângela Fernandes
Leve a classe para uma volta ao mundo em inglês. Ilustração: Anna Cunha

Escolher o destino da próxima viagem de férias ou simplesmente sonhar com lugares diferentes ao redor do mundo. Seja por um ou outro motivo, a leitura de guias turísticos costuma ser prazerosa e estimulante. Um texto bem fundamentado é capaz de aguçar a curiosidade e convencer muitas pessoas a visitar ou não determinado lugar. Por isso, propor que os alunos analisem e até produzam um guia é uma estratégia valiosa para envolvê-los. Como resultados, eles vão desenvolver a capacidade de escrita e interpretação de textos em inglês.

Para que a proposta de aprender uma língua estrangeira com base no estudo desse gênero seja viável, a primeira coisa a fazer é garantir que todos os alunos tenham contato com diferentes exemplos de travel guides (guias turísticos) e reconheçam suas características e seus usos. Você pode começar por uma sondagem sobre a frequência com que os jovens viajam, quais os destinos mais comuns, como são escolhidos os roteiros, as experiências já vividas, que contatos tiveram com outros idiomas etc.

"Essas questões ajudam a reconhecer a função do gênero e refletir sobre ele", explica Marileuza Ascencio Miquelante, professora do Centro de Línguas Estrangeiras Modernas (Celem), do Núcleo Regional de Educação de Campo Mourão, a 477 quilômetros de Curitiba, que atualmente produz materiais didáticos sobre esse tema para escolas estaduais de cidades do Paraná.

No momento de apresentar o tema, além das versões impressas (leia os exemplos abaixo), a internet também pode ser utilizada para acessar diferentes travel guides e vídeos que mostrem cidades e países. As páginas de agências de turismo, embaixadas e consulados ajudam a completar as referências e a aguçar a imaginação.

Alguns jovens podem se sentir pouco motivados a conversar sobre viagens a países que falam outras línguas, principalmente se ainda não tiveram a chance de vivenciar algo assim. Se isso ocorrer, Marileuza sugere adaptar a atividade e se aproximar da realidade dos alunos. "Uma alternativa é pedir que a turma desenvolva um travel guide sobre a comunidade, o bairro ou a cidade em que vive, em inglês, sempre imaginando que o leitor será um turista estrangeiro", explica Denise Nunes Kobara, professora da Target Idiomas, em São Paulo.

Places of the World
Atrações turísticas de países que falam inglês colaboram para estimular a imaginação dos estudantes e a imersão na língua estrangeira

London. Ilustração: Anna Cunha

London, United Kingdom
"London is a major tourist destination and one of the world’s most remarkable and exciting cities, with iconic landmarks including the Houses of Parliament, Tower Bridge, the Tower of London, Westminster Abbey, Buckingham Palace and the London Eye amongst its many attractions, along with famous institutions such as the British Museum and the National Gallery." 

Fonte justuk.org/uk/london/

 
Adjetivos simples e superlativos são muito utilizados na descrição dos destinos turísticos, geralmente para valorizar atributos positivos do local.

Johannesburg. Ilustração: Anna Cunha

Johannesburg, South Africa
"Johannesburg, or Jo'burg, Egoli ("City of Gold"), or Jozi, as it is affectionately known by Jo'burgers, is the commercial heart of South Africa. Historically it is where money is made and fortunes found. It has been stereotyped as a cruel, concrete jungle, plagued by crime, but residents defend it fiercely as a city of opportunity and raw energy, the capital of 'Can Do!"

Fonte fodors.com/world/africa-and-middle-east/south-africa/johannesburg/


Além da profusão de adjetivos, guias turísticos usam sequências descritivas com verbos no presente simples do modo indicativo. 

Sydney. Ilustração: Anna Cunha

Sydney, Autralia
"Sydney harbour is a must. Take a harbour cruise tour and see the Harbour Bridge and Opera House as they were meant to be seen. Sydney Ferries have all-in-one tickets for travel as well as admission to many of the popular attractions."

Fonte austtravel.com.au/nsw_sydney.htm
 

Esta sequência instrucional usa o presente do modo imperativo. Com ela, o autor busca dar instruções específicas ao leitor.

Conteúdos linguísticos implícitos no trabalho com guias

Ao analisar os diferentes exemplos, é fundamental incentivar que a classe a identifique as principais características do travel guide. Sempre com a sua mediação, os alunos devem perceber a função apelativa da linguagem que marca esse gênero. Nos textos, predominam as sequên-cias descritivas, explicativas e instrucionais marcadas, sobretudo, pelo uso do tempo verbal no presente nos modos indicativo e imperativo. Também é comum o emprego de adjetivos simples e no grau superlativo, essenciais para aguçar a curiosidade dos futuros visitantes. Além de estudar aspectos gramaticais, a turma pode ampliar seu vocabulário.

Observar as informações presentes em diferentes travel guides permite aos alunos compreender qual a estrutura recorrente do texto desse gênero, verificar se ele possui título e subtítulo, se está dividido por grupos de atrações (parques, museus, praias, restaurantes) e se há informações precisas sobre horário, dias de funcionamento, preços de ingressos, endereço completo etc.

"Intencionalmente, o professor pode apresentar aos alunos bons e maus exemplos de travel guides com o objetivo de que discutam a relevância das informações apresentadas e identifiquem quais trazem todos os dados necessários", sugere Marileuza. Além disso, como o objetivo do guia turístico é convencer outras pessoas a visitar o lugar, vale discutir com a turma se aspectos negativos, como violência e problemas de transporte, devem estar presentes no texto.

A escolha do produto final a ser realizado pela turma depende dos objetivos e dos conteúdos que se pretende alcançar. É possível orientar a produção de um folheto turístico, um blog ou um guia, sempre na língua inglesa e com os atributos aprendidos anteriormente. "O aluno deve ter clareza de que seu texto será lido por alguém e, mais do que isso, entender que o guia possui usos e funções específicas. Essa consciência traz mais empenho na hora de escrever", explica a professora Denise.

À medida que os jovens entram em contato com o gênero, você pode pedir que eles desenvolvam suas primeiras produções textuais em inglês e realizem revisões coletivas e individuais. Ao chegar à versão final, eles devem demonstrar segurança sobre a estrutura que compõe o guia turístico (impresso ou online), o novo vocabulário estudado, suas principais marcas linguísticas e as informações imprescindíveis.

Dica da colega

"Ao trabalhar com o gênero turístico, o professor pode escolher intencionalmente países de diferentes continentes que têm o inglês como língua oficial. Vale optar por exemplos menos recorrentes, fugindo de lugares sempre citados, como a Inglaterra e os Estados Unidos."

Cristiana Dlugosz, professora da EE Carmela Bortot, em Pato Branco, PR, que está desenvolvendo o projeto piloto sobre o gênero online travel guides, criado pelo Celem.

Compartilhe este conteúdo:

Tags

Tags

Guias