Imagens de satélite para ler o território

O recurso ajuda a garotada a acompanhar as mudanças da superfície terrestre de maneira instantânea. Inclua nas suas aulas

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Mariana Queen, NOVA ESCOLA, Bruna Nicolielo

As diferentes relações entre a sociedade, a natureza e as tecnologias fazem parte dos temas a serem tratados nas aulas de Geografia a partir do 6º ano. Explicar o funcionamento dos satélites está dentro dessa temática. Essas máquinas fornecem informações para a previsão do tempo e a produção de mapas cada vez mais precisas. Eles transportam sensores que captam luz, calor e distâncias e, assim, geram imagens sobre características da atmosfera e da superfície do planeta.

A leitura e a interpretação das imagens produzidas pelos satélites também fazem parte do aprendizado, pois permitem observar a Terra de uma posição privilegiada. "Elas oferecem uma visão espacial de extensas áreas em datas específicas, o que é uma vantagem em relação aos mapas convencionais", explica Teresa Gallotti Florenzano, geógrafa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e autora do livro Iniciação em Sensoriamento Remoto (128 págs., Ed. Oficina de Textos, 11/3085-7933, 59 reais).

Para uma boa análise dessas imagens, é preciso saber que elas mostram a visão de uma superfície feita de cima para baixo. Entender os elementos dispostos nelas é um segundo ponto a focar. "O grande erro é considerá-las autoexplicativas", diz Diego Corrêa Maia, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Os fenômenos retratados são identificados quanto a diferentes aspectos, como forma, tamanho, textura (impressão de rugosidade), localização e cor. O nome e o tipo do satélite responsável pela captação, assim como as dimensões da área registrada, devem ser considerados. Satélites meteorológicos estão mais distantes da Terra. Captam áreas maiores, em tamanho menor. Já o Landsat, da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), está mais próximo da Terra e capta áreas menores com detalhes. Ele é usado para estudar fenômenos como a urbanização.

Leitura apoiada em mapa 
Representações diversas ajudam a garotada a entender os registros de satélite mais facilmente e fazer uma interpretação rica da transformação da paisagem

Leitura apoiada em mapa. Reprodução caderno do aluno - Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
1. Desmatamento Em boa parte da área de São Paulo aqui representada, a mata original foi derrubada devido à expansão urbana.
2. Cidades A Grande São Paulo e os municípios ao longo da Via Dutra, em lilás, formam praticamente uma única conurbação.
3. Vegetação A mata nativa, em verde, sobrevive no litoral, sobretudo na serra do Mar, indicada pela textura rugosa.

Analisar o que revelam os satélites e pôr conhecimentos em jogo

A utilidade das imagens de satélite é muito vasta e depende dos conteúdos previstos no planejamento (conheça alguns exemplos no quadro da próxima página). "Uma das possibilidades é acompanhar processos que levam à transformação do espaço de maneira instantânea", afirma Sueli Furlan, selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.

Na EE Eduir Benedicto Scarppari, em Piracicaba, a 157 quilômetros de São Paulo, o professor Adriano Scalzitti propõe às turmas do 6º ano usar registros de satélite para estudar os vários tipos de paisagem. O trabalho segue as orientações didáticas da rede estadual paulista.

As imagens de satélite entram na etapa seguinte e são analisadas até o fim do projeto. O professor utiliza uma figura noturna feita pelo Landsat que mostra áreas de queimada e de grande densidade demográfica ao redor do mundo. "Chamo a atenção para o Brasil. Juntos, identificamos os pontos iluminados, que mostram uma concentração urbana próxima ao litoral e focos de desmatamento no Centro-Oeste, no Norte e em parte do Nordeste do território brasileiro."

Paralelamente a essa discussão, Scalzitti problematiza o processo de produção de imagens de satélite. "Os estudantes sempre querem entender como a imagem capturada pelo sensor se transforma na figura que estão vendo", lembra. "Como os satélites funcionam à noite?" e "Por que aparecem regiões verdes e vermelhas?" também são perguntas frequentes. Para responder à primeira, ele explica que o sensor do satélite gera imagens por meio da captação de luzes refletidas por diferentes pontos da superfície terrestre. Com relação à segunda, ele conta que elas são originalmente processadas em preto e branco e ganham cor graças a programas de computador.

Com o apoio de dois mapas do Brasil, que trazem a divisão política e das regiões, a garotada estuda outro registro do Landsat. Nele é possível ver a concentração urbana próxima a áreas litorâneas do país com mais detalhamento. Todos analisam, ainda, as regiões onde ocorrem queimadas e concluem que isso é uma evidência da ação humana.

Na etapa seguinte, a turma é convidada a relacionar imagens do mesmo satélite a outros mapas temáticos (leia o quadro na página anterior). Com o auxílio do livro didático, o professor propõe a análise da constituição da primeira grande megalópole brasileira, que une o Rio de Janeiro a São Paulo. "Observamos a costa dos dois estados. Sugiro que os alunos façam correlações entre o que é visto no satélite e no mapa político. A leitura conjunta dá pistas para identificar mais facilmente os fenômenos retratados pelo sensor", diz Scalzitti. Nesse momento, vale pontuar: os mapas são figuras produzidas com base em imagens geradas pelos satélites.

Apoiados num estudo como o realizado por Scalzitti, os alunos vão entender a natureza e as funcionalidades desse recurso tecnológico. Também aprenderão que as transformações naturais e humanas no meio mudam as paisagens e, dessa forma, as imagens que as registram.

Diferentes abordagens 
Relevo, hidrografia e ocupação do solo também podem ser discutidos com imagens de satélite

Relevo. Ed. Oficina de Textos

O relevo é identificado com elementos de sombra e textura. A lisa indica regiões planas, como a Planície Amazônica. Rios de água limpa são representados em preto ou azul-escuro.

Áreas agrícolas. Nasa/Ed. Oficina de Textos

Áreas agrícolas, como esta, no interior do Paraná, são indicadas por cores e formas geométricas diferentes devido aos diversos estágios de cultivo das plantações. As áreas de solo exposto estão em azul.

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