Estudante do Rio Grande do Norte é um dos vencedores da Olimpíada de Língua Portuguesa com poema inspirado no pai

Henrique de Oliveira, de 12 anos, escreveu o poema 'Ô de casa?!', em homenagem ao pai, que é um vaqueiro. Ele foi um dos premiados na Olimpíada de Língua Portuguesa

POR:
Paula Nadal

Com o poema "Ô de casa?!", que escreveu em homenagem ao pai - que é vaqueiro - o estudante Henrique de Oliveira, de 12 anos, foi um dos premiados na Olimpíada de Língua Portuguesa, organizada pelo Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisa em Ação Comunitária), em parceria com o Ministério da Educação.

Henrique mora na pequena cidade de José da Penha, a 416 quilômetros de Natal, e participou do concurso com mais 3 milhões de estudantes de 40 mil escolas públicas de todo o país. A Escola Municipal Ariamiro Germano da Silveira, onde o menino estuda, possui 110 alunos e não conta com salas de leitura, laboratório de informática ou Ciências. 

A seguir, leia o poema de Henrique na íntegra:

Ô de casa?!
Ê, Ê, Ê... Morena
Ô, Ô, Ô... Machada
Ê, Ê, Ê... Grauno
Ô, Ô, Ô... Pelada.

O vaqueiro solta a voz
No oco do mundo,
Com seu aboio triste,
Em poucos segundos,
Encanta gente e gado.
"Eita" aboio profundo!

Chapéu de couro e gibão,
Luvas e peitoral,
Perneiras e sandálias,
Tudo artesanal.
Ofício de meu pai,
Vaqueiro magistral.

O sertanejo anseia
Uma visita em nossa terra,
Faz as honras da casa
E ansioso espera,
São José intercede
E o povo por ela reza.

Quando a visita chega
Molha o tapete vermelho,
Desbota ele todo,
O caminho é só lameiro,
Pra nós é festa,
É festa "pros violeiro".

Eles cantam e encantam
Aqui no nosso recanto,
Em noite de cantoria
Improvisam com seu canto,
É coisa da nossa gente
Aqui do nosso canto.

Sítio Gerimum
Este é o meu lugar,
Pedaço de chão resistente
Como o povo que aqui está,
Que semeia coragem,
E faz a esperança brotar.

Meu Gerimum é com G,
Você pode ter estranhado,
Gerimum em abundância
Aqui era plantado,
E com a letra G
Meu lugar foi registrado.

Este ano a visita
Raramente se aconchegou,
Sua ausência causou tristeza
E o nosso sertão chorou,
Nem as lágrimas derramadas
O chão seco molhou.

O tempo parece mudado,
Mudou o verde do capim,
A brisa está mais quente,
Não faz um carinho assim,
Até os passarinhos
Voaram pra longe de mim.

Espero que os bons ventos
Fluam em nossa cidade,
Visitem José da Penha
Sem nos deixar saudade,
Tragam-nos boa-nova
Espalhando prosperidade.

Enquanto espero a visita
Você pode entrar,
Também é meu convidado,
Pode se aproximar
Nossa essência permanece
Sinta... Está no ar!

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