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Jornalismo

Transição: mostre ao seu aluno o papel positivo da mudança

Final de ano letivo é um período de confraternizações e algumas despedidas, ideal para falar de transições, reconhecendo conquistas e valorizando sonhos

PorLinaldo Oliveira

16/12/2022

Foto: Getty Images

Estamos chegando ao fim de um dos anos letivos mais atípicos. A readaptação ao ambiente escolar de forma presencial foi, sem dúvidas, um processo lento, delicado e desafiador para docentes, alunos e toda a equipe escolar.

Em meio a tantas reflexões, preocupações e estratégias para minimizar o impacto educacional gerado pelos dias difíceis da pandemia, foi necessário reconstruir vínculos. Para qualquer um de nós, professores, reinventar-se foi, como o bom velhinho Charles Darwin diria, “uma adaptação necessária à sobrevivência” – neste caso, profissional.

O fim do ano letivo é sempre marcado pela adrenalina dos estudantes para concluir atividades e garantir a aprovação. Todo professor tem aqueles alunos que classifico como “trabalhadores da última hora”, buscando por um milagre que os faça alcançar, nas prorrogações, o resultado necessário. 

Da mesma forma, existem aqueles cuja preocupação é quase inexistente por já estarem praticamente aprovados. Seja a qual grupo pertencem nossos alunos, neste momento em particular do ano letivo, eles estão sofrendo de “mudança”.

Expectativas para o futuro e o impacto das mudanças

Para as turmas concluintes do 5° e do 9° ano do Ensino Fundamental e do 3° ano do Ensino Médio, essa realidade torna-se muito mais intensa. Na maioria dos casos, ela resulta na mudança de escola, adaptação a uma nova realidade de ensino, novos professores, diretores e funcionários e um novo e desafiador ambiente escolar a ser explorado. Mas como isso afeta o aluno? Como minimizar ou até facilitar essa transição? O que nós podemos fazer para valorizar e tranquilizar nossos estudantes para o futuro?

Intrigado por essas perguntas, resolvi conversar com alguns deles sobre seus anseios em relação ao Ensino Médio. E, na maioria das vezes, a grande preocupação expressada estava em enturmar-se com novos colegas e adaptar-se à nova escola.

Por isso, é de extrema importância tranquilizá-los e fazê-los entender o papel positivo das mudanças e o quanto elas são necessárias para romper a inércia do crescimento humano. Nessa fase de transição, costumo sempre conversar com meus alunos sobre os seus anseios para o futuro.

Os sonhos são uma grande força propulsora que possuímos para enfrentar desafios, e ouvi-los é sempre de uma importância significativa. Existem inúmeras mentes em sala, cada uma com prioridades, anseios, medos, expectativas e particularidades. Talvez por isso a escola seja o lugar mais plural do mundo!

Gosto sempre de perguntar aos meus alunos, ao longo do ano, e de forma mais enfática neste período de transição, o seguinte: “Cara, o que você sonha ser?”. Isso sempre rende boas conversas, e quando a resposta é um enfático “sei lá!”, costumo tentar fazê-los refletir sobre o que lhes causa essa “ausência de sonho” – e, com isso, consigo incomodá-los para que comecem a pensar em escolhas futuras.

Comemorações e despedidas

Se você é professor de turmas concluintes, deve saber que o fim do ano letivo é um misto de alegria e saudade. Costumo dizer que a parte mais difícil de ser professor do 9° ano é vê-los deixar a escola e, ao mesmo tempo, sentir-se feliz por vê-los ganharem asas e irem trilhar seus caminhos. 

Porém, como já falava tão sabiamente Paulo Freire: “O educador se eterniza em cada ser que ele educa”, e sei que todo aluno que passa por nós, professores, leva uma pequena semente nossa. Essa é a linda realidade de um educador, estimular vidas com potencial de transformação ilimitado.

Buscando esse estímulo e esse encorajamento neste período de mudanças, comecei a produzir eventos de premiação e confraternização com o intuito de fazê-los olhar para trás e perceber a grandeza do caminho trilhado ao longo do ano letivo. É sempre interessante vê-los perceber como superaram os desafios passados e como esses, agora, parecem pequenos diante de tudo o que conquistaram.

Essas premiações são sempre realizadas após a feira de ciências anual. Por ser um trabalho longo e desafiador para os alunos, o evento torna-se um momento único de colheita dos frutos gerados com o esforço coletivo. Todos os anos tematizamos a noite baseando-nos nas estruturas de grandes premiações como o Oscar.

A ocasião reúne toda a comunidade escolar e torna-se um misto de lágrimas e sorrisos que demonstram a professores e estudantes a importância de construir laços afetivos. E, embora a mudança chegue, os novos desafios e metas devem tornar-se combustível para seguirmos.  

Por isso, quer um conselho de educador? Escute os sonhos dos seus alunos  você vai conhecer uma infinidade de mundos tão incríveis quanto a Terra Média, Nárnia ou Hogwarts. Prepare-os para saberem lidar da melhor forma com as mudanças que virão. Isso transforma pessoas, e pessoas transformam o mundo!

Creio fielmente que essa seja a verdadeira essência de uma educação integral, que envolve o desenvolvimento socioemocional do aluno, de forma a torná-lo ativo, empático, empolgado e respeitoso consigo e com o próximo.

Um abraço e até a próxima!

Linaldo Oliveira é mestre em Ecologia e Conservação e professor da EMEF Iraci Rodrigues de Farias Melo, em Mogeiro (PB). É tricampeão do Prêmio Educador Nota 10 do Instituto Alpargatas, foi vencedor, como Educador do Ano, da 24° edição do Prêmio Educador Nota 10, de 2022, da Fundação Lemann e eleito um dos educadores mais criativos do país pelo Prêmio Perestroika.

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