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Jornalismo

Relações étnico-raciais na alfabetização: leve o assunto para a sala de aula de forma significativa

Explorar jogos e brincadeiras, músicas e podcasts são sugestões para estimular a reflexão e a valorização da diversidade

PorMara Mansani

17/11/2022

Foto: Getty Images

Como explorar as relações étnico-raciais na alfabetização? Afinal, é um assunto complexo, mas essencial que esteja desde cedo em sala de aula. É nosso papel, enquanto educadores, contribuir para a formação das crianças e estimular debates e reflexões que promovam a construção de uma sociedade com mais equidade. Explorando propostas lúdicas e com criatividade, é possível introduzir desde a Educação Infantil a perspectiva da Educação Antirracista.

Eu acredito que alfabetizar é educar para a vida. Por isso, em minha sala de aula, a temática está presente durante todo o ano. Enquanto desenvolvem a escrita, a leitura e a oralidade, meus alunos também estão refletindo sobre a importância do respeito às diferenças, do amor, da ética, da igualdade e da garantia dos direitos humanos a todos.

  • Baixe gratuitamente um manual com sugestões práticas para construir uma escola antirracista

  • Para te auxiliar a também garantir essa abordagem na alfabetização, compartilho três sugestões de atividades que revelam a nossa identidade histórica e cultural, especialmente as contribuições das culturas africana, afro-brasileira e indígena, de forma a colaborar para que as crianças valorizem e, principalmente, adotem uma postura de respeito, empatia e combate a qualquer tipo de preconceito.

Criem uma playlist de músicas

A proposta é selecionar, de forma coletiva, músicas com mensagens de amor e respeito à vida, que contemplem as diversas culturas – dando prioridade para aquelas com raízes afro-brasileiras, indígenas e africanas.

Você pode estar pensando: “As crianças não conseguem sugerir essas músicas”. Se esse for o caso da sua turma, você, professora ou professor, pode sugerir como forma de ampliar o repertório musical da turma. Há tanto para as crianças conhecerem, apreciarem, se divertirem e valorizarem a diversidade étnico-racial!

Para guiar essa curadoria, busquem responder a estas duas perguntas: as músicas trazidas têm letras que reforçam estereótipos da sociedade? As histórias e culturas de diferentes povos estão representadas nas músicas trazidas?

Esses questionamentos também podem ser levados para avaliar e refletir se nosso fazer pedagógico no dia a dia contribui para a construção de um mundo com mais equidade.

Proponha jogos e brincadeiras

Essa é uma boa estratégia para que as crianças adentrem na cultura de diferentes povos e etnias. Minha sugestão é criar com esses jogos uma caixa que possa ser compartilhada com as turmas. Depois de conhecer e experimentar essas brincadeiras, o terreno é propício para debater em sala de aula a valorização e o respeito à diversidade étnico-racial. Neste material da NOVA ESCOLA, nos aprofundamos no assunto e disponibilizamos gratuitamente uma sugestão de dez brincadeiras e jogos africanos para usar nos Anos Iniciais.

Outra sugestão é conferir dois materiais excelentes produzidos pelo Projeto Educação e Ludicidade Africana e Afro-brasileira (LAAB), ambos com autoria de Débora Alfaia da Cunha – vale a pena consultar outros materiais disponibilizados gratuitamente no site da iniciativa.

Também há os jogos e brincadeiras dos povos indígenas. Patrícia Rossi dos Reis, em sua dissertação de mestrado na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), trouxe propostas tradicionais de etnias do Rio Negro. Ao final do texto, há um QR Code que leva a um vídeo de apresentação de cada jogo e brincadeira.

Explore podcasts sobre a temática

Você precisa conhecer o podcast Deixa que Eu Conto, iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Com duração média de 30 minutos, cada episódio apresenta lendas, histórias, brincadeiras e outros conteúdos sobre temas variados.

Eles tem algumas séries temáticas. Entre elas, destaco a Amazônia, que traz episódios sobre histórias das culturas de povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, e a Afro-Brasileiro, com histórias da cultura negra no Brasil.

Para finalizar, deixo as sugestões compartilhadas pela professora Rosa Margarida de Carvalho Rocha, especialista em estudos africanos e afro-brasileiros com mais de 30 anos de atuação na área da Educação. Os conteúdos me auxiliaram a refletir sobre a origem e o significado de palavras e expressões que, infelizmente, estão presentes em nosso vocabulário e precisamos debater com nossos alunos para deixá-las de lado.

Espero que aproveitem todas as sugestões e dicas e que, assim como eu, possam refletir e repensar a prática em sala de aula em prol de uma educação e uma sociedade antirracistas.

Um abraço e até a próxima!

Mara Mansani

Mara Mansani é professora há 34 anos. Lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF no livro Muda o mundo, Raimundo. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

 

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