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Jornalismo

Copa do Mundo: como utilizar o evento para desenvolver a alfabetização matemática

Confira sugestões para explorar o álbum de figurinhas do campeonato para propor situações-problema envolvendo noções de adição e subtração

PorSelene Coletti

16/11/2022

Foto: Acervo pessoal/Selene Coletti

Entre 20 de novembro e 18 de dezembro, o mundo acompanhará um dos maiores eventos esportivos, a Copa do Mundo, que acontecerá este ano no Catar – primeiro país do Oriente Médio a receber a competição.

Para nós, brasileiros, é mais uma vez a chance de torcer para conquistar o hexacampeonato – expectativa que cultivamos há um certo tempo. Para nós, professoras e professores, é mais uma oportunidade de explorar um tema tão rico, que dialoga com todas as áreas do conhecimento. Em minha experiência, rende um bom projeto, com muitas aprendizagens significativas.

Diferente do habitual, a Copa acontece agora no final do ano, momento já de finalização das atividades. No entanto, mesmo nesse contexto, acredito que é possível desenvolver um trabalho interessante! Minha sugestão é explorar o álbum de figurinhas, que está presente no cotidiano de crianças, jovens e adultos.

Proponha situações-problema envolvendo o álbum de figurinhas

Que tal trazer um álbum de figurinhas para começar a exploração do tema? Ele pode dar início à introdução do assunto e à verificação do que os alunos já sabem sobre futebol e a Copa do Mundo. Em seguida, explore curiosidades a respeito da origem do esporte e do evento esportivo, aspectos da cultura do Catar e do seu povo. Também pode compartilhar notícias relacionadas ao tema.

A proposta pode incluir atividades voltadas para a escrita dos nomes dos países e dos jogadores convocados – saiba mais como explorar nomes próprios em sala de aula. Listas e cruzadinhas são boas propostas.

Ainda utilizando os álbuns da turma, você poderá criar situações-problema envolvendo noções de adição e subtração para que os alunos discutam, resolvam e depois compartilhem a estratégia utilizada – veja no quadro abaixo alguns exemplos. Outra possibilidade é propor que, em grupos, criem diferentes situações-problema para que troquem entre si. 

Possíveis situações-problema com base no álbum de figurinhas

As atividades podem explorar a quantidade de figurinhas do álbum; o gasto para preencher todo o álbum; e as idades, alturas e pesos dos jogadores. Ou seja, podem ser algo como:

1. Cada seleção tem 20 figurinhas. São 32 seleções. Quantas figurinhas de jogadores terá o álbum?                           

2. Observando as datas de nascimento de cada jogador do Brasil, organize uma lista do mais velho para o mais novo. 

3. O álbum de figurinhas completo possui 670 figurinhas. Sabendo que cada pacotinho com cinco figurinhas custa R$ 4 e que você irá trocar todas as repetidas, quanto gastará para preencher todo o álbum?

4. Das 32 seleções do álbum, Pedro já completou 20. Seu amigo Felipe, 24. Sabendo que cada seleção possui 20 figurinhas, quantas figurinhas Felipe tem a mais que Pedro?

5. Ana Luísa estava brincando com as figurinhas dos jogadores do Brasil e resolveu organizá-las do mais alto para o mais baixo. Para isso, fez uma lista. Como ficou a lista de Ana Luísa?

Escrevam regras para “bater bafo”

Em minha escola, na hora do recreio, “bater bafinho” (também chamado de bater figurinha) tem sido a principal brincadeira nas últimas semanas – tanto dos mais velhos quanto dos menores. Também percebeu isso em sua escola? Então, esta é uma ótima oportunidade para propor uma conversa sobre como jogar e as estratégias para ganhar muitas figurinhas. Em seguida, eles podem escrever as regras e compartilhar com outra turma – também podem gravar um vídeo de como jogar, estimulando aspectos da oralidade. Por fim, sugira um campeonato de “bafinho” na classe e crie situações-problema envolvendo o que vivenciaram.

 

Criem um álbum de figurinhas da turma

Como já contei quando conversamos sobre os Jogos Paralímpicos, montamos um álbum de figurinhas e pudemos trabalhar bastante a Matemática e o letramento nele envolvidos.

Proponho que você faça o mesmo envolvendo a Copa do Mundo. No botão abaixo, você pode baixar um modelo-base para essa produção. Escolha, com os alunos, dois ou três times que gostariam de colocar no material. Com base nessas decisões, termine de construir o arquivo com o álbum da turma. Se pretende trabalhar na construção da escrita, escolha países cujos nomes sejam mais fáceis para o trabalho.

baixe modelo-base de álbum

 

Quando estiver pronto, imprima as páginas do álbum em si e as figurinhas correspondentes. Em seguida, agrupe-as em pacotinhos com três ou quatro cartinhas, ou as distribua aleatoriamente entre os estudantes.

Em um dia da semana previamente combinado, eles poderão “comprar” os pacotinhos, colar as figurinhas e fazer as trocas das repetidas. No próprio álbum, lembre-se de garantir uma tabela com os números dos cromos.

Proponha situações-problema envolvendo o campo aditivo (transformação, composição e comparação), com base nas experiências das trocas e do preenchimento do álbum. Ou seja, pode explorar operações de soma e subtração relacionadas às ideias de ganhar, perder, acrescentar, tirar e comparar cromos. Tenho certeza de que serão bastante significativas.

Caso sua turma não esteja alfabetizada, pode fazer como uma amiga minha, construir um álbum com as fotos das crianças como craques de futebol e explorar os mesmos aspectos citados anteriormente, seja no que se refere aos aspectos da escrita (nomes das crianças), seja relacionado à Matemática.

É evidente que, além do álbum, você poderá utilizar as tabelas da pontuação para acompanhar os resultados dos jogos e torcer para o Brasil com a turma e organizar e analisar gráficos referentes às partidas. Esta coluna de Matemática nos Anos Finais pode servir de inspiração para trabalhar noções de geometria e padrões.

Certamente, neste fim de ano, você encontrará uma forma significativa de aproveitar o evento a favor da aprendizagem e, com os estudantes, torcer pela vitória do Brasil. Vamos levar o espírito da Copa para a sala de aula?

 

Até a próxima!

 

Selene

 

Selene Coletti é professora na rede pública há 40 anos. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por dez anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio Gestão para o Sucesso Escolar, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

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