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Jornalismo

Grandes temas da educação

Nossa visão sobre os temas recorrentes da educação.

PorNOVA ESCOLA

10/11/2022

Nossa visão sobre grandes temas da educação

  • Alfabetização

A alfabetização é o processo de ensino e aprendizagem do sistema de escrita que acontece nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental e se desenvolve ao longo de toda a vida escolar. Neste período, definido pela BNCC como o ciclo de alfabetização, a escola deve promover de modo mais sistemático a aquisição de habilidades de leitura e escrita.

Esse processo não se restringe às habilidades de codificar (escrever) e decodificar (ler) textos escritos, mas de uma autêntica imersão da criança na cultura letrada, dentro da qual ela possa exercer, com cada vez maior autonomia, às diferentes habilidades de comunicação e expressão em situações comunicativas diversas. Isso inclui, também, as práticas de oralidade, que se relaciona com a forma escrita da língua.

No entanto, não tratamos a escrita como mera transposição da fala para o papel. A língua falada e a língua escrita possuem correspondência, mas com características e dinâmicas próprias. Por isso, estamos alinhados à proposta da BNCC, que organiza as habilidades em campos de atuação e práticas de linguagem, de modo que a leitura, a escrita e a fala se desenvolvam no contexto dos usos nas diversas situações da vida.

Para nós, o ensino da língua materna se sustenta em dois pilares indissociáveis: alfabetização e letramento. No primeiro, o aluno reflete sobre o próprio sistema de escrita, desenvolve a consciência fonológica, aprende a ortografia, debruça-se sobre as unidades menores da língua (a letra, a sílaba, a palavra), entre outros aspectos. No segundo, ela se insere no universo da cultura letrada, lendo e produzindo textos reais de diferentes gêneros. É fundamental que ele conheça desde os gêneros textuais mais simples do cotidiano, como o bilhete, a lista de compras, as cantigas e textos de memória, até os gêneros mais complexos, como a carta, o poema, os contos e as fábulas, as notícias de jornal.

Em nossos conteúdos, consideramos sempre que a escola precisa garantir, de forma equilibrada, esses dois pilares, para que as crianças constituam as bases do seu desenvolvimento como leitores críticos e cidadãos capazes de participar ativamente da vida social por meio do domínio da língua falada e escrita.

  • Avaliação 

A Nova Escola defende um processo de avaliação diversificado e processual, que indica o uso de diversos instrumentos para coletar evidências sobre o que os alunos estão ou não estão aprendendo. Essas informações devem ser usadas de maneira construtiva e reflexiva para acompanhar a evolução dos alunos e para que o professor reflita sobre as suas próprias ações e planeje os próximos passos.

Para realizar um bom trabalho com avaliação é preciso que os docentes consigam:

  • Entender a avaliação como um processo (e não uma nota ou um instrumento) que serve de apoio à aprendizagem (e não de métrica de aprendizagem).
  • Estabelecer os objetivos de aprendizagem (definir o que os estudantes serão capazes de fazer e o que devem compreender) por etapa.
  • Planejar quais evidências serão consideradas como sinais de que a aprendizagem está ocorrendo de forma efetiva (definir qual conjunto de ações é necessário e suficiente para que se possa afirmar que o estudante aprendeu e compreendeu o que era esperado, não de forma mecânica, mas de forma conectada e relacional).
  • Definir os instrumentos formais que serão utilizados para coletar essas evidências.

“A avaliação efetiva se parece mais com um álbum de memórias com lembranças e fotografias do que com uma única fotografia instantânea. Em vez de usar apenas um teste, de um único tipo, ao final do ensino, os professores avaliadores eficazes reúnem inúmeras evidências ao longo do caminho usando uma variedade de métodos e formatos. Assim, ao planejarem a coleta de evidências da compreensão, consideram uma gama de métodos de avaliação.” (Trecho do capítulo 7 de WIGGINS, G. J. ; MCTIGHE, J. Planejamento para a compreensão: alinhando currículo, avaliação e ensino por meio da prática do planejamento reverso. 2. ed. Porto Alegre: Penso, 2019.)

  • Avaliações externas

Entendemos que esforços de avaliação externa são importantes para que todos tenham visibilidade dos resultados educacionais, mas consideramos que os dados devem ser utilizados com cuidado. Essas avaliações geram diagnósticos incompletos e, para ter um retrato mais preciso, elas devem ser complementadas por avaliações internas e análises das condições gerais das escolas. Fazer rankings de escolas, como os que costumam ser realizados quando saem as notas do Ideb ou do Enem não é uma prática que agrega, porque gera competição e pouca reflexão. É importante, sim, olhar para as práticas das escolas exitosas e problematizar quais delas podem ser aplicadas em outras instituições para colaborar com a melhoria do aprendizado. Também é essencial combater ações antiéticas realizadas por instituições que visam burlar o resultado das avaliações, como treinar os alunos ou selecionar apenas os melhores estudantes para fazer a prova.

  • Datas comemorativas

Somos cuidadosos com as datas comemorativas para que elas não virem o único momento no calendário escolar para tratar de temas importantes. Acreditamos que temas como a valorização do meio ambiente, da cultura indígena e dos povos afro-brasileiros, por exemplo, não devem ser abordados só no Dia do Meio Ambiente, no Dia do Índio ou no Dia da Consciência Negra. Eles devem estar presentes no currículo escolar e permear toda a prática docente. No entanto, usamos essas datas para dar visibilidade aos temas e apresentar propostas que possam ser realizadas o ano todo. Olhamos, também, para a diversidade dentro dessas datas e não valorizamos comemorações como as do Dia das Mães ou Dia dos Pais, uma vez que nem todas as crianças possuem uma família com mãe e pai. Da mesma maneira, não registramos datas comemorativas que são exclusivas de uma religião, como o Natal e a Páscoa.

  • Educação Infantil

Entendemos a Educação Infantil como um período fundamental para o desenvolvimento da criança por toda a vida. Reconhecemos que aprender é um direito garantido, que a BNCC desdobra e define em seis direitos de aprendizagem - Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar e Conhecer-se -, alicerces da proposta do documento.

A Educação Infantil é o lugar e o momento de brincar, correr, pular, comer, andar, dormir, alegrar-se e ficar triste. É o lugar de desenhar, interagir, conhecer a natureza e o mundo social, arriscar as primeiras leituras e escritas e se apropriar dos instrumentos culturais da nossa sociedade.

Este desenvolvimento não ocorre em atividades específicas, mas perpassa toda experiência da criança em cada momento da rotina. Assim sendo, o foco do planejamento do professor deve ser a experiência integral, da chegada ao portão à soneca, dos momentos de leitura à hora da refeição, das brincadeiras às pinturas com guache.

Acreditamos que a criança deve ser vista como protagonista, capaz de expressar seus desejos e fazer escolhas.  Nesse processo, o professor é co-protagonista com atuação fundamental na criação de condições para que as crianças possam exercer seus direitos consolidados pela BNCC.

  • Formação continuada de professores

Chamamos de formação continuada todas as iniciativas formativas que acontecem após a graduação do professor e que colaboram para que ele consiga lidar com os desafios do trabalho. Então, consideramos desde cursos formais (independentemente da carga horária e do nível acadêmico) até estratégias que ocorrem dentro da escola, como os horários de trabalho coletivo, a observação de sala e eventuais trocas entre pares como parte das estratégias formativas. 

  • Gestão democrática

A escola deve ser um espelho da sociedade que se quer construir, por isso, ela precisa respeitar cada um, ser um espaço de participação e escuta, além de preparar para o exercício da cidadania. Sendo assim, a gestão democrática é um processo que deve ser liderado por uma equipe gestora - idealmente um trio composto por diretor, vice-diretor e coordenador pedagógico - que valoriza o protagonismo de crianças e jovens e entende que a escola é construída por e para toda a comunidade escolar - professores, funcionários, alunos e famílias - por meio de decisões compartilhadas e comunicação transparente. Para isso, é fundamental que se crie e fortaleça fóruns de discussão coletiva, como o conselho escolar, o conselho de classe, as assembleias, as avaliações institucionais e participativas, os grêmios estudantis e a associação de pais e mestres. Outro passo importante é garantir um processo de eleição para a equipe gestora, em substituição, sobretudo, às indicações políticas que ainda ocorrem, é um passo significativo. Mas lembre-se que gestão democrática não é apenas uma forma de organização administrativa mas também parte de um projeto político-pedagógico que garanta uma Educação de qualidade.

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  • Inclusão de alunos com deficiência

Acreditamos na inclusão de todas as crianças e todos os adolescentes na escola regular e entendemos que, com isso, todos ganham, pois aprendemos a respeitar e a conviver também na diferença. Reconhecemos que a inclusão de pessoas com deficiência na escola requer um esforço coletivo e multissetorial, que envolve a família, profissionais de saúde, educadores de atendimento especializado, gestores, professores e o próprio aluno no sentido de identificar barreiras e maneiras de superá-las para garantir que o estudante tenha uma convivência plena e oportunidades de aprendizado adequadas a suas necessidades.

  • Indisciplina

É muito importante diferenciar conflito e indisciplina. O conflito faz parte da vida em comunidade e é a partir dele que se constroem e se reavaliam regras. A indisciplina, por sua vez, é a transgressão a essas regras. E saber lidar com elas precisa ser aprendido. Por isso, esperar que as crianças, de modo espontâneo, saibam se portar perante os colegas e os educadores é um engano. Da mesma forma, é um equívoco pensar que a família é 100% responsável por isso. E não se trata se destituir dos pais essa responsabilidade, mas de entender que a escola é um espaço propício para a vivência das relações interpessoais. Cabe à escola, em especial ao professor, apoie o desenvolvimento da autonomia dos estudantes, ou seja, de relações baseadas na cooperação e no entendimento do que é moralmente aceito (xingar e bater, por exemplo não são) e do que é convencionado a partir de negociações com aquele grupo (não usar celular na sala de aula). Por isso, combater a indisciplina não passa por rigidez, inflexibilidade e autoritarismo, mas sim por proporcionar autorreflexão, criar um ambiente de cooperação, garantir o engajamento dos alunos e ter um papel de autoridade perante a classe. Não é fácil levar isso para a prática, mas se repreensões, como expulsar os alunos da classe, funcionassem, a indisciplina não seria o um dos principais aspectos de reclamação dos professores.

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Metodologias ativas

Usamos o termo "metodologias ativas" com uma ideia ampla, que indica a promoção de uma postura ativa dos estudantes e não como uma lista de estratégias pré-definidas. Embora esteja em voga nos últimos tempos, esta não é uma concepção nova. No livro "Metodologias ativas para uma educação inovadora", de José Moran e Lilian Bacich, Moran registra que “Dewey (1950), Freire (1996), Ausubel et al. (1980), Rogers (1973), Piaget (2006), Vygotsky (1998) e Bruner (1976), entre tantos outros e de forma diferente, têm mostrado como cada pessoa (criança ou adulto) aprende de forma ativa, a partir do contexto em que se encontra, do que lhe é significativo, relevante e próximo ao nível de competências que possui.” (p. 28) O autor também descreve que as metodologias ativas são “estratégias de ensino centradas na participação efetiva dos estudantes na construção do processo de aprendizagem, de forma flexível, interligada e híbrida”. A aplicação dessa perspectiva na sala de aula envolve um planejamento cuidadoso do professor, uma compreensão de que ele não é apenas quem ensina, mas quem promove a aprendizagem e uma mudança na dinâmica tradicional da aula. Em vez de o professor chegar com todas as respostas, ele envolve os alunos com desafios e propostas que os engajam em investigações e na busca de soluções. O docente, então, media, acompanha, orienta e instiga o trabalho da turma e garante que todos percebam e registrem o que está sendo aprendido ali. 

Objetivos de aprendizagem

Afinal, por que falamos tanto sobre objetivos de aprendizagem? Vamos levar em conta dois aspectos, um prático e outro conceitual. O prático é que desde a homologação da BNCC um novo entendimento sobre o processo de ensino e aprendizagem passou a valer. No lugar de saber sobre um conteúdo, é preciso que o aluno consiga fazer algo em relação a esse objeto de conhecimento. A essa expectativa do que queremos que o aluno saiba fazer em cada ano ou ciclo da Educação Básica, damos o nome de habilidade (sobre isso, leia mais na premissa sobre alinhamento à BNCC). Mas, por sua complexidade, não é possível que uma habilidade seja desenvolvida em apenas uma aula, por isso a destrinchamos em objetivos de aprendizagem. Ou seja, a grosso modo podemos dizer que uma habilidade é um objetivo de aprendizagem amplo que precisa ser dividido em objetivos mais específicos. Já o aspecto conceitual é que quando definimos o que queremos que o aluno tenha desenvolvido ao final da aula é mais fácil definirmos como queremos que ele alcance essa expectativa (as experiências de aprendizagem a serem propostas) e, assim, como vamos medir se ele chegou onde planejamos (a coleta de evidências). Ou seja, o planejamento além de mais fácil de ser elaborado, passa a ter como foco o estudante e não no professor: “a aula de hoje é sobre fração” ou “na aula de hoje eu vou explicar sobre frações” é substituído para “ao final da aula de hoje a expectativa é que vocês tenham aprendido a representar frações menores que a unidade como parte de um todo”
Por isso, é importante que o objetivo de aprendizagem seja uma sentença que comece com um verbo no infinitivo que revele a ação que os alunos devem saber fazer sobre o objeto de conhecimento. Esta ação, por sua vez, deve ser observável (Listar ou comparar em vez de conhecer ou compreender, estes últimos muito mais difíceis de serem evidenciados). Além disso, a sentença deve contemplar o próprio objeto de conhecimento (um conceito, um procedimento ou um processo) e um um modificador, indicando um recorte ou um contexto em que o objeto de conhecimento será empregado. Um exemplo: Representar (verbo) frações (objeto de conhecimento) menores que a unidade como parte de um todo (modificador).

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Papel dos gestores (diretor e coordenador pedagógico)

O diretor e o coordenador pedagógico são a dupla que lidera a escola. Ao diretor cabem as funções administrativas e financeiras, a gestão de toda a equipe e do espaço, a ponte com a Secretaria de Educação e com a comunidade. Ele deve garantir que a escola esteja alinhada e focada, com condições para assegurar uma aprendizagem de qualidade para todos os estudantes. Já o coordenador olha para as questões pedagógicas, especialmente a orientação e a formação dos professores. Em instituições que não possuem coordenador, as funções dele são assumidas pelo diretor ou por algum formador da Secretaria de Educação. Algumas escolas, especialmente as que têm grande quantidade de alunos, também possuem um vice-diretor, que divide funções com o diretor, ou um orientador educacional, que cuida do atendimento às famílias e de questões de desenvolvimento pessoal e emocional dos alunos. Quando não há um orientador, essas atribuições costumam ser assumidas pelo coordenador pedagógico.

  • Religião

Conforme está registrado na Constituição Brasileira, o Brasil é um país laico. Dessa maneira, as escolas públicas também têm o compromisso de respeitar todas as religiões e não priorizar uma delas em seu ambiente. Entendemos que o espaço escolar não deve ter símbolos religiosos ou impor práticas como orações. Também não deve comemorar datas religiosas. Quando algum texto ou material ligado a uma crença específica é contemplado na sala de aula, isso deve ser feito em uma perspectiva cultural, como um exemplo da expressão de um povo, e sempre com um olhar para a pluralidade, comparando com materiais de outros credos. Dessa maneira, entendemos que todas as religiões, bem como o ateísmo e o agnosticismo, devem ser respeitados e reconhecidos, mas nunca impostos.

Tecnologia

Nosso entendimento é de que a tecnologia, por si só, não aprimora o aprendizado. Uma atividade não pode ser planejada tendo como objetivo apenas o uso de um determinado recurso. Pelo contrário, o recurso deve ser inserido no planejamento apenas se ele for útil para alcançar os objetivos de aprendizagem. Dentro desse item, também é importante contemplar o respeito à realidade da escola pública e entender se o que está sendo sugerido é aplicável em locais com baixa conectividade e sem possibilidade de pagar pelas ferramentas. Idealmente, devemos sempre apresentar alternativas não digitais que possam ser usadas por professores que atuam nesta realidade. Vale, ainda, considerar que as escolas têm um papel importante na inclusão digital das crianças e dos adolescentes e que as tecnologias podem colaborar para a ampliação do tempo que os estudantes dedicam aos estudos.

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