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Jornalismo

Guia de Qualidade NOVA ESCOLA

Este documento reúne orientações e referências sobre a visão de Educação da NOVA ESCOLA, nossas premissas e as referências que devem nortear todos os conteúdos produzidos por nossa organização. Por meio deste material, queremos garantir a coerência de tudo o que entregamos para nossos leitores e usuários.

PorNOVA ESCOLA

08/11/2022

  • Introdução

Este documento reúne orientações e referências sobre a visão de Educação da NOVA ESCOLA, nossas premissas e as referências que devem nortear todos os conteúdos produzidos por nossa organização. Por meio deste material, queremos garantir a coerência de tudo o que entregamos para nossos leitores e usuários. O filtro do que devemos ou não abordar passa, também, pela conexão com a Teoria de Mudança da Nova Escola.

A NOVA ESCOLA é considerada uma referência por milhões de professores e gestores desde 1986, quando iniciou sua trajetória com a publicação de uma revista impressa voltada a esses públicos. O que publicamos pode ser replicado em escolas e salas de aula do Brasil todo e impactar, positivamente, muitas crianças e adolescentes do nosso país. Portanto, é importante que o que publicamos seja validado, confiável e alinhado aos nossos propósitos. 

Então, caso tenha alguma dúvida ou precise de mais informações para ter certeza de que o conteúdo que você está produzindo está alinhado com o que a NOVA ESCOLA produz, fale com alguém da área pedagógica ou editorial (neste outro arquivo, entenda o que é ou não é papel das áreas pedagógica e editorial).

  • Visão de Educação  

Nossa concepção pedagógica é plural. Ou seja, não seguimos apenas um autor ou linha didática. Nos pautamos pelo que funciona na sala de aula, Papel da área pedagógica e editorial dentro dos princípios indicados pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente a noção de que a criança e o adolescente devem ser protagonistas na construção do seu conhecimento, o que envolve um papel ativo no processo de ensino e aprendizagem, sempre com a mediação do professor. Acreditamos que eles devem vivenciar na escola situações em que tenham voz, respeitem o outro e sejam respeitados, num ambiente pautado pela ética e pela democracia, modelando a maneira como se espera que eles ajam na sociedade como um todo.

  • Premissas de qualidade

Todos os produtos da NOVA ESCOLA se pautam pelas mesmas premissas de qualidade que se inter-relacionam e devem estar sempre contempladas. Elas estão listadas a seguir:


1- Alinhamento à BNCC: A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sancionada em 2017, é o documento que norteia nosso trabalho (entenda mais sobre a BNCC aqui). Nela, encontramos as referências sobre o que deve ser trabalhado em cada faixa etária e quais os princípios que regem a Educação brasileira. A BNCC traz mudanças significativas para a prática pedagógica colocando o foco no desenvolvimento de aprendizagens (habilidades e competências), o que leva à centralidade do aluno, e não na cobertura de uma lista de conteúdos, centrada no professor. Por isso, devemos considerar que o nosso trabalho não deve partir da temática que iremos abordar, mas de ambos os fundamentos pedagógicos do documento, que são: 1) Desenvolvimento de Competências - Nossa produção deve apoiar o educador a entender e ter uma prática que permita ao aluno, mais do que saber sobre um conteúdo, mobilizá-lo e conectá-lo para resolver demandas da vida cotidiana; 2) Compromisso com a Educação Integral - Nossos conteúdos devem ajudar o educador a oferecer ao estudante a oportunidade de ter uma experiência educativa que considere singularidades e diversidades, apoie o desenvolvimento de aspectos afetivos, cognitivos e psicomotor e esteja conectada com a sua realidade e com os desafios da sociedade por meio de processos ativos de aprendizagem.


2- Respeito à realidade da escola pública brasileira: Consideramos as principais características e desafios das instituições de rede pública na produção de nossos conteúdos. Estamos frequentemente em contato com os diversos atores da educação pública brasileira com os quais dialogamos - professores, gestores escolares e representantes de secretarias de Educação. E utilizamos o nosso repertório - já construído e em constante construção - sobre esses públicos e suas realidades diversas a serviço da ampliação dos saberes e práticas pedagógicas.


3- Foco na prática do educador: Devemos produzir conteúdos e materiais que dialoguem com os desafios e com a realidade da prática dos educadores, para aprimorá-la. O que propomos deve ser baseado em práticas reais - ou trazer sugestões viáveis para a escola pública -, validado por especialistas e traduzido para o dia a dia de trabalho.


4- De professor para professor: Valorizamos o professor como detentor de conhecimento e referência sobre sua própria prática. Garantimos que os nossos conteúdos sejam elaborados e orientados por profissionais com larga experiência na Educação Básica, tendo a escola pública brasileira como foco e ponto de partida. Temos uma relação empática com os professores e nos posicionamos como um colega experiente, usando sempre uma linguagem descomplicada e acessível.


5- Aluno no centro: Apresentamos práticas e promovemos ações nas quais o aluno é colocado como protagonista na aprendizagem, ou seja, ele é inserido na construção de novos conhecimentos. Incentivamos a experimentação, a investigação, a formação crítica e integral, usando de metodologias ativas (como a aprendizagem baseada em projetos e a resolução de problemas) e outras estratégias que respeitem esse princípio.


6- Homologia de processos: Buscamos a coerência entre o que é realizado com os profissionais da Educação nos nossos encontros e nas nossas práticas formativas e o que se espera que eles realizem com os alunos na escola ou na realização de seus próprios processos formativos. Nossos cursos, encontros e eventos precisam servir de modelo para a dinâmica que queremos ver na sala de aula, no trabalho do coordenador pedagógico e dos formadores das redes. Então, em suma, o participante/cursista precisa ter voz e participar ativamente da própria aprendizagem. Dessa maneira, assim como o aluno está no centro na premissa anterior, aqui, o educador está no centro do processo. Para entender o conceito de homologia de processos, acesse esta reportagem.


7- Atualidade e necessidade real dos educadores: A definição dos temas a serem contemplados pelos produtos da NOVA ESCOLA em cada momento está atrelada à análise da demanda dos professores e gestores, do contexto educacional e da nossa Teoria da Mudança. Buscamos assegurar que os professores invistam seu tempo de reflexão e formação em assuntos que são, de fato, prioritários. Para isso, fazemos um acompanhamento próximo do calendário escolar e do dia a dia do professor, bem como pesquisas quantitativas e qualitativas e consultas constantes aos educadores, para garantir que conseguimos identificar carências e antecipar comportamentos.


8- Reconhecimento e incentivo da diversidade: Reconhecemos que toda escola tem o dever de proporcionar um espaço em que todos os alunos possam desenvolver as suas potencialidades e sejam respeitados e valorizados. É fundamental, portanto, a construção de uma cultura escolar em que seja possível a convivência sadia e frutuosa entre diferentes pessoas, com seus pontos de vista, histórias e experiências que permitem que todos cresçam e aprendam. Por isso, buscamos contratar os profissionais que atuam na NOVA ESCOLA com foco na garantia da diversidade da equipe e assumimos o compromisso de que os nossos conteúdos ofereçam uma pluralidade de referências, ideias e imagens que respeitem e valorizem a diversidade brasileira de etnias, origens, gêneros, orientações sexuais, corpos e religiões. Queremos, ainda, que professoras e professores de todo o país, independentemente da região onde vivem, se reconheçam em nossos conteúdos e encontrem apoio para as necessidades do contexto local.

 
Observações: Nossos conteúdos e serviços são baseados em referências teóricas consolidadas e coerentes com as premissas, que fundamentam a construção ou a escolha de modelos de instrumentos e ferramentas que, assim como as próprias referências, devem ser apresentados e compartilhados com os educadores. Nesta página, é possível acessar uma lista de fontes e referências que são utilizadas pela Nova Escola.
Os produtos da Nova Escola possuem desdobramentos próprios e aprofundamentos das premissas. O squad de formação, por exemplo, traduziu como elas se aplicam a nossos formadores no Manual do Formador. O squad de Material Educacional cria planos de obra para cada nova frente de produção que também contextualiza o olhar para as premissas.

  • A linguagem de NOVA ESCOLA

  • Nossa voz nos textos
    Quando produzimos um texto - seja ele uma reportagem jornalística, um plano de aula ou um material de suporte para um curso -, nosso objetivo é nos aproximar de quem lê, estabelecendo com o leitor uma proximidade e confiança.
    Um exercício útil para encontrar o tom certo de um texto é imaginar que a voz da NOVA ESCOLA é a de uma amiga e colega de trabalho da professora e do professor, capaz de entender os problemas e as alegrias da profissão, e de dialogar adequadamente com eles. Na maioria das situações, nosso comportamento é o de conselheira: somos a colega mais experiente, que tem sempre um repertório de boas práticas, a dica capaz de abrir um universo de soluções. Em outras, somos bons ouvintes: acolhemos as angústias e as dúvidas e contribuímos para a reflexão pessoal de quem fala.
    E, como em toda conversa agradável entre amigos, o tom deve ser leve, ponderado, mas ao mesmo tempo sincero e objetivo - afinal, bons amigos sabem dizer coisas difíceis, mas necessárias, um para o outro, do jeito certo.
    Todo o texto da NOVA ESCOLA deve ser produzido conforme a norma padrão e o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e alcançar uma forma simples, coloquial, objetiva e agradável.

    Simples: nosso conteúdo precisa ser compreensível e didático para todos os educadores. Tenha, ainda, especial cuidado com a estrutura geral do texto, garantindo o encadeamento lógico entre os parágrafos. Tratar de um assunto por parágrafo, ou dividir os assuntos de um texto em blocos marcados por subtítulos ajuda a deixar o texto mais compreensível.
    Nunca parta do pressuposto de que o leitor já conhece certos conceitos ou termos técnicos. Evite o uso de jargões e, sempre que houver a necessidade de utilizar expressões incomuns, explique-as no texto.
    Coloquial: a aproximação da linguagem do texto ao uso cotidiano da língua ajuda a criar o efeito de proximidade que deve ser característico nas produções da NOVA ESCOLA. Prefira frases curtas e em ordem direta, que facilitam o entendimento e aproximam o texto de uma fala. Evitamos usar palavras rebuscadas e podemos nos referir ao professor e ao gestor como “você”, por que é para eles que escrevemos. Vale ressaltar, porém, que a busca da coloquialidade não se sobrepõe à correção gramatical, que toma por referência a norma padrão e o Novo Acordo Ortográfico.
    Objetiva: educadores trabalham muito e têm pouco tempo. Por isso, o texto não deve ser excessivamente extenso, com remissões muito longas ou assuntos abrangentes demais. Pense em qual é a mensagem principal ou quais questões você deseja resolver e mantenha o foco.

    Agradável: lançar perguntas para “puxar o assunto”, começar uma matéria a partir de um caso real, acrescentar pitadas de bom humor são algumas estratégias que podem ser usadas para deixar o texto mais leve.


    Outros documentos para consulta: Manual de redação.


    Desdobramentos no jornalismo
    Práticas validadas e coerentes: Nossos conteúdos são validados por especialistas. Sempre que publicamos uma nova prática (um passo a passo ou um relato da prática de um professor, por exemplo), ela precisa ser antes validada por alguém da nossa equipe pedagógica ou um consultor da nossa lista de fontes.
    Cobertura de temas quentes da área de Educação e políticas públicas: No passado, a NOVA ESCOLA cobria temas quentes ligados à Educação, tentando ser a primeira a registrar as novidades. Não fazemos mais isso, mas continuamos tendo um olhar cuidadoso para as políticas públicas e a maneira como elas impactam o trabalho do professor. Para orientar nosso trabalho nessa área, estabelecemos alguns combinados. Nossos conteúdos:

    • Possuem o objetivo de informar o professor e colaborar com a compreensão dele sobre a discussão de políticas públicas estruturantes (como Reforma do Ensino Médio, por exemplo) e não de noticiar o desenvolvimento de políticas públicas.
      Devem ter foco na prática dos professores e gestores e, portanto, fazer a ponte entre a política e boas práticas para a escola ou o educador.
      Evitam entrar em brigas teóricas, discussões técnicas e usar termos técnicos (ex. jurídicos) ou não disseminados entre o grande público (ex. literacia).
      Cobertura de atualidades: Nosso olhar para esses temas é do ponto de vista dos educadores. Devemos, portanto, sempre refletir se o assunto é relevante para o momento deles. Em caso positivo, devemos garantir que os conteúdos tenham foco na prática dos educadores, respondendo à pergunta: Como o professor pode trabalhar o tema de maneira significativa em sala de aula?


    Design
    O design sempre será guiado por nossas premissas de qualidade. Coerente em suas construções visuais, preza pela acessibilidade, diversidade cultural, étnica, biológica e social, contemplando todas as regiões brasileiras. Deve-se priorizar a comunicação de forma direta e simples, potencializando visualmente o conteúdo relacionado. Elaboração estética é consequência, e não objetivo. Está em nossas práticas essenciais a reavaliação constante das nossas entregas, de forma crítica, colaborativa e construtiva, com foco na evolução pautada sempre nas premissas pedagógicas e demais diretrizes norteadoras.

    Produção gráfica e audiovisual
    O design da NOVA ESCOLA não se aplica com intenção decorativa, se firma com propósito e dentro de uma mensagem. Assim, o design deve reforçar, exemplificar, complementar e/ou identificar os conteúdos da Associação, trabalhando sempre em conjunto com as demais áreas envolvidas, com foco na busca de harmonia (conteúdo e design), que torne a mensagem mais efetiva.

    • Direção criativa, identidade, pauta, briefing, coordenação, pesquisa e contratação de fornecedores, produção e entrega.

    Ilustrações
    A NOVA ESCOLA é um espaço aberto à experimentação gráfica e à variedade de estilos e vozes, contudo, toda tradução gráfica deve ser alinhada e validada tecnicamente para respeitar diretrizes básicas de acessibilidade e das premissas pedagógicas. O ideal criativo é compilar, condensar, informar, transmitir, estimular e motivar.
    Fotografia
    As fotos devem retratar a realidade cotidiana, preservando seu contexto com humanidade e leveza. Respeitamos os retratados e a diversidade étnica, racial e cultural da sociedade brasileira. Nossos protagonistas são pessoas comuns, ao passo que a Educação e a escola devem ser vistas como ambientes plurais, de acolhimento e de aprendizagem mútua. Os registros devem apresentar de forma simples e objetiva os temas das pautas abordadas. Reservamos espaço também para registros poéticos e subjetivos, desde que mantida a conexão com o tema, o conforto dos retratados e a espontaneidade das cenas. A prática fotográfica deve ser entendida como um olhar compartilhado pela/o fotógrafa/o e pela NOVA ESCOLA, trabalhando no registro e captura de instantes de realidade.

    Outros documentos para consulta: Design System da ANE.

  • Nossa visão sobre grandes temas da educação

  • Alfabetização

A alfabetização é o processo de ensino e aprendizagem do sistema de escrita que acontece nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental e se desenvolve ao longo de toda a vida escolar. Neste período, definido pela BNCC como o ciclo de alfabetização, a escola deve promover de modo mais sistemático a aquisição de habilidades de leitura e escrita.

Esse processo não se restringe às habilidades de codificar (escrever) e decodificar (ler) textos escritos, mas de uma autêntica imersão da criança na cultura letrada, dentro da qual ela possa exercer, com cada vez maior autonomia, às diferentes habilidades de comunicação e expressão em situações comunicativas diversas. Isso inclui, também, as práticas de oralidade, que se relaciona com a forma escrita da língua.

No entanto, não tratamos a escrita como mera transposição da fala para o papel. A língua falada e a língua escrita possuem correspondência, mas com características e dinâmicas próprias. Por isso, estamos alinhados à proposta da BNCC, que organiza as habilidades em campos de atuação e práticas de linguagem, de modo que a leitura, a escrita e a fala se desenvolvam no contexto dos usos nas diversas situações da vida.

Para nós, o ensino da língua materna se sustenta em dois pilares indissociáveis: alfabetização e letramento. No primeiro, o aluno reflete sobre o próprio sistema de escrita, desenvolve a consciência fonológica, aprende a ortografia, debruça-se sobre as unidades menores da língua (a letra, a sílaba, a palavra), entre outros aspectos. No segundo, ela se insere no universo da cultura letrada, lendo e produzindo textos reais de diferentes gêneros. É fundamental que ele conheça desde os gêneros textuais mais simples do cotidiano, como o bilhete, a lista de compras, as cantigas e textos de memória, até os gêneros mais complexos, como a carta, o poema, os contos e as fábulas, as notícias de jornal.

Em nossos conteúdos, consideramos sempre que a escola precisa garantir, de forma equilibrada, esses dois pilares, para que as crianças constituam as bases do seu desenvolvimento como leitores críticos e cidadãos capazes de participar ativamente da vida social por meio do domínio da língua falada e escrita.

  • Avaliação 

A Nova Escola defende um processo de avaliação diversificado e processual, que indica o uso de diversos instrumentos para coletar evidências sobre o que os alunos estão ou não estão aprendendo. Essas informações devem ser usadas de maneira construtiva e reflexiva para acompanhar a evolução dos alunos e para que o professor reflita sobre as suas próprias ações e planeje os próximos passos.

Para realizar um bom trabalho com avaliação é preciso que os docentes consigam:

  • Entender a avaliação como um processo (e não uma nota ou um instrumento) que serve de apoio à aprendizagem (e não de métrica de aprendizagem).
  • Estabelecer os objetivos de aprendizagem (definir o que os estudantes serão capazes de fazer e o que devem compreender) por etapa.
  • Planejar quais evidências serão consideradas como sinais de que a aprendizagem está ocorrendo de forma efetiva (definir qual conjunto de ações é necessário e suficiente para que se possa afirmar que o estudante aprendeu e compreendeu o que era esperado, não de forma mecânica, mas de forma conectada e relacional).
  • Definir os instrumentos formais que serão utilizados para coletar essas evidências.

“A avaliação efetiva se parece mais com um álbum de memórias com lembranças e fotografias do que com uma única fotografia instantânea. Em vez de usar apenas um teste, de um único tipo, ao final do ensino, os professores avaliadores eficazes reúnem inúmeras evidências ao longo do caminho usando uma variedade de métodos e formatos. Assim, ao planejarem a coleta de evidências da compreensão, consideram uma gama de métodos de avaliação.” (Trecho do capítulo 7 de WIGGINS, G. J. ; MCTIGHE, J. Planejamento para a compreensão: alinhando currículo, avaliação e ensino por meio da prática do planejamento reverso. 2. ed. Porto Alegre: Penso, 2019.)

  • Avaliações externas

Entendemos que esforços de avaliação externa são importantes para que todos tenham visibilidade dos resultados educacionais, mas consideramos que os dados devem ser utilizados com cuidado. Essas avaliações geram diagnósticos incompletos e, para ter um retrato mais preciso, elas devem ser complementadas por avaliações internas e análises das condições gerais das escolas. Fazer rankings de escolas, como os que costumam ser realizados quando saem as notas do Ideb ou do Enem não é uma prática que agrega, porque gera competição e pouca reflexão. É importante, sim, olhar para as práticas das escolas exitosas e problematizar quais delas podem ser aplicadas em outras instituições para colaborar com a melhoria do aprendizado. Também é essencial combater ações antiéticas realizadas por instituições que visam burlar o resultado das avaliações, como treinar os alunos ou selecionar apenas os melhores estudantes para fazer a prova.

  • Datas comemorativas

Somos cuidadosos com as datas comemorativas para que elas não virem o único momento no calendário escolar para tratar de temas importantes. Acreditamos que temas como a valorização do meio ambiente, da cultura indígena e dos povos afro-brasileiros, por exemplo, não devem ser abordados só no Dia do Meio Ambiente, no Dia do Índio ou no Dia da Consciência Negra. Eles devem estar presentes no currículo escolar e permear toda a prática docente. No entanto, usamos essas datas para dar visibilidade aos temas e apresentar propostas que possam ser realizadas o ano todo. Olhamos, também, para a diversidade dentro dessas datas e não valorizamos comemorações como as do Dia das Mães ou Dia dos Pais, uma vez que nem todas as crianças possuem uma família com mãe e pai. Da mesma maneira, não registramos datas comemorativas que são exclusivas de uma religião, como o Natal e a Páscoa.

  • Educação Infantil

Entendemos a Educação Infantil como um período fundamental para o desenvolvimento da criança por toda a vida. Reconhecemos que aprender é um direito garantido, que a BNCC desdobra e define em seis direitos de aprendizagem - Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar e Conhecer-se -, alicerces da proposta do documento.

A Educação Infantil é o lugar e o momento de brincar, correr, pular, comer, andar, dormir, alegrar-se e ficar triste. É o lugar de desenhar, interagir, conhecer a natureza e o mundo social, arriscar as primeiras leituras e escritas e se apropriar dos instrumentos culturais da nossa sociedade.

Este desenvolvimento não ocorre em atividades específicas, mas perpassa toda experiência da criança em cada momento da rotina. Assim sendo, o foco do planejamento do professor deve ser a experiência integral, da chegada ao portão à soneca, dos momentos de leitura à hora da refeição, das brincadeiras às pinturas com guache.

Acreditamos que a criança deve ser vista como protagonista, capaz de expressar seus desejos e fazer escolhas.  Nesse processo, o professor é co-protagonista com atuação fundamental na criação de condições para que as crianças possam exercer seus direitos consolidados pela BNCC.

  • Formação continuada de professores

Chamamos de formação continuada todas as iniciativas formativas que acontecem após a graduação do professor e que colaboram para que ele consiga lidar com os desafios do trabalho. Então, consideramos desde cursos formais (independentemente da carga horária e do nível acadêmico) até estratégias que ocorrem dentro da escola, como os horários de trabalho coletivo, a observação de sala e eventuais trocas entre pares como parte das estratégias formativas. 

  • Gestão democrática

A escola deve ser um espelho da sociedade que se quer construir, por isso, ela precisa respeitar cada um, ser um espaço de participação e escuta, além de preparar para o exercício da cidadania. Sendo assim, a gestão democrática é um processo que deve ser liderado por uma equipe gestora - idealmente um trio composto por diretor, vice-diretor e coordenador pedagógico - que valoriza o protagonismo de crianças e jovens e entende que a escola é construída por e para toda a comunidade escolar - professores, funcionários, alunos e famílias - por meio de decisões compartilhadas e comunicação transparente. Para isso, é fundamental que se crie e fortaleça fóruns de discussão coletiva, como o conselho escolar, o conselho de classe, as assembleias, as avaliações institucionais e participativas, os grêmios estudantis e a associação de pais e mestres. Outro passo importante é garantir um processo de eleição para a equipe gestora, em substituição, sobretudo, às indicações políticas que ainda ocorrem, é um passo significativo. Mas lembre-se que gestão democrática não é apenas uma forma de organização administrativa mas também parte de um projeto político-pedagógico que garanta uma Educação de qualidade.

Para saber mais

  • Inclusão de alunos com deficiência

Acreditamos na inclusão de todas as crianças e todos os adolescentes na escola regular e entendemos que, com isso, todos ganham, pois aprendemos a respeitar e a conviver também na diferença. Reconhecemos que a inclusão de pessoas com deficiência na escola requer um esforço coletivo e multissetorial, que envolve a família, profissionais de saúde, educadores de atendimento especializado, gestores, professores e o próprio aluno no sentido de identificar barreiras e maneiras de superá-las para garantir que o estudante tenha uma convivência plena e oportunidades de aprendizado adequadas a suas necessidades.

  • Indisciplina

É muito importante diferenciar conflito e indisciplina. O conflito faz parte da vida em comunidade e é a partir dele que se constroem e se reavaliam regras. A indisciplina, por sua vez, é a transgressão a essas regras. E saber lidar com elas precisa ser aprendido. Por isso, esperar que as crianças, de modo espontâneo, saibam se portar perante os colegas e os educadores é um engano. Da mesma forma, é um equívoco pensar que a família é 100% responsável por isso. E não se trata se destituir dos pais essa responsabilidade, mas de entender que a escola é um espaço propício para a vivência das relações interpessoais. Cabe à escola, em especial ao professor, apoie o desenvolvimento da autonomia dos estudantes, ou seja, de relações baseadas na cooperação e no entendimento do que é moralmente aceito (xingar e bater, por exemplo não são) e do que é convencionado a partir de negociações com aquele grupo (não usar celular na sala de aula). Por isso, combater a indisciplina não passa por rigidez, inflexibilidade e autoritarismo, mas sim por proporcionar autorreflexão, criar um ambiente de cooperação, garantir o engajamento dos alunos e ter um papel de autoridade perante a classe. Não é fácil levar isso para a prática, mas se repreensões, como expulsar os alunos da classe, funcionassem, a indisciplina não seria o um dos principais aspectos de reclamação dos professores.

Para saber mais

  • Metodologias ativas

Usamos o termo "metodologias ativas" com uma ideia ampla, que indica a promoção de uma postura ativa dos estudantes e não como uma lista de estratégias pré-definidas. Embora esteja em voga nos últimos tempos, esta não é uma concepção nova. No livro "Metodologias ativas para uma educação inovadora", de José Moran e Lilian Bacich, Moran registra que “Dewey (1950), Freire (1996), Ausubel et al. (1980), Rogers (1973), Piaget (2006), Vygotsky (1998) e Bruner (1976), entre tantos outros e de forma diferente, têm mostrado como cada pessoa (criança ou adulto) aprende de forma ativa, a partir do contexto em que se encontra, do que lhe é significativo, relevante e próximo ao nível de competências que possui.” (p. 28) O autor também descreve que as metodologias ativas são “estratégias de ensino centradas na participação efetiva dos estudantes na construção do processo de aprendizagem, de forma flexível, interligada e híbrida”. A aplicação dessa perspectiva na sala de aula envolve um planejamento cuidadoso do professor, uma compreensão de que ele não é apenas quem ensina, mas quem promove a aprendizagem e uma mudança na dinâmica tradicional da aula. Em vez de o professor chegar com todas as respostas, ele envolve os alunos com desafios e propostas que os engajam em investigações e na busca de soluções. O docente, então, media, acompanha, orienta e instiga o trabalho da turma e garante que todos percebam e registrem o que está sendo aprendido ali. 

  • Objetivos de aprendizagem

Afinal, por que falamos tanto sobre objetivos de aprendizagem? Vamos levar em conta dois aspectos, um prático e outro conceitual. O prático é que desde a homologação da BNCC um novo entendimento sobre o processo de ensino e aprendizagem passou a valer. No lugar de saber sobre um conteúdo, é preciso que o aluno consiga fazer algo em relação a esse objeto de conhecimento. A essa expectativa do que queremos que o aluno saiba fazer em cada ano ou ciclo da Educação Básica, damos o nome de habilidade (sobre isso, leia mais na premissa sobre alinhamento à BNCC). Mas, por sua complexidade, não é possível que uma habilidade seja desenvolvida em apenas uma aula, por isso a destrinchamos em objetivos de aprendizagem. Ou seja, a grosso modo podemos dizer que uma habilidade é um objetivo de aprendizagem amplo que precisa ser dividido em objetivos mais específicos. Já o aspecto conceitual é que quando definimos o que queremos que o aluno tenha desenvolvido ao final da aula é mais fácil definirmos como queremos que ele alcance essa expectativa (as experiências de aprendizagem a serem propostas) e, assim, como vamos medir se ele chegou onde planejamos (a coleta de evidências). Ou seja, o planejamento além de mais fácil de ser elaborado, passa a ter como foco o estudante e não no professor: “a aula de hoje é sobre fração” ou “na aula de hoje eu vou explicar sobre frações” é substituído para “ao final da aula de hoje a expectativa é que vocês tenham aprendido a representar frações menores que a unidade como parte de um todo”
Por isso, é importante que o objetivo de aprendizagem seja uma sentença que comece com um verbo no infinitivo que revele a ação que os alunos devem saber fazer sobre o objeto de conhecimento. Esta ação, por sua vez, deve ser observável (Listar ou comparar em vez de conhecer ou compreender, estes últimos muito mais difíceis de serem evidenciados). Além disso, a sentença deve contemplar o próprio objeto de conhecimento (um conceito, um procedimento ou um processo) e um um modificador, indicando um recorte ou um contexto em que o objeto de conhecimento será empregado. Um exemplo: Representar (verbo) frações (objeto de conhecimento) menores que a unidade como parte de um todo (modificador).

Para saber mais

  • Papel dos gestores (diretor e coordenador pedagógico)

O diretor e o coordenador pedagógico são a dupla que lidera a escola. Ao diretor cabem as funções administrativas e financeiras, a gestão de toda a equipe e do espaço, a ponte com a Secretaria de Educação e com a comunidade. Ele deve garantir que a escola esteja alinhada e focada, com condições para assegurar uma aprendizagem de qualidade para todos os estudantes. Já o coordenador olha para as questões pedagógicas, especialmente a orientação e a formação dos professores. Em instituições que não possuem coordenador, as funções dele são assumidas pelo diretor ou por algum formador da Secretaria de Educação. Algumas escolas, especialmente as que têm grande quantidade de alunos, também possuem um vice-diretor, que divide funções com o diretor, ou um orientador educacional, que cuida do atendimento às famílias e de questões de desenvolvimento pessoal e emocional dos alunos. Quando não há um orientador, essas atribuições costumam ser assumidas pelo coordenador pedagógico.

  • Religião

Conforme está registrado na Constituição Brasileira, o Brasil é um país laico. Dessa maneira, as escolas públicas também têm o compromisso de respeitar todas as religiões e não priorizar uma delas em seu ambiente. Entendemos que o espaço escolar não deve ter símbolos religiosos ou impor práticas como orações. Também não deve comemorar datas religiosas. Quando algum texto ou material ligado a uma crença específica é contemplado na sala de aula, isso deve ser feito em uma perspectiva cultural, como um exemplo da expressão de um povo, e sempre com um olhar para a pluralidade, comparando com materiais de outros credos. Dessa maneira, entendemos que todas as religiões, bem como o ateísmo e o agnosticismo, devem ser respeitados e reconhecidos, mas nunca impostos.

  • Tecnologia

Nosso entendimento é de que a tecnologia, por si só, não aprimora o aprendizado. Uma atividade não pode ser planejada tendo como objetivo apenas o uso de um determinado recurso. Pelo contrário, o recurso deve ser inserido no planejamento apenas se ele for útil para alcançar os objetivos de aprendizagem. Dentro desse item, também é importante contemplar o respeito à realidade da escola pública e entender se o que está sendo sugerido é aplicável em locais com baixa conectividade e sem possibilidade de pagar pelas ferramentas. Idealmente, devemos sempre apresentar alternativas não digitais que possam ser usadas por professores que atuam nesta realidade. Vale, ainda, considerar que as escolas têm um papel importante na inclusão digital das crianças e dos adolescentes e que as tecnologias podem colaborar para a ampliação do tempo que os estudantes dedicam aos estudos.

Referências do nosso acervo

O ponto de partida para entender o que a NOVA ESCOLA pensa sobre os grandes temas da Educação é o próprio acervo, disponível no nosso site. Confira alguns conteúdos que registram reflexões sobre alguns dos principais temas que guiam nosso trabalho.

Para entender o construtivismo - por muito tempo, a NOVA ESCOLA trabalhou em cima da concepção construtivista. Atualmente, nos abrimos bastante para outras linhas pedagógicas, entretanto, o construtivismo continua sendo uma fonte de inspiração e você vai ouvir falar bastante dele aqui dentro. Vale entender um pouco dos seus conceitos.

Para entender para onde vai a alfabetização no Brasil - foi a última capa que demos sobre Alfabetização e perpassa algumas discussões atuais que o Brasil vem tendo sobre o tema. 

Para entender a inclusão - inclusão é sempre um tema delicado e desafiador. Como há pouca formação sobre o tema, ele surge como uma grande necessidade dos professores e gera muitas dúvidas. 

Para entender a construção da política da BNCC - esta reportagem foi feita antes da aprovação do documento, mas retoma todo o histórico de sua construção.

Para tirar dúvidas pontuais sobre a BNCC - para eventuais e futuras consultas, temos essas perguntas e respostas sobre a BNCC que pode ajudar bastante a resolver alguma dúvida mais específica sobre o tema. Se houver necessidade de se aprofundar no tema para alguma apuração, recomendo nossos Guias da Base, que falam especificamente de cada uma das disciplinas.

Para ter um panorama da formação inicial docente no Brasil - a reportagem fala sobre o perfil dos professores que estão se formando.

Para entender o papel dos gestores escolares - textos do site Gestão Escolar resumem os papéis do coordenador pedagógico e como se dá a divisão entre diretor, coordenador e supervisor.

Para entender nosso projeto de Planos de Aula - essa notícia traz um pouco do panorama do projeto. Leia, também, o Guia para Edtechs - Recursos Educacionais Digitais e a BNCC, especialmente a página 59, que resume o case do projeto Planos de Aula e explica a relação entre professores-autores, mentores, especialistas e assessores.

Para entender as características e premissas que levamos para os planos de aula de cada componente curricular - Educação Infantil, Matemática, Ciências, História e Geografia, Inglês e Língua Portuguesa

Para entender nossa abordagem sobre metodologias ativas - Faça o curso com Lilian Bacich (funcionários de Nova Escola têm acesso gratuito a nossos cursos).

Para conhecer os pensadores que nos inspiram - Leia aqui sobre Paulo Freire, Vygotsky, Antonio Nóvoa e outras referências.

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