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Jornalismo

Jogos na Educação Infantil: propostas e sugestões para o seu planejamento

Confira dicas e planos de atividades para levar diferentes práticas lúdicas aos pequenos, rendendo experiências de diversão e aprendizagem

PorPaula Sestari

11/10/2022

Foto: Getty Images

Olá, professoras e professores! Volta e meia, em nossas capacitações, somos motivados a resgatar memórias de aspectos lúdicos significativos na nossa infância. Tudo para nos sensibilizarmos sobre a importância de trazer experiências como essas para o cotidiano das crianças. 

Esse exemplo de abordagem tão recorrente nas formações pode ser entendido como uma forma de impulsionar uma das principais qualidades da nossa ação docente, que é ser um professor brincante. Afinal, o espaço da Educação Infantil é um ambiente privilegiado para o lúdico, e hoje quero falar sobre um dos seus elementos principais: os jogos. 

Para isso, parto da premissa de que é fundamental compreender os momentos de jogo como algo que possui uma finalidade por si só – ou seja, ele não está necessariamente vinculado a conteúdos e conceitos, já que o seu valor se encontra em seu próprio arranjo.

Os jogos e suas diferenças com as brincadeiras

O jogo como atividade humana tem seus primeiros registros nos primórdios da civilização, com um papel crucial para a nossa existência enquanto seres sociais. O bebê já é capaz de jogar em seus primeiros contatos com o mundo, como quando imita o gesto do adulto ou quando se esconde e se revela por trás de um tecido. À medida que cresce, o ato de jogar vai se tornando mais complexo, favorecendo o desenvolvimento do imaginário, do simbólico e do real.

Basicamente, os jogos podem se caracterizar por serem uma espécie de competição, que em algum momento vai exigir que lidem com a frustração da derrota. Temos ainda os de cooperação, que pedem estratégia e trabalho em grupo – geralmente damos preferência a estes por estarem mais vinculados ao eixo das interações.

Por sua vez, as brincadeiras, de maneira geral, são entendidas como uma linguagem e se qualificam como uma ação que não contempla requisitos prévios – diferentemente dos jogos, que possuem elementos definidos, como jogadores, objetivos, início e finalização, além da condução por regras. Desse modo, a atividade consciente dos pequenos durante os jogos deve estar pautada por todos esses pontos, que podem ser discutidos e reformulados conforme o envolvimento e a partir de novas referências e mesmo do repertório, que se amplia a cada vivência.

Três propostas envolvendo jogos

As contribuições que trago aqui foram retiradas da seção de planos de atividades da NOVA ESCOLA, e todas têm foco na potencialização do ato de jogar na Educação Infantil, com sugestões de materiais e referências. Mas não se esqueça que o papel fundamental dessas propostas ainda se encontra na ação da criança para estabelecer novas relações com seus pares.

- Jogos de aproximação cultural: esse resgate das memórias de infância com as famílias é também uma prática interessante para envolver a comunidade escolar e oportunizar essa partilha de saberes. Além dessa sequência de atividades, vale convidar pais e avós para compartilhar suas recordações e, assim, trazer elementos da cultura do passado para os pequenos.

- Jogo com elementos da natureza: essa proposta supera a necessidade de utilização de materiais comerciais. Por exemplo, é possível construir um jogo da velha com gravetos e pedras; o jogo das cinco marias, também com pedras, ou ainda uma amarelinha desenhada no chão terroso. Enquanto jogam, as crianças têm contato com os elementos naturais e exploram a criatividade no processo de elaboração.

- Jogo com materiais de largo alcance: aqui, falamos de caixotes de madeira ou plástico, tábuas, pneus, tijolos, canos de PVC, caixas de papelão grandes, tocos de madeira, bobinas grandes, pedaços de conduíte, cordas e tecidos (como toalhas de mesa e lençóis velhos) – tudo visando proporcionar movimentos amplos. E a ideia é novamente incentivar a engenhosidade dos pequenos, como utilizar caixas para um “coelhinho sai da toca”, tecidos para um cabo de guerra ou fazer uma partida de “volençol”.

Como incorporá-los no seu planejamento?

Trazendo o aspecto da intencionalidade do professor e o papel educativo da escola, é no planejamento e na abordagem sistêmica que as aprendizagens têm potencialidade para acontecer por meio de práticas que envolvem jogos. Um exemplo disso aparece na coluna em que abordei a resolução de problemas, que tinha neles um dos principais recursos.

Assim, ao se planejar, é interessante trazer o mesmo jogo pelo menos uma vez por semana ao longo de um mês – a aprendizagem está na repetição desses momentos para que as crianças tenham condições de fazer trocas umas com as outras e modificações na partida, além de criar estratégias.

Nos registros que o educador faz, é essencial evidenciar como as crianças se organizaram, quais referências utilizaram para a construção de regras, como reagiram às frustrações e resolveram conflitos e quais adaptações fizeram para que os materiais atendessem ao propósito do jogo. É importante ainda a ação do professor como mediador, fazendo perguntas que mobilizem os participantes e lembrando dos combinados – sempre com cuidado para não fazer interferências que alterem seu curso ou que favoreçam algum lado, já que o senso de justiça e o respeito às regras estão entre os focos dessas iniciativas.

De volta ao início da coluna, em relação às lembranças da minha própria infância, um dos jogos que me marcou foi o de bets, com tacos de madeira e uma lata de azeite como base, e já tive a feliz oportunidade de ensiná-lo para uma turma de crianças pequenas. E você, qual jogo está entre as suas recordações e que poderia ser compartilhado? Brinque junto e se divirta – e todo o grupo aprenderá muito e terá boas histórias para contar futuramente!

Um abraço e até breve,

 

Paula Sestari é professora da Educação Infantil da rede municipal de ensino de Joinville (SC), com dez anos de experiência nessa etapa, e mestre em Ensino de Ciências, Matemática e Tecnologias. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, e foi eleita Educadora do Ano com um projeto com crianças pequenas na área de Educação Ambiental.

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