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Jornalismo

Gamificação: sugestão para utilizar essa metodologia ativa na alfabetização

Em formato de trilha de desafios, confira exemplo de proposta que trabalha questões do corpo humano, o respeito à diversidade e aspectos de leitura, escrita e oralidade

PorMara Mansani

22/08/2022

Foto: Getty Images

Que tal utilizar metodologias ativas para inovar em suas aulas e promover a aprendizagem dos alunos na alfabetização? Essa é uma prática recorrente em minha sala. Já compartilhei aqui uma experiência com rotação por estações e de sala de aula invertida. Hoje trouxe uma proposta de gamificaçãosaiba mais sobre a estratégia aqui.

O método utiliza elementos que fazem parte do universo dos jogos e o traz para o contexto da sala de aula, com uma intencionalidade pedagógica por trás. Por exemplo, com base em uma pesquisa sobre determinado tema, as crianças podem ser provocadas a responder desafios e ir passando de etapa até chegar ao final daquele percurso. Essa proposta permitiria a construção conjunta dos conhecimentos, a reflexão dos estudantes, o estudo, a interação, as trocas de saberes e o confronto de hipóteses.

Entre as características da gamificação, e que também estão presentes em outras metodologias ativas, podemos citar o protagonismo do aluno e o papel do professor enquanto mediador, provocador de reflexões e propositor de boas situações de aprendizagem de forma dinâmica e interativa.

Sugestão prática: jogo do corpo humano

A prática que proponho tem o formato físico de um jogo de trilha, o qual estimula a participação e o engajamento das crianças. Com ela, será possível explorar habilidades de Ciências e Língua Portuguesa com turmas do 1º ano do Ensino Fundamental, pois serão mobilizados aspectos de leitura, escrita e oralidade ao explorar a temática corpo humano, higiene, saúde e respeito à diversidade. Também é possível adaptá-la com base nas necessidades de aprendizagem dos estudantes para abordar outros temas e componentes para turmas de diferentes anos.

O percurso é formado por cinco fases ou etapas. Em cada uma delas, as crianças respondem a desafios e realizam as atividades propostas. Para cada uma das tarefas realizadas, pode-se combinar determinada pontuação. Um ponto importante é levar em consideração a construção coletiva – afinal, o que importa é a reflexão sobre o objeto de estudo e a consolidação da aprendizagem, e não definir uma resposta certa ou errada. Também chamo a atenção para o tempo que cada grupo leva para realizar as ações para garantir que o jogo se mantenha dinâmico.

Para jogar, a trilha é desenhada no chão, de forma a garantir espaço para todos, em um formato de “estradinhas”, com a sinalização de cada etapa (como é possível ver no desenho abaixo). Se for possível, sugiro utilizar um espaço maior ou uma área externa da escola. Os materiais necessários para o desenvolvimento devem ser organizados com antecedência. Também divida previamente as crianças em agrupamentos formados por estudantes em níveis de aprendizagem próximos – para garantir uma certa igualdade na “competição” – e também levando em consideração as necessidades e a realidade de sua turma.

Para cada uma das etapas, você pode pensar em desafios diferentes, com base no diagnóstico das necessidades de sua turma. No botão abaixo, é possível baixar um exemplo de proposta para uma das fases dentro da temática corpo humano mencionada anteriormente. Este é apenas um exemplo para ser adaptado ou servir de inspiração para planejar sua trilha.

Baixe um exemplo de gamificação na alfabetização

A competição, a contagem de pontos e as regras fazem parte do jogo. É importante, no entanto, conversar com a turma e fazer combinados de forma a evitar conflitos desnecessários que possam marcar negativamente a proposta. Lembre-os de que devem respeitar os resultados e que haverão outros jogos. Nesse jogo, mesmo que um grupo tenha marcado mais pontos, todos ganharam, pois todos conquistaram e ultrapassaram desafios!

Aprender jogando é mais divertido, dinâmico e interativo e pode, se a proposta for bem conduzida e planejada, render muita aprendizagem. A gamificação pode contribuir muito com a nossa prática e é mais um recurso para as nossas aulas.

Espero que a proposta sirva de inspiração para adaptar a sua trilha ou até mesmo criar outras atividades que explorem essa metodologia ativa.

Um grande abraço a todos e até a próxima!

Mara Mansani

Mara Mansani é professora há 34 anos. Lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF no livro Muda o mundo, Raimundo. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.