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Jornalismo

A importância do lúdico nas aulas de Matemática mesmo nos Anos Finais

Os jogos podem ser grandes aliados para revisar ou introduzir novos conteúdos de forma divertida e conectada com a realidade dos estudantes

PorIvonete Dezinho

19/07/2022

Foto: Divulgação

Cara professora e caro professor, vocês utilizam jogos nas suas aulas de Matemática nos Anos Finais do Ensino Fundamental? Começo a nossa conversa com esse questionamento por verificar, aqui na minha escola, que nos Anos Iniciais os jogos são utilizados com frequência pelos professores, mas depois essa prática é pouco empregada. 

Por ser considerada uma atividade lúdica, alguns educadores consideram essa metodologia mais apropriada para crianças. Você concorda com essa afirmação? 

Jogar é divertido e, quando jogamos, voltamos a ser crianças. O tempo voa, o sorriso corre solto, o coração bate acelerado, a mão sua e realidade, fantasia e imaginação se misturam. Estratégias de raciocínio para driblar o adversário e vencer são planejadas a todo momento. Aprendemos a lidar com as emoções e com as regras e percebemos que ser ético é essencial. Isso é muito bom em qualquer idade. Por que não seria para nossos alunos? 

No dicionário, a palavra jogo é definida como “atividade cuja natureza ou finalidade é a diversão, o entretenimento, submetida a regras que estabelecem quem vence e quem perde”. Já a palavra jogar significa “divertir-se, entreter-se”. 

Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, os jogos, além do caráter lúdico, importante também nessa fase, precisam de um planejamento cuidadoso, que leve ao desenvolvimento de aprendizagens matemáticas de forma significativa, conectadas com o desenvolvimento de habilidades e competências operatórias e socioemocionais. 

Jogos para ajudar na recomposição de aprendizagem

Atualmente, a recomposição da aprendizagem é uma realidade. O assunto é debatido em formações continuadas, reuniões pedagógicas e planejamentos. Além disso, metas e ações são discutidas pelas secretarias municipais e estaduais de Educação de todo o país. 

Um dos objetivos da recomposição da aprendizagem é promover desafios para os estudantes, democratizar os saberes e desenvolver competências e habilidades essenciais. Com o ensino remoto, porém, não foi possível o desenvolvimento de várias habilidades, fato que trouxe prejuízos à continuidade dos conteúdos previstos para cada ano. 

No ensino da Matemática, os pré-requisitos são essenciais para aquisição de novas habilidades, e os jogos podem ser grandes aliados, neste momento, para revisar ou introduzir novos conteúdos. 

Oportunidade de tornar as aulas mais interessantes

Nascidos na era digital, nossos alunos, naturalmente, utilizam celulares, tablets, videogames e computadores desde muito pequenos. 

Aproveitando essa familiaridade que os estudantes possuem com a tecnologia, os jogos podem ser uma das ferramentas para tornar o ensino da Matemática mais interessante e próximo da realidade dos alunos. 

A criação de jogos é uma ótima oportunidade para incentivar o protagonismo do aluno. Com tantas inovações tecnológicas e a facilidade que nossos estudantes têm com elas, precisamos dar abertura e espaço para que eles criem seus próprios projetos. 

Isso pode acontecer individualmente ou em grupos, permitindo que inicialmente façam croquis utilizando papel para criação dos jogos e das regras e, posteriormente, lancem os games nas plataformas digitais. 

Uma experiência interessante é buscar parcerias com institutos federais e universidades que tenham cursos ligados às áreas tecnológicas para que os alunos possam, com o auxílio dos profissionais ou estudantes dessas instituições, transformar as criações em jogos digitais. 

Com 66,3 milhões de gamers e uma movimentação de US$ 1,3 bilhão em 2017, o Brasil é o principal mercado de jogos da América Latina e o décimo terceiro no ranking mundial, conforme levantamento realizado pela Newzoo (empresa global de consultoria em jogos, esportes e inteligência móvel) e divulgado pelo site Terra em 5 de março de 2018. 

Com o avanço do setor, novas possibilidades estão surgindo, como a profissionalização na área e a ampla concorrência de empresas brasileiras com as internacionais, levando pequenos e médios desenvolvedores a criarem e lançarem seus jogos. Refletindo sobre esses dados, por que privar nossos estudantes da oportunidade de criação de jogos no ambiente escolar? 

Conheça o jogo da probabilidade

Licenciada em Matemática pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e doutora em Educação: Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Maria Helena Soares de Souza é autora do Jogo da probabilidade

Em sua tese de doutorado, intitulada Jogos pedagógicos em Matemática no Ensino Médio: mais que motivação, metodologia, você encontra todas as informações sobre esse e muitos outros jogos digitais e não digitais, além de dicas de como os alunos podem desenhar, pintar e montar tabelas para jogar de forma simples e rápida.

Neste semestre, utilizei o Jogo da probabilidade para o desenvolvimento da habilidade EF09MA20: reconhecer, em experimentos aleatórios, eventos independentes e dependentes e calcular a probabilidade de sua ocorrência, nos dois casos. Os jogos foram doados à Escola Professor Milton Dias Porto pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), Campus Naviraí. 

Confesso que me surpreendeu como o conteúdo foi assimilado de forma tranquila após algumas rodadas.

Faça essa experiência! Se você não tiver o jogo, construa com seus alunos a tabela seguindo as dicas da autora. A probabilidade de alcançar bons resultados pode ser alta. 

Revendo as práticas pedagógicas

Nunca se fez tão necessária a reflexão sobre a nossa prática pedagógica. O período de aulas remotas mostrou claramente que o ensino da forma como estava sendo desenvolvido precisava de mudanças urgentes com relação às ideias e estratégias. 

Precisamos estar predispostos a aprimorar a prática pedagógica por meio da reflexão sobre a própria ação, com o objetivo de superar suas deficiências e amplificar aspectos positivos e inovadores, tanto no que se refere à interação professor-aluno como na qualidade do processo de aprendizagem. 

Agora é a sua vez! Você acha importante a presença do lúdico nas aulas de Matemática mesmo nos Anos Finais? Compartilhe sua opinião deixando um pequeno relato nos comentários. 

Um abraço e até breve! 

Ivonete Dezinho é professora há 36 anos, lecionou por 25 anos na rede estadual de Educação de Mato Grosso do Sul, nos Anos Inicias do Ensino Fundamental, e há 19 anos trabalha com Matemática na EMEF Professor Milton Porto, em Naviraí (MS). Em 2014, foi uma das vencedoras do Prêmio Educador Inovador com o projeto “A matemática na minha vida”. Em 2018, recebeu o Prêmio Educador Nota 10 e foi vencedora da premiação popular #EsseProjetoé10 com o projeto “De pai para filho: uma abordagem do ensino da matemática nas profissões”. Em dezembro de 2018, recebeu a medalha da Ordem Nacional do Mérito Educativo pelo Ministério da Educação (MEC). Em 2020, foi vencedora do Prêmio Educador Digital com o trabalho “Boas práticas na educação remota com o projeto 'Da ponta do dedo à ponta do lápis': o ensino da Matemática na modalidade remota”.

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