Compartilhe:

Jornalismo

Sugestões de brincadeiras para usar na alfabetização

Professora Mara Mansani compartilha pontos de atenção para planejar esse tipo de atividade e traz três propostas para usar em sala de aula

PorMara Mansani

14/06/2022

Crédito: Getty Images

Por meio do brincar as crianças têm a oportunidade de interagir com os colegas, de desenvolver a criatividade, de se expressar, de simular situações do cotidiano e ressignificar papéis sociais, de regular emoções, de seguir regras, de explorar espaços, de experimentar o mundo, entre tantos outros benefícios. Assim, o brincar é essencial para o desenvolvimento integral das crianças.

Quando as crianças chegam ao 1º ano do Ensino Fundamental, os alfabetizadores são questionados pelos pequenos: “Quando a gente vai brincar? Cadê o parquinho? Pode trazer brinquedo?”. Essa transição se torna tão difícil para eles, pois de um ano para o outro tudo muda.

Um bom começo para mudar essa realidade é incluir em nossa rotina na alfabetização, tempo e espaço para o lúdico, para brincadeiras e jogos em sala de aula ou em outros locais na unidade escolar – e até sugerir atividades para serem realizadas em família.

Pontos de atenção para esse tipo de proposta

Há momentos de brincar por brincar, nos quais as crianças brincam livres em que eu acompanho só na observação e somente se necessário intervenho para ajudá-los a mediar algum conflito. Em outros momentos, proponho brincadeiras dirigidas. Aqui minha atuação é mais participativa e direta e faço mais intervenções.

Também uso brincadeiras e jogos como situações de aprendizagem na alfabetização para explorar as práticas de linguagem. É esse tipo de atividade que compartilho três sugestões para desenvolver especificamente a oralidade, a escrita, a leitura, e a levar os alunos a refletirem sobre a língua

  1. Bingo de palavras

Quinzenalmente proponho para as crianças um bingo de palavras. Escolho sempre palavras de um mesmo campo semântico para a construção do jogo. Começo explorando os nomes da turma, para depois explorar outros temas como brincadeiras, frutas, legumes e etc.

O primeiro desafio é a produção pelas próprias crianças da cartela para o bingo, que é simplesmente uma folha de papel sulfite tamanho A4 dividida em 8 partes. Na horizontal, dobra-se e abre-se a folha, em cada espaço delimitado as crianças precisam escrever o nome de colegas da turma. Peço sempre que escolham nomes de meninas e meninos.

Esse momento é de efervescência na reflexão sobre a língua, pois exige que as crianças busquem materiais escritos de referência na sala de aula, que troquem informações, que confrontem hipóteses de escrita entre seus pares, para que escrevam alfabeticamente em suas cartelas. Vou fazendo as intervenções pedagógicas, fazendo perguntas sobre essas escritas um a um, indicando referências. Esse é apenas o começo.

Durante o bingo continuamos o processo de aprendizagem. Com as cartelas prontas, vou sorteando e lendo os nomes que vão saindo. Mas não falo logo de cara, primeiro dou dicas, por exemplo: “começa com a letra…”; “termina com a letra…”; “Rima com …”

O desafio deles é descobrir o nome com base nas pistas e tentar encontrar outras formas de diferenciá-los, pois muitos começam e terminam com as mesmas letras. Em outros momentos a construção das cartelas se deu a partir do uso e apoio das letras móveis, após consolidar as escritas eles registravam nas cartelas. Dá trabalho, ninguém para no lugar, é muita conversa paralela, mas rendem ótimos resultados.

  1. Brincadeira falada ou cantada

As brincadeiras faladas e cantadas são ótimas estratégias para o desenvolvimento da oralidade. Esse tipo de atividade pode ser realizado em qualquer turma. Algumas sugestões são: telefone sem fio, telefone de lata, falar palavras relacionadas dentro de uma mesmo tema – por exemplo, a professora começa falando leite, o aluno precisa falar uma palavra relacionada e assim por diante, repetir na ordem as palavras faladas – para esta proposta escolha um tema e depois alguém começa falando um nome, o segundo fala o nome falado pelo primeiro e acrescenta mais um nome, e assim continua.  

Essas brincadeiras fazem sucesso entre as crianças e podem ser sugeridas para as famílias, justamente pela facilidade de realizá-las. Além de se divertirem muito, as crianças melhoram a fala, estimula a memória e a escuta, e a capacidade de estabelecer relações dentro do tema explorado.

  1. Construção do brinquedo ou jogo/tutoriais

Seja fazendo o brinquedo, escrevendo ou lendo as regras para brincar, as crianças podem aprender muito em situações que exploram a leitura e a escrita na alfabetização.

Para isso, pode-se propor a escrita coletiva com o professor como escriba, em duplas produtivas ou individualmente – sempre com apoio e intervenções do alfabetizador.

Dá para escrever passo a passo, ensinando outras crianças a fazer o brinquedo, ou escrever e ler as regras de como brincar ou jogar. Em minhas turmas já fizemos jogos de tabuleiro, ioiô e outros brinquedos individuais. Sempre um sucesso de brincar e aprender!

Essas são só algumas de minhas práticas em que o brincar se faz presente.

Como anda a garantia do direito de brincar dos seus alunos? Desenvolve práticas de linguagem em situações de jogos? Conte suas práticas e experiências nos comentários!

Um abraço e até a próxima!

Mara Mansani

Mara Mansani é professora há 34 anos. Lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF no livro Muda o Mundo, Raimundo. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

 

continuar lendo