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Jornalismo

Final de semestre: sugestões para avaliar o seu trabalho e o avanço de seus alunos

É momento de fazer uma retrospectiva do semestre para verificar o que foi possível abordar, o que pode continuar fazendo e o que deixar de fazer

PorSelene Coletti

13/06/2022

Crédito: Getty Images

Estamos quase finalizando o primeiro semestre letivo. Por isso, é hora de refletir o que foi possível fazer e replanejar o percurso para o próximo semestre. É sobre isso nossa conversa de hoje.

Para começar, vale lembrar o conceito de avaliação formativa, no qual avaliar é “um processo de acompanhamento e de reorganização do trabalho, em que o educando é visto como ser ativo e participante e no qual o educador, além de repensar novas estratégias para contribuir com o processo individual de ensino e aprendizagem, pode auxiliá-lo a refletir sobre as próprias dificuldades e conquistas” (Portfólio: pra que te quero?, de Denise Tonello, página 30).

Partindo da concepção de que precisamos colocar o aluno como protagonista neste processo, proponho que nossa conversa siga por duas vertentes: uma voltada para os alunos e a outra para ações do professor.

Ações focadas nos alunos

1. Assembleia de classe: para que possamos ouvir os estudantes, a organização de uma assembleia de classe é de fundamental. Esse momento permitirá que todos coloquem suas ideias, levantem pontos positivos, o que aprenderam, o que conseguiram avançar bem e o que poderia melhorar, apontando sugestões.

Ouça e discuta as ideias trazidas pelas crianças, e registre as conclusões da turma para levar os pontos trazidos para a reunião do conselho de classe – caso essa prática não esteja presente na rotina escolar, pode retomar as anotações durante o próximo semestre como um compromisso.

Quando os alunos participam da reunião do conselho é importante garantir um momento para que, posteriormente, as discussões sejam compartilhadas com o restante da sala.

Outra possibilidade é levantar com os alunos tudo o que foi realizado naquele período para que visualizem as aprendizagens que foram desenvolvidas. Em seguida, propor que levantem o que foi mais prazeroso aprender e o que tiveram maior dificuldade. Isto será um bom indicador do que é necessário ser revisto ou mantido para a próxima etapa.

2. Sondagem: como conversamos no começo deste ano, a sondagem inicial nos dá elementos para traçar o perfil de nossa sala. Agora é hora de retomar os resultados desse diagnóstico inicial e verificar como estão hoje como forma de comparar e identificar os avanços obtidos durante o percurso. Tais resultados irão mostrar a direção a seguir. É importante também dar uma devolutiva para os alunos.

3. Autoavaliação: este instrumento, muitas vezes, fica à margem da rotina. No entanto, ela permite colocar o aluno no centro, que ele reflita sobre o que conseguiu evoluir e o que ainda precisa melhorar.

No início, suas intervenções irão ajudá-los a pensar sobre o que é fundamental. Paulatinamente, você perceberá o quanto a turma ganha autonomia. Trago aqui um modelo para que possa se inspirar e utilizar nesta finalização de semestre.

Com o foco em sua prática docente

4. Habilidades trabalhadas: é importante termos um tempo neste final de semestre para olharmos o currículo e analisarmos quais habilidades foram trabalhadas e quais ainda necessitam de uma maior atenção. A análise dos resultados das avaliações e das sondagens, as falas e a autoavaliação dos alunos nos mostrarão quais habilidades precisam ser focadas.

Vale ressaltar, como já falamos outras vezes, que é preciso pensar na habilidade que queremos alcançar para depois pensar as propostas.

5. Gestão do tempo: analise como está gerindo o tempo em sala e quanto investe em habilidades prioritária, que são essenciais para o desenvolvimento das crianças.

Por isso, vamos analisar a rotina e pensar qual o lugar que estamos dando para ouvir as ideias de nossos alunos; de trazer problematizações; de proporcionar trabalho em grupo, trocas e socializações. É hora de pensarmos como o jogo pode trazer significados para as propostas e unir ainda mais a turma em torno do aprender, do lugar que damos à Matemática na rotina.

6. Registros: não deixe de olhar para os seus registros para verificar os avanços e as necessidades dos alunos. Seja o registro por meio das fotos, videogravações, narrativas de aulas ou pequenas anotações; o principal é garantir que eles contem o percurso da turma.

Com tudo isso em mãos, temos um campo fértil para muitas reflexões. Liste o que precisa mudar e o que gostaria de manter. Evidente que no momento da reunião do conselho de classe com as trocas com os outros colegas vamos nos nutrindo para buscar caminhos para recompor as aprendizagens e encontrar soluções para os novos desafios que virão.

E você, o que está pensando para a finalização do semestre que está batendo à nossa porta?

Até a próxima!

Selene

Selene Coletti é professora há 40 anos na rede pública. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita,  com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

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