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Jornalismo

Educador Nota 10: conheça quatro dos projetos vencedores

Propostas mostram que experiências do ensino remoto podem ajudar a recompor aprendizagens e manter o legado de acolhimento na retomada do ensino presencial

PorBianca Bibiano

06/06/2022

A educadora Daniela Cardoso da Silva desenvolveu um projeto com ações de acolhimento e de valorização da cidadania e das experiências de vida dos estudantes e do incentivo à expressão oral e escrita e à leitura de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Foto: Divulgação/Trupe

Quatro escolas, quatro cenários completamente distintos. Em comum, a vontade de garantir o avanço na Educação de crianças, jovens e adultos mesmo com os desafios apresentados no longo período de aulas remotas e híbridas. Esse é o ponto que une quatro de um total de dez projetos vencedores da 24ª edição do Prêmio Educador Nota 10. Divulgados em fevereiro de 2022, esses projetos contemplam ações desenvolvidas durante a pandemia, entre 2020 e 2021. 

Para os educadores Daniela Cardoso da Silva, Janete Emília Dourado Santos, Jaqueline Rodrigues dos Santos e João Paulo Pereira de Araújo, mesmo com todos os impactos e defasagens do biênio pandêmico, foi possível desenvolver uma série de aprendizados e aproveitar experiências que estão beneficiando suas escolas nessa retomada do ensino presencial. Além de contribuírem para as ações de recomposição de aprendizagens, os projetos também deixaram um legado em relação ao uso da tecnologia, à escuta ativa e, sobretudo, ao acolhimento de alunos e famílias. Saiba mais sobre cada uma dessas quatro iniciativas.

Escola, local de acolhimento
A EMEF Porto Alegre, na capital do Rio Grande do Sul, é uma das poucas escolas no país dedicada às pessoas em situação de rua, tanto jovens quanto adultos. Ali, o espaço de aprendizagem vai além do currículo convencional, com ações de acolhimento e de valorização da cidadania e das experiências de vida dos estudantes e do incentivo à expressão oral e escrita e à leitura. Os estudantes também têm conteúdos relacionados a cuidados com a saúde física e mental.

Exatamente por essa especificidade, o momento da pandemia e o fechamento temporário da escola foram vistos com muito receio pela educadora Daniela Cardoso da Silva. “Com alunos em situação de rua, tivemos pouca chance de trabalhar com recursos digitais. E eles tinham acesso à alimentação na escola, o que foi interrompido na fase inicial. Ficamos muito angustiados.”

Coordenadora pedagógica da instituição no período desafiador de fechamento temporário das escolas, ela intercalou ações de entrega de refeições aos alunos com o planejamento de um projeto que pudesse ser colocado em prática tão logo os estudantes retornassem à instituição, o que aconteceu no primeiro semestre de 2021. Assim, em parceria com os colegas educadores, nasceu o projeto interdisciplinar Manual de Sobrevivência da EPA - Escola de Porto Alegre, que conseguiu a adesão de todos os cerca de cem estudantes da escola. 

O trabalho pedagógico partiu do clipe musical Manual de Sobrevivência, de Bruno Amaral, morador de uma comunidade gaúcha, utilizado inicialmente por uma professora. “Achamos tão impactante o contexto desse trabalho feito por ela que decidimos colocar como um projeto da escola, em todos os componentes, para gerar uma aprendizagem significativa a nesse momento tão difícil da pandemia”, explica Daniela. A ação pedagógica inspirou propostas de leitura e escrita, conversas com o autor, atividades de fotografia e teatro e oficinas de arte. Também possibilitou a produção de textos autobiográficos e de um memorial da vida na rua, motivando registros em vídeo e para um livro elaborado por estudantes e professores. 

Em relação aos componentes curriculares, em Matemática, o tema foi adaptado para o contexto da economia solidária, trabalhando conceitos de adição, subtração, multiplicação e porcentagem. O professor de História abordou a região do centro histórico da capital, onde vive a maior parte dos alunos. Em Língua Portuguesa, foi realizada em todas as turmas a leitura coletiva de um livro que conta a vida de um casal em situação de rua. Já em Ciências, o foco foi a saúde mental, que afeta parte dos alunos, tanto devido à pandemia como pelo uso de drogas. Todas as experiências se tornaram produções coletivas ou individuais.

Para a educadora, o maior legado foi mostrar a escola como um espaço de acolhimento e de possibilidades. Ela conta que, neste ano, houve ampliação do tempo dos alunos na instituição, com mais opções de oficina no contraturno. Em paralelo, foi possível oferecer a eles os primeiros contatos com a tecnologia digital, com de computadores fornecidos pela rede municipal, e também disponibilizar um atendimento semanal de psicanálise feito por voluntários. “Acreditamos que quanto mais tempo eles puderem estar na escola, mais serão atendidos de forma integral, ficando menos expostos à vulnerabilidade”, completa.

A educadora
Nome: Daniela Cardoso da Silva
Escola: EMEF Porto Alegre
Cidade: Porto Alegre (RS)
Categoria: Coordenadora pedagógica – Ensino Fundamental (Educação de Jovens e Adultos)
O projeto: Manual de sobrevivência da EPA - Escola Porto Alegre

Por que o projeto é inovador?
Com o objetivo de manter o foco na redução de danos e no acolhimento dos alunos em situação de rua, a iniciativa mobilizou todos os educadores da escola e conseguiu expandir as possibilidades de trabalho na EJA.

Manutenção dos vínculos
Durante a fase de isolamento social, a maior preocupação da escola foi garantir a manutenção dos vínculos com os alunos. Para isso, foi traçada uma estratégia de entrega de alimentos e atividades no portão da escola, permitindo a identificação da situação de cada um.

Retomada antecipada
Após um período sem poder manter o vínculo presencial e tampouco virtual, a escola abriu as portas ainda no primeiro semestre de 2021, possibilitando aos educadores aplicar o projeto em sua totalidade.

Desenvolvendo o projeto
Em cada aula, os alunos eram apresentados ao tema do projeto sob diferentes perspectivas. Os professores de cada componente usaram o Manual de Sobrevivência como pano de fundo e aprofundaram a identificação dos alunos com os conceitos curriculares, possibilitando uma aprendizagem significativa.

Criação autoral da turma
Ao final do projeto, a escola contabilizou ao menos uma produção autoral de cada aluno. Esse foi um resultado muito positivo, dadas as altas taxas de evasão e de abandono registradas anteriormente.

Continuidade do projeto
Com o sucesso da iniciativa, a escola decidiu ter como tema norteador para 2022 a ancestralidade. Essa temática retoma a história da cidade antes da ocupação europeia e oferece aos alunos a chance de conhecer as origens indígenas e de matriz africana que marcam a região.

O papel do erro no processo de aprendizagem

A professora Janete Santos driblou os desafios da falta de conectividade dos alunos para garantir que avançassem nas aprendizagens matemáticas. Foto: Divulgação/Trupe

No Educandário Anísio de Souza Marques, em Iraquara (BA), na região da Chapada Diamantina, um projeto de prosseguimento dos estudos desenvolvido pela professora Janete Emília Dourado Santos, do 5º ano do Ensino Fundamental, continua a dar frutos no aprendizado de Matemática dos alunos até hoje. 

Tudo começou quando a escola identificou a falta de acesso à internet por parte dos estudantes durante os meses de isolamento social, o que poderia ter prejudicado o andamento do currículo previsto para esse componente. Mas uma estratégia simples e ainda assim inovadora permitiu que os conceitos matemáticos programados para o ciclo letivo pudessem ser revistos sob um novo olhar da turma.

Sem aulas síncronas, a professora Janete e os demais docentes da escola se organizaram para entregar blocos de atividades nas casas dos alunos a cada duas semanas. Ao analisar os materiais recolhidos nas quinze comunidades atendidas pela escola, a professora observava os conteúdos em que as crianças tinham mais dificuldade, tratando deles nos blocos seguintes. As diversas estratégias de resolução usadas pelos alunos e também os erros cometidos foram incluídos em atividades para análise e reflexão. 

Desse modo, ainda que os estudantes não tenham se encontrado presencialmente ou de forma remota, tiveram a possibilidade de interagir com diferentes soluções elaboradas pelos colegas. “Com essas atividades, vimos crescer também a maturidade dos alunos. Eles já liam [os materiais] com autonomia e puderam avançar”, conta a professora.

O esforço deu resultado, e aqueles que em 2020 estavam no 5º ano hoje se destacam nas turmas de 7º ano que, mesmo de longe, contam com o acompanhamento atento da educadora. “Isso me dá orgulho. Fazendo uma análise da situação da minha turma atual, eu não consigo ainda colocar em prática os mesmos conceitos [trabalhados com a turma de 2020]. Precisei retomar conceitos básicos este ano. Mas agora temos um plano de ensino focado nessa recuperação.”

Para Janete, esse olhar para o erro foi o “pulo do gato” que permitiu uma nova concepção de aprendizagem. “A gente tem a mania de dar o conteúdo e achar que a criança já adquiriu a aprendizagem esperada, mas isso não é verdade. Quando avaliávamos, víamos que elas não tinham aprendido. É necessário retomar o aprendizado sempre, dando sequência ao conteúdo até que a criança se aproprie dele. A partir disso, vimos nos erros dos alunos uma escada para avançar.”

A estratégia tem sido valorizada ainda hoje em suas aulas presenciais. “Agora, mesmo trabalhando com problemas mais simples, estamos valorizando o erro como forma de chegar no acerto, ajudando o aluno a identificar estratégias erradas no processo. É um trabalho árduo, mas é a preocupação do professor que faz [o aluno] avançar”, aponta. 

A educadora também tem notado uma maior preocupação das famílias com o prosseguimento dos estudos. “Muitos pais aprenderam com seus filhos nas atividades em casa. São famílias humildes, mas ficaram muito empolgadas para acompanhá-los. Elas se interessam [pela escola] e a valorizam muito, inclusive pelo atendimento emocional oferecido no período de isolamento”, conclui.

A educadora
Nome: Janete Emília Dourado Santos
Escola: Educandário Anísio de Souza Marques
Cidade: Iraquara (BA)
Categoria: Matemática – 5º ano do Ensino Fundamental
O projeto: O pulo do gato

Por que o projeto é inovador?
Ele permite que os alunos conheçam e desenvolvam diferentes estratégias para a resolução de problemas matemáticos e considera o erro um elemento importante para o avanço da aprendizagem.

Diagnóstico inicial da turma
O trabalho aconteceu envolvendo todos os eixos da área de Matemática. No início, foi realizado um diagnóstico para a identificação das dificuldades apresentadas pelos alunos na resolução de problemas. Com base nisso, a educadora elaborou situações-problemas respeitando o nível de entendimento de cada um.

Usando todos os recursos disponíveis
Além da apresentação da proposta de trabalho aos alunos e aos pais por meio do material entregue nas residências, a professora conseguiu oferecer apoio em ligações, chamadas de vídeo, áudios e mensagens.

Jogos de estratégia
Para motivar os alunos, foram realizados quizes de Matemática, em que eles respondiam as questões buscando diferentes estratégias. No atendimento com a educadora, eles faziam uma análise das estratégias utilizadas e explicavam as melhores formas de responder a cada problema.

Aprendendo com os erros
As estratégias de resolução de problemas de cada um passaram a ser compartilhadas com os demais alunos, inclusive aquelas que não levavam ao resultado correto. Por meio da análise dos erros dos colegas, eles avançaram em suas próprias estratégias.

Diagnóstico ao final do projeto
Foi realizado um diagnóstico ao final do projeto que, comparado à análise inicial, permitiu identificar os avanços dos alunos na resolução de problemas, mesmo diante do cenário de aulas remotas.

Consciência social com apoio da tecnologia

A professora de Inglês Jaqueline Rodrigues dos Santos criou um projeto que uniu o estudo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) com o desenvolvimento das quatro habilidades linguísticas previstas no currículo de Língua Inglesa. Foto: Divulgação/Trupe

Embora sempre tenha valorizado o uso dos recursos digitais no ensino de Língua Estrangeira, a professora de Inglês Jaqueline Rodrigues dos Santos viu a pandemia ressignificar o uso das tecnologias dentro da cultura da instituição onde atua. Docente na Escola Técnica Estadual de São Paulo (Etesp) do Centro Paula Souza, na capital paulista, ela conta que as aulas online permitiram intensificar o uso de sites e recursos de apresentação virtual. Com isso, ajudou seus alunos a mobilizar as quatro habilidades linguísticas – speaking, listening, reading and writing – de modo orgânico e coerente. 

Ela colocou em prática um projeto sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) com foco no desenvolvimento de valores sociais. “Eu sempre me preocupei não apenas em ensinar a língua em si, mas fazer isso de forma contextualizada. Pois, por mais que eu queira ensinar a língua inglesa, eu também quero formar cidadãos”, ressalta. 

Durante o projeto, a professora incentivou a formação de duplas e trios e sorteou o tema de um ODS por grupo para que preparassem um seminário. Foi quando viu uma mobilização única dos estudantes. “Mesmo com todas as dificuldades de acesso e da falta de computadores, eles se ajudavam e colaboravam comigo também na construção das aulas. Eles se envolveram muito.” 

Com uma formação voltada para o uso da tecnologia na educação, Jaqueline sempre foi defensora dos recursos digitais como ferramenta de ensino, recorrendo sempre que possível a dicionários e suportes virtuais que ajudassem seus alunos a avançar independentemente do nível de proficiência no idioma. Esbarrava, porém, nas restrições que afetavam a maioria das escolas com relação ao uso de aparelhos celulares e computadores. 

Contudo, foi no retorno ao ensino presencial, quando ela ainda estava afastada devido à licença-maternidade, que viu o uso desses recursos ganhar novos ares entre seus colegas educadores. “Os professores, mesmo os que antes usavam abordagem tradicional, surpreenderam compartilhando recursos e inspirando uns aos outros. Eles me inspiraram muito ao mostrar que foram capazes de adaptar seus conceitos a novos métodos. O projeto só foi possível graças ao incentivo da equipe.”

A crescente consciência social de seus alunos também foi um dos pontos altos destacados por Jaqueline, o que a motiva a continuar pensando em projetos que tragam temáticas urgentes. “Eu sigo acompanhando meus alunos, até mesmo aqueles que saíram da escola e agora estão entrando na universidade. Percebo que eles mantiveram o olhar para o aspecto social em seu dia a dia”, afirma.

A educadora
Nome: Jaqueline Rodrigues dos Santos
Escola: Escola Técnica Estadual de São Paulo (Etesp)
Cidade: São Paulo (SP)
Categoria: Língua Estrangeira – 2º ano do Ensino Médio
O projeto: Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

Por que o projeto é inovador?
Ele desenvolve a leitura e a compreensão de textos, a escrita, a oralidade e a pronúncia de forma contextualizada, a partir de temas que despertam a empatia e a conscientização dos alunos sobre problemas globais.

Um projeto em dez aulas
O projeto foi desenvolvido de forma remota e planejado para durar um ciclo de dez aulas, incluindo a introdução do tema e o suporte para que os alunos desenvolvessem suas apresentações com recursos digitais.

Foco na compreensão dos ODS
Com apoio do site da ONU, de um pôster virtual e de vídeos, a professora apresentou o tema para a turma, explicitando os objetivos de aprendizagem que seriam desenvolvidos no trabalho.

Divisão em 17 grupos
Em seguida, promoveu a divisão em grupos, sendo que cada um escolheu uma ODS. Cada equipe deveria acessar o site da ONU em inglês e realizar uma leitura para entender melhor sobre o tema. Nessa etapa, foram trabalhadas estratégias de leitura em inglês estudadas anteriormente, como prediction, cognates, skimming e scanning.

Apresentação dos grupos
O seminário aconteceu online e trabalhou competências relacionadas à organização das informações e à oralidade, permitindo que todos praticassem o idioma dentro de seus conhecimentos.

Criação coletiva
Além da apresentação, cada equipe criou um pôster para sua ODS. Os materiais foram compilados pela educadora em uma produção coletiva e colocados na escola no retorno ao ensino presencial, permitindo que outros alunos conhecessem as metas da ONU.

Aprendizado para além dos muros da escola

O diretor João Paulo Pereira de Araújo compartilha experiências para fortalecer vínculos com alunos e famílias. Foto: Divulgação/Trupe

Atuando como diretor da EE Doutor Pompílio Guimarães, na zona rural de Leopoldina, Zona da Mata Mineira, João Paulo Pereira de Araújo percebeu, durante a pandemia, a urgência de garantir a aprendizagem dos alunos mesmo com a falta de internet. A ausência de conexão afetava a grande maioria dos cerca de 170 estudantes da instituição. 

Nesse cenário, o caminho encontrado pela escola foi estreitar ainda mais o vínculo com alunos e famílias. “Nosso projeto tinha três grandes focos: continuar oferecendo uma educação integral, garantir a manutenção do vínculo com os alunos e, por fim, oferecer suporte social às famílias no período da pandemia”, relata. 

Assim, a busca ativa começou logo nas primeiras entregas de materiais e seguiu firme até o final de 2021, com o recolhimento mensal dos conteúdos feitos em visitas às residências das famílias. Nesse processo, os professores criaram um relatório de desenvolvimento das aprendizagens para o planejamento das atividades e para a preparação para o retorno letivo. Ele serviu para identificar os possíveis pontos de defasagem que deveriam ser retomados nas aulas presenciais. 

Esse esforço possibilitou a recomposição das aprendizagens curriculares em poucos meses, ainda no período de ensino híbrido. “Acreditamos que todo o trabalho feito, bem como a preparação da escola para os protocolos de segurança e a conscientização das famílias, deu mais segurança nesse retorno”, diz o diretor.

Com a correção das defasagens, o ano de 2022 começou com alunos mais seguros e capazes de acompanhar os conteúdos. “Em leitura e conceitos matemáticos, por exemplo, vimos o avanço mesmo entre as turmas de 2º e 3º anos, de alunos que estavam na Educação Infantil durante a pandemia e ainda não tinham frequentado a escola presencialmente. Ainda assim, identificamos algumas lacunas que estão sendo preenchidas este ano.” 

Para o gestor, que também foi aluno e professor da Pompílio Guimarães, o principal legado do período de dificuldades causadas pelo fechamento temporário das escolas foi um novo elo de entendimento com as famílias. “Com a ida à casa dos alunos, conseguimos fazer essa aproximação de uma forma mais humanizada. Hoje, ainda que os pais não tenham condições de dar suporte nas aprendizagens específicas, notamos que o comprometimento se intensificou.”

 

O educador
Nome: João Paulo Pereira de Araújo
Escola: EE Doutor Pompílio Guimarães
Cidade: Leopoldina (MG)
Categoria: Diretor escolar – Ensino Fundamental e Médio
O projeto: Escola fechada, educação em movimento!

Por que o projeto é inovador?
O foco foi garantir o direito de acesso à Educação em meio a pandemia de Covid-19, buscando manter o vínculo dos alunos com a escola mesmo sem internet.

Driblando a falta de conexão
Uma das primeiras ações foi encontrar caminhos para a comunicação com os alunos, visto que a maioria não tinha recursos tecnológicos para a continuidade de aulas síncronas. A ideia foi desenvolver um material físico que pudesse ser utilizado em casa com o apoio das famílias.

Valorização de diferentes saberes
Para atender ao princípio da educação integral, a equipe pedagógica produziu materiais que foram além do conteúdo curricular. Com base nas dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), foram oferecidas práticas que levaram os alunos a refletir sobre o período da pandemia e questões relacionadas às emoções, ao meio ambiente e ao projeto de vida de cada um.

Entrega do material
A entrega dos materiais nas casas dos estudantes possibilitou conhecer melhor a realidade dos alunos e garantir que todos acessassem o conteúdo. Sempre que um material era entregue, o anterior era recolhido. Em seguida, era direcionado aos professores para avaliação e verificação.

Encontros de docentes
Os encontros de formação com os professores seguiram em escala semanal, com carga horária de duas horas, durante todo o período de realização do projeto. Eles foram fundamentais para a capacitação dos professores e para o planejamento das ações implementadas.

Preparo para o retorno ao ensino presencial
O receio da evasão escolar fez com que a escola focasse a manutenção dos vínculos, de modo que alunos e famílias se sentissem acolhidos e valorizados para retornar. Isso garantiu uma grande adesão das turmas ainda no período híbrido. Além disso, foram feitos relatórios de diagnóstico que permitiram a recuperação das aprendizagens já nos primeiros meses de retorno ao ensino presencial.

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