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Jornalismo

Festa Junina: explore a cultura popular na alfabetização matemática

Confira sugestões para abordar a temática e desenvolver habilidades de resolução de situações-problema, raciocínio lógico, noções de espaço e Geometria

PorSelene Coletti

30/05/2022

Foto: Getty Images

Dentre os temas da cultura popular que permeiam a rotina escolar, a festa junina sempre foi o meu preferido. O festejo permite uma infinidade de possibilidades de trabalho nas diferentes áreas de conhecimento. Nesta conversa, trouxe como foco a Matemática.

Antes de começar, vale ressaltar que a cultura popular é composta por brincadeiras, jogos, músicas, cantigas, danças, alimentação, tradições, entre outros elementos. Quando pensamos nessa diversidade de aspectos, temos muitas propostas e oportunidades para conhecer um pouco do Brasil e de suas manifestações culturais.

E para você, o que lhe vêm à mente quando falamos em festa junina? Quadrilha, fogueira, barraquinhas, comidas e bebidas típicas? Decerto virá uma infinidade de imagens resgatando boas lembranças da infância.

Que tal começar com essa pergunta para a sua turma? As respostas lhe permitirão conhecer um pouco do que sabem sobre esse tema tão rico, e, a partir daí, você poderá desenhar um percurso tão colorido e variado como são as festas juninas que temos por todo o país. Para se aprofundar ainda mais, é possível ampliar essa pesquisa para as famílias dos alunos.

Na Matemática, existem diversos caminhos possíveis. Compartilho a seguir quatro sugestões:

1. Explorando noções de espaço e pensamento algébrico

Escolhi começar pela Geometria já que em nossa última conversa falamos sobre ela. As obras de Alfredo Volpi, com suas bandeirinhas, permitem trabalhar a organização espacial, as formas geométricas e o pensamento algébrico. 

Para começar, sugiro utilizar essas obras do artista ítalo-brasileiro que trazem as bandeirinhas. Escolha algumas que apresentem padrões e peça que a turma tente “adivinhar o segredo” das bandeirinhas, ou seja, descobrir o padrão. É possível também solicitar que deem continuidade à sequência.

Outra atividade possível é pedir que criem suas próprias sequências de bandeirinhas. Depois, os demais devem descobrir qual foi a lógica utilizada pelo colega para construir a sequência. Sempre peça que eles expliquem como fizeram a descoberta.

Outro caminho é sugerir que criem padrões cujos critérios sejam posições utilizando as bandeirinhas. Dessa forma, cada dupla começa uma sequência para que outra descubra o segredo. Por exemplo: com as bandeirinhas – que podem ser feitas de papel ou desenhadas – em mãos, comece colocando duas com as pontas viradas para a direita e uma terceira, para cima. Uma infinidade de critérios irá surgir.

2. Dobraduras para construir um painel de bandeirinhas

O trabalho com dobradura sempre esteve presente em minhas aulas, seja na Educação Infantil, seja nas classes de alfabetização. Dobraduras que sempre foram um sucesso com as crianças são bandeirinhas de festa junina, produzidas utilizando papel ou guardanapo de papel. Eu usava os guardanapos coloridos e os trabalhos ficavam lindos!

Para que o trabalho seja mais desafiador, em vez de apresentar a dobradura fazendo o seu passo a passo, traga imagens mostrando como executar as dobras (como na foto abaixo) impressas em papel. O aluno deverá interpretar as imagens para produzir o trabalho. Esteja atento para observar como ele consegue reproduzir o exemplo e faça intervenções com novos desafios conforme o grau de dificuldade apresentado.

Com as bandeirinhas prontas, construam um painel para expor na sala de aula. Uma sugestão é fazer uma releitura de um dos quadros de Volpi. Será um momento de muitas aprendizagens e trocas.

3. Explorando as habilidades de criar e resolver situações-problema

As barraquinhas de jogos e brincadeiras, como a boca do palhaço, o peixinho ou a canaleta, estão presentes em muitas festas juninas e são a alegria de muitas crianças e adultos. Por isso, elas podem se tornar boas oportunidades de situações-problema.

A barraca da canaleta, na qual é preciso somar os pontos obtidos para saber qual será o prêmio, permitirá que os alunos desenvolvam o cálculo mental. Por exemplo: se no jogo Ana tirou 3, 4 e 2 pontos, qual prêmio ela ganhou? Ou: a bolha de sabão vale 10 pontos; em quais casas as bolinhas de Ana devem cair para que ela leve o prêmio?

Você também pode solicitar que a turma, dividida em grupos, crie situações-problemas a partir de suas vivências durante a festa. Depois, os grupos trocam os problemas entre si e tentam resolvê-los. Ao final, deve haver a socialização dos trabalhos para que as aprendizagens possam ser ampliadas.

Se você trabalhar com cantinhos diversificados na sala, sugiro que faça uma versão adaptada da barraca do peixinho. Para isso, faça vários peixinhos de papel grosso, numerados de 0 a 9. Coloque-os misturados e virados de forma que não seja possível enxergar os algarismos. Faça um cartaz com as prendas disponíveis na barraquinha e o valor numérico de cada uma. Por exemplo: ursinho (8), bola (12), boneca (9) – o que significa que, para ganhar o ursinho, é necessário fazer 8 pontos, e assim por diante.

As crianças precisam pescar os peixinhos (combine previamente a quantidade de tentativas), somar os pontos e ver qual prenda ganharam. Elas podem registrar os pontos obtidos para depois pensar em situações-problema decorrentes dessas vivências.

Outro caminho é trabalhar o sistema monetário trazendo situações de compra e venda durante a festa. No começo, você pode trazer as situações-problema previamente, para depois solicitar que eles produzam outras.

4. Explorando o raciocínio lógico-matemático

Nessa nossa conversa, não poderiam faltar os jogos. Trago o Sudoku com figuras da festa junina (preparei aqui um modelo para você). Nele, os alunos precisam organizar as figuras, sem repeti-las, tanto na posição horizontal quanto na vertical. Lembrando que não é preciso colar as figuras – assim, poderão jogar muitas vezes. É um ótimo desafio, que renderá muitas aprendizagens!

E você, também gosta de festa junina? De que forma ela está presentes em sua sala de aula com o viés da alfabetização matemática? Conte para mim aqui nos comentários.

Até a próxima!

Selene

Selene Coletti é professora na rede pública há 40 anos. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por dez anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio Gestão para o Sucesso Escolar, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

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