Compartilhe:

Jornalismo

Gênero textuais para usar na alfabetização

Entenda como escolher os textos que serão usados em sala de aula e veja três sugestões para explorar o campo de atuação da vida cotidiana

PorMara Mansani

12/05/2022

Foto: Getty Images

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) orienta que a centralidade deve estar no texto. Ele é o ponto de partida para o planejamento na alfabetização. Quando falamos em textos, nos referimos àqueles que estão inseridos nas práticas sociais. Isso significa deixar de lado aqueles que só existem na escola – como, por exemplo, os que encontramos em muitas cartilhas.

Mas quais gêneros textuais devemos usar na alfabetização? Todos aqueles que existem, que circulam. Logicamente, o professor precisa selecionar aqueles que estão de acordo com o momento, a faixa-etária e a complexidade para a qual os estudantes estão preparados.

Mais uma vez, a BNCC nos dá um norte para responder a essa pergunta. O documento divide os textos em quatro campos de atuação. Todos têm igual importância, apesar de nem sempre aparecerem na mesma medida em nossos planejamentos.

  • Vida cotidiana – como exemplos, temos agendas, listas, bilhetes, recados, avisos, convites, cartas, cardápios, diários, receitas e regras de jogos e brincadeiras; 
  • Artístico-literário – lendas, mitos, fábulas, contos, crônicas, canções, poemas (inclusive os visuais), cordéis, quadrinhos e charges; 
  • Estudo e pesquisa – enunciados de tarefas escolares, relatos de experimentos, gráficos, tabelas, infográficos, diagramas, entrevistas, textos de divulgação científica e verbetes de enciclopédia;
  • Vida pública – notas, álbuns noticiosos, notícias, reportagens, cartas de leitor, comentários em sites para crianças, textos de campanhas de conscientização, Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), abaixo-assinados, cartas de reclamação, regras e regulamentos.

Curso gratuito: como explorar diferentes gêneros textuais na alfabetização usando metodologias ativas

Conheça a Pedagogia Freinet e confira sugestões de ateliês para usar na alfabetização. Entenda como organizar os espaços e materiais e como planejar boas intervenções.

Como escolher quais gêneros utilizar?

Na seleção dos textos para uso na alfabetização, precisamos levar em consideração também as práticas de linguagem, as habilidades a serem desenvolvidas, a rotina da alfabetização, entre outros elementos. Por exemplo, no dia a dia da minha turma temos as atividades permanentes: eu sempre prevejo momentos de leitura e escrita usando listas e bilhetes, textos de memória que fazem parte das brincadeiras orais infantis, entre outras possibilidades.

Em outros momentos, a seleção dos textos obedece a alguma necessidade daquela turma ou da escola, como uma campanha de conscientização de combate a uma doença, um texto sobre desperdício de recursos naturais ou conflitos na convivência na escola, entre outros.

Quando penso em projetos para alfabetização, muitas vezes combino diferentes tipos de texto para dar conta de explorar a temática escolhida. Para isso, costumo refletir sobre os melhores gêneros para desenvolver as diferentes práticas de linguagem (leitura, escrita e oralidade).

Explore o potencial do nome próprio na alfabetização

Entenda como utilizar o nome das crianças a favor da aprendizagem e confira sugestões de atividade para levar a proposta para a prática.

Estudando a escrita da vida cotidiana

Para planejar a alfabetização, precisamos levar em consideração todos esses pontos que levantei e outros que se façam necessários de acordo com a realidade e as demandas de aprendizagem dos alunos. Para dar como exemplo, separei três sugestões para explorar textos ligados ao campo de atuação da vida cotidiana.

  1. Agendas

São muito úteis e presentes na rotina, pois organizam as ações no nosso dia a dia. Minha sugestão é fazer com as crianças a programação semanal das aulas. De forma coletiva, proponha que pensem e organizem juntos o tempo e os espaços para cada atividade. A agenda pode ser também de aniversariantes do bimestre, com informações e mensagens escritas sobre eles e para eles.

  1. Cardápios e receitas

As crianças adoram participar da experiência de preparar um prato de comida na escola. Há anos produzi um livreto de receitas de saladinhas saudáveis. Em sala de aula, depois do estudo sobre alimentos saudáveis que envolveram diferentes conteúdos (vídeos, músicas, infográficos, tabelas, entre outros), os alunos criaram suas próprias receitas de saladinhas e depois comeram seus pratos.

Esse trabalho rendeu muito conteúdo para a escrita. A cada estudo, leitura e escrita, e a partir de minhas intervenções pedagógicas nos momentos coletivos e individuais, as crianças avançaram muito no processo de alfabetização. Por conta da pandemia, não venho realizando esse trabalho de forma completa, mas pretendo retomar essa prática em breve.

  1. Regras de jogos e brincadeiras

As escritas de como fazer brinquedos, ou como brincar, também oferecem ótimas situações de aprendizagem. A ideia pode ser transformada em um projeto que termine com a produção de um livreto.

Desde o começo, as crianças aceitam e gostam muito de participar, pois para elas é muito divertido, é “só brincadeira”. Mas há toda uma intencionalidade pedagógica nesses momentos que permite avançar nas aprendizagens.

Como puderam perceber, todas as sugestões de textos, de contato e de uso desses gêneros textuais estão sempre presentes em toda a nossa vida. Então, minha mensagem final é: não vamos escolarizar a vida, mas sim trazê-la para dentro da aprendizagem em sala de aula!

Espero que se inspirem e aproveitem minhas sugestões para explorar diferentes gêneros textuais na alfabetização. Se já fazem um trabalho nesse sentido que vem rendendo bons resultados na aprendizagem dos seus alunos, compartilhe aqui nos comentários.

Um grande abraço a todos e até a próxima!

Mara Mansani

Mara Mansani é professora há 34 anos. Lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF no livro Muda o Mundo, Raimundo. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Veja mais sobre:

Últimas notícias