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Jornalismo

Como estimular a argumentação nas aulas de Matemática

Confira reflexões e sugestões para estimular o raciocínio e a comunicação dos alunos nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental

PorSelene Coletti

02/05/2022

Foto: Getty Images

A argumentação é a capacidade que o indivíduo tem de explicar a sua forma de pensar. Ela é uma das competências gerais propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a ser desenvolvida durante toda a Educação Básica.

Juntamente com o raciocínio, a representação e a comunicação, a argumentação é uma habilidade essencial para o desenvolvimento do letramento matemático e do pensamento computacional. Portanto, ela merece o nosso olhar atento para garantir que esteja presente na nossa prática cotidiana. 

Para quem quiser saber mais sobre essa questão e outros aspectos importantes para a Matemática, recomendo um livro que estou lendo no momento: Mentalidades Matemáticas, de Jo Boaler.

Desenvolvendo a Argumentação dentro e fora de sala

Confira dicas de temas e sugestões de atividades para trabalhar essa competência geral em outros componentes curriculares.

Como implementar a argumentação na nossa prática

O exercício da argumentação está presente toda vez que o aluno explica como pensou a resolução de determinada situação-problema, ao expor uma escolha ou uma estratégia utilizada em um jogo. E isso começa na Educação Infantil e se estende para as demais etapas. 

Como já disse em outra conversa sobre o pensamento lógico: permitir que essas trocas habitem a sua sala de aula tem a ver com a sua concepção de ensino e aprendizagem. Se eu acredito que é por meio da escuta e da intervenção que os alunos irão aprender, vou criar espaços e planejar atividades nas quais eles possam expor as suas ideias e construir o conhecimento coletivamente. 

Trago aqui uma proposta que vi no livro Mentalidades Matemáticas. Na página 175, a autora conta que um professor de 3º ano do Ensino Fundamental apresentou a seguinte situação aos alunos e os convidou a elaborar, em grupo, as suas próprias questões matemáticas: 

“Você quer comprar umas pulseiras de elástico Wonder Loom. Você vai até à loja Rainbow Zen Garden e encontra as seguintes opções:

- Pulseiras de duas cores - $0,50 cada ou 3 por $1,00

- Pulseiras multicores - $1,00 cada ou 3 por $2,50 

Materiais para criar as próprias pulseiras:

- Pacote com 600 elásticos – $3,00 ou 4 pacotes $10,00

- Pacote com 600 elásticos fosforescentes - $5,00

- Trançados Wonder - $5,00” 

Vejam que rica oportunidade para que os alunos possam, a partir de uma situação-problema conectada com a realidade deles, elaborar diferentes questões e buscar investigá-las. Segundo ela, os alunos questionaram o motivo para as pulseiras serem tão caras. “Eles foram ajudados a resolver isso descobrindo quanto custaria fazer uma pulseira usando os materiais e, depois, pensar sobre o custo de vender por meio de uma loja.”

É possível perceber que não ter trazido uma questão pronta criou um novo espaço para a discussão. Isso não significa que não seja válido trazer o direcionamento para as situações-problema. O que vale refletir é o tipo de pergunta. Como a autora diz: é preciso que os alunos possam fazer conjecturas e falar sobre as suas rotas matemáticas, explicar o próprio trabalho, que é o “cerne do trabalho matemático – a argumentação”.

No site do Youcubed, você pode encontrar mais sugestões para trabalhar a argumentação e outros aspectos relativos ao pensamento matemático.

Curso gratuito: Resolução de Problemas em Matemática com Esforço Produtivo

Entenda como estimular o raciocínio matemático dos alunos por meio de perguntas, mobilizar o conhecimento prévio deles e encarar a dificuldade como oportunidade de aprendizagem.

Outras possibilidades para estimular a argumentação

Uma possibilidade interessante é oferecer desafios matemáticos com informações incompletas ou a mais. Dessa forma, a turma será desafiada a pensar sobre a solução – que pode começar de forma individual e depois em duplas e grupos – e compartilhar as estratégias que utilizou para chegar à resposta. Assim, abre-se um espaço para discutir em sala de aula os caminhos encontrados. 

Vamos pensar em outro tipo de atividade que deve estar presente em sua prática. Veja a seguir: 

Se quiser pendurar quatro toalhas, quantos prendedores irá usar? E se pendurar 20? Como você descobriu isso? 

A pergunta “Como você descobriu isso?” é fundamental para que o aluno explique a sua forma de pensar e colocar a argumentação em jogo. O tipo de argumento irá trazer informações importantes para planejar as próximas atividades. Por exemplo, se um aluno desenhar as toalhas para responder e outro fizer uma tabela para entender a relação entre os objetos, significa que cada um está em um nível diferente das noções de sequência/padrão. Serão necessárias intervenções distintas com cada um deles para garantir que todos avancem. 

Argumentar é algo que precisa estar sempre presente na sala de aula. Quanto mais ofereço oportunidades para que os alunos justifiquem seu pensamento, mais os incentivo a pensar a Matemática e a avançar nas habilidades argumentativas. 

Agora é a sua vez! Como está trabalhando a argumentação na sua prática cotidiana?

Até a próxima!

Selene

Selene Coletti é professora na rede pública há 40 anos. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por dez anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora escolar e recebeu, em 2004, o Prêmio Gestão para o Sucesso Escolar, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente, é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, também em Itatiba.

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