Como indicar localização e percursos em Espanhol

Ensine aos alunos expressões e palavras relacionadas à localização e indicação de trajetos

POR:
Beatriz Santomauro
Em espanhol, a turma da EMEF Jean Piaget falou dos trajetos feitos no entorno da escola. Nik Neves
Em espanhol, a turma da EMEF Jean Piaget falou dos trajetos feitos no entorno da escola

Mesmo morando em um estado vizinho ao Uruguai e à Argentina, os estudantes do 9º ano da EMEF Jean Piaget, em Porto Alegre, têm pouco contato com o espanhol. É nas aulas de Língua Estrangeira que a moçada estuda a sonoridade e as expressões próprias da língua e está aprendendo a se comunicar com fluência.

Izquierda, cerca e gire são algumas palavras que passaram a fazer parte do vocabulário da turma depois das atividades desenvolvidas pela educadora Maria Elisabeth Urquiola. O objetivo dela era ensinar expressões de localização e como descrever caminhos, saberes importantes para poder ir de um ponto a outro e se situar na cidade.

A vice-diretora, Tânia Natel, que já atuou como professora de Espanhol e hoje é doutoranda em Práticas de Ensino de Língua Estrangeira, montou a sequência didática, discutiu a proposta com as docentes que lecionam a disciplina e, juntas, elas fizeram adaptações no material antes de trabalhá-lo. "A reflexão em conjunto sobre o que ensinar, como e para quem favorece a prática", diz Tânia. No planejamento, constavam aulas de leitura, interpretação e produção de texto (leia abaixo a produção de dois alunos).

Como alguns termos são muito semelhantes aos usados em português (isquierda e derecha, por exemplo), a classe compreendeu rapidamente os significados de vários deles e como usá-los. Não é complicado ensinar o conteúdo, mas Claudio Muzzio, professor do Colégio Miró, em Salvador, destaca que ele precisa estar relacionado a um contexto real para fazer sentido, e não só decorado. Ainda assim, vale lembrar que alguns termos, como largo, que em espanhol quer dizer "longo", em português é mais usado como amplo.

Ler o conto Las Ciudades Sutiles 5, do italiano Italo Calvino (1923-1985), publicado em Las Ciudades Invisibles (184 págs., Ed. Siruela, 13,90 euros, em espanhol), foi a primeira atividade. O texto descreve um cenário nada comum: uma cidade situada entre duas montanhas e sustentada por uma rede, com um grande penhasco logo abaixo. "Por tratar de um lugar diferente, o conto deixou os alunos intrigados. Eles foram desafiados a quebrar a cabeça para interpretá-lo, já que as referências que tinham de cidades reais pouco serviam", fala Maria Elisabeth.

Inicialmente, ela notou que os estudantes não compreendiam o enredo por completo, mesmo depois de trocar ideias com os colegas. Propôs então uma discussão para que o entendimento e as dúvidas de um pudessem ser compartilhados com todos, inclusive com ela. "Expliquei em espanhol o significado de algumas palavras e esclareci partes da história. E dei ênfase à análise dos termos e das expressões de localização, como abajo no hay, la ciudad está en el vacío e arriba", diz.

Na aula seguinte, foi a vez de os jovens soltarem a língua e escreverem. Em duplas, eles tinham de eleger cinco pontos do entorno da escola e elaborar trajetos. Foram produzidas diversas perguntas e respostas. Por exemplo: "¿Cómo voy de la cancha de fútbol a la panadería? Vaya derecho por dos cuadras y doble a la derecha".

"Percorri a sala enquanto os alunos trabalhavam e busquei identificar as dificuldades deles e discutir as dúvidas", diz Maria Elisabeth. Por fim, os diálogos foram socializados. "Os que estavam incompletos não eram compreendidos pelo grupo e as duplas se esforçavam para elaborá-los de outra forma", conta a professora. Esse momento foi importante para sistematizar alguns conhecimentos e explorar os equívocos mais recorrentes. Ela escreveu no quadro dobla a, dobla la e dobla a la para discutir a expressão adequada e só quando a turma chegou ao consenso de que era a terceira ela pediu que todos registrassem no caderno. Maria Elisabeth também ficou atenta a problemas de ortografia. A palavra escrita de forma errada mais vezes foi izquierdo, com a letra "e" (ezquierdo), lembrando a correspondente em português.

Daniela de Almeida. Foto: Tamires Kopp

¿Cómo vas de la escuela a tu casa?
Cruzo la calle Major Manoel Monteiro por el paso de peatones delante de la escuela. En la esquina, doblo a la derecha y sigo recto hasta la plaza. A mano izquierda está mi casa.
Daniela de Almeida, 16 anos

 

Nycolas Bonete. Foto: Tamires Kopp

¿Cómo puedo ir de la EMEF Jean Piaget a tu casa?
Camine derecho hasta la Plaza. Después, doble a la derecha y siga hasta el edificio color violeta. Vivo en el segundo piso.
Nycolas Bonete, 15 anos

 

Use a internet para a troca de mensagens e consulta ao Google Maps

Durante a revisão dos diálogos que criaram, os alunos ficaram atentos às preposições. Foto Tamires Kopp. Ilustração Nik Neves
Durante a revisão dos diálogos que criaram, os alunos ficaram atentos às preposições

A sequência didática ainda contou com aulas na sala de informática. Mais uma vez em duplas, os jovens utilizaram o Edmodo, uma rede social que possibilita a troca de mensagens instantâneas voltada para professores, estudantes e pais. A tarefa era, em duplas, responder à questão: "¿Indícame cómo vienes a la escuela, por favor?" No planejamento da educadora, constava um tempo para a garotada reescrever as indicações, trocando ideias com os pares. Nycolas Bonete, 15 anos, por exemplo, respondeu à questão "¿Cómo puedo ir de la EMEF Jean Piaget a tu casa?" com os verbos cruzas, caminas e doblas (no presente do indicativo e na segunda pessoa do singular, tu). Depois mudou para cruce, camine e doble (no imperativo afirmativo e conjugado na terceira pessoa do singular com usted, forma da segunda pessoa do singular), deixando a resposta adequada. O momento também foi importante para o grupo refletir sobre as preposições que formam as expressões, como derecho por e voy de.

Para enriquecer as aulas, vale recorrer ao Google Maps em espanhol e utilizar os recursos (mapas, fotos das ruas e deslocamentos). O site é uma boa ferramenta: indica como ir de um ponto a outro com informações visuais e por escrito no idioma estudado. Você pode pensar que é ruim usá-lo, já que o Google entrega a tarefa pronta. Mas não é bem assim. A ferramenta é uma opção eficiente para um primeiro contato com o conteúdo. Ela ajuda a moçada a confirmar as estruturas já utilizadas e colabora com o aprimoramento das produções, pois provavelmente vai apresentar indicações de caminhos, expressões e palavras diferentes das usadas. Basta deixar claro para a turma que a finalidade não é copiar as informações, mas usá-las para aprender mais.

1 Contato com o vocabulário Proponha a leitura de textos em espanhol que tenham expressões e palavras relacionadas à localização e indicação de trajetos. Depois, analise com os estudantes o uso dos termos e expressões que apareceram.

2 ¡Hable en español! Peça que os alunos elaborem perguntas e respostas que tenham a ver com o entorno da escola como referência. Depois, eles devem compartilhar as frases com a classe e fazer a revisão em grupo.

3 Meu caminho é diferente Com programas de internet que possibilitam a troca de mensagens instantâneas na internet, peça que os jovens, em duplas, respondam à questão "¿Indícame cómo vienes a la escuela, por favor?"

4 Google Maps para ajudar Oriente a moçada a consultar o site na versão em espanhol para aprender novas formas de construir frases que descrevam trajetos e indiquem localizações.

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