Como entrevistar alguém em inglês?

Desafie os alunos a realizar uma entrevista em inglês com um falante do idioma

POR:
Sophia Winkel, NOVA ESCOLA, Fernanda Salla
Para as perguntas, os alunos usaram question words e inversão do verbo e do sujeito. Agência Lusco
Para as perguntas, os alunos usaram question words e inversão do verbo e do sujeito

Um dos maiores desafios dos professores de Língua Estrangeira é trabalhar o texto oral com os alunos. Por não praticarem sempre, muitos têm dificuldade em falar inglês e compreender o que ouvem. Para mudar isso, é preciso propor situações verdadeiras de uso do idioma, com atividades de escuta (listening) e fala (speaking). Nesse sentido, utilizar o gênero entrevista é uma boa estratégia, como fez a docente Ana Virgínia Souza, da EE Saturnino de Brito, em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana de Recife.

A educadora atua no Núcleo de Estudo de Línguas da escola, que oferece aulas no contraturno para os alunos interessados em aprofundar o aprendizado do inglês, e identificou que eles não se sentiam seguros para se expressar no idioma. Por isso, elaborou uma sequência didática sobre informações pessoais (personal information) e levou para a sala falantes da língua para serem entrevistados pela garotada do 9º ano. "Isso concretiza o ensino dessa disciplina, pois a experiência torna-se sólida", afirma Sandra Baumel, diretora da Target Idiomas, em São Paulo.

Conversar com outros interlocutores possibilita aos estudantes ter contato com variantes do inglês e velocidades de fala diferentes daquelas com que estão acostumados - como a do professor e a dos colegas. Assim, eles desenvolvem a compreensão e a comunicação oral, já que também têm de ser entendidos pelo convidado. Além disso, a proposta amplia o vocabulário e o conhecimento da gramática relacionada ao gênero e mostra que a língua é uma forma de acessar novas informações.

Ana já levou para as aulas 20 falantes do idioma - dez deles nativos - para serem entrevistados, como o autor britânico Paul Seligson. Mesmo assim, diz que encontrar pessoas com esse perfil e disponibilidade não é fácil. Para driblar o problema, chama também ex-frequentadores do núcleo. "Ainda que não sejam proficientes, os que falam bem são usuários da língua. O benefício é que a garotada pode ver neles um modelo próximo e se motivar a aprender", diz Sandra.

Outra opção é usar recursos digitais para viabilizar a conversa com estrangeiros. É possível entrar em contato com entidades de países de língua inglesa por meio de sites ou redes sociais e tentar agendar uma conferência via internet.

Vale ressaltar que para envolver os alunos na proposta, o tema trabalhado precisa fazer sentido para eles e o entrevistado ter algo a contribuir. Verônica Peres, professora de Inglês do 7º ano na Escola da Vila, em São Paulo, usou os direitos humanos como mote. Depois de ler reportagens internacionais sobre situações que violam esses direitos, a garotada pesquisou o assunto e entrevistou Ieda Maria Siebra Bochio, conselheira da ONG Casa Filadélfia (CAF), que atua na área. "As notícias chocaram os estudantes e os instigaram a saber mais. Quando se interessam pelo tópico, eles se envolvem nas discussões. Até quem não tem um repertório amplo perde a timidez e tenta se expressar", conta Verônica.

Desvendando o gênero

Ao explorar entrevistas publicadas em jornais estrangeiros, a turma se aproximou do gênero. Agência Lusco
Ao explorar entrevistas publicadas em jornais estrangeiros, a turma se aproximou do gênero

 

No caso de Ana, o tema personal informations (sobre família, profissão, opiniões e interesses) foi escolhido com base nas dificuldades dos alunos, que precisavam desenvolver esse vocabulário para ganhar confiança ao falar. Depois de apresentar o assunto, foi discutido de que modo perguntar sobre ele. Nesse momento, a docente revisou aspectos gramaticais envolvidos em uma entrevista, como a inversão do verbo e do sujeito em sentenças interrogativas e termos comuns dessa construção de frase, a exemplo das question words, que são palavras usadas no início de perguntas, como how, what, who e which.

Em seguida, foram distribuídas entrevistas em inglês, publicadas em jornais e revistas estrangeiros, para cada um ler e se familiarizar com as características do gênero. Ana anunciou que Jéssica Rodrigues, 22 anos, seria a entrevistada, e deu um panorama sobre ela para que os alunos pensassem no que mais poderiam descobrir sobre aspectos pessoais de sua vida.

A jovem estudou no núcleo e hoje é professora de Inglês no Programa Línguas e Informática (Prolinfo), da Universidade de Pernambuco (UPE). "Orientei a turma para evitar questões que tivessem somente yes ou no como resposta. Assim, teriam a chance de aprender novas palavras com o que ouvissem de Jéssica", diz Ana.

Para verificar a pronúncia dos alunos e a estrutura das perguntas elaboradas, foi feita uma simulação da entrevista, em que alguns desempenharam o papel da convidada. A docente chamou a atenção de todos para o ritmo e a entonação das palavras, que são fatores comunicativos importantes. Caso surgissem questões repetidas, eles tinham de substituí-las na hora. "A estratégia mostra o valor dado ao gênero textual escolhido. Em uma coletiva de imprensa real, não aconteceria repetição, pois os jornalistas têm esse cuidado. Sendo assim, faz sentido que o mesmo ocorra em aula", afirma Sandra.

Hora de encarar o entrevistado

No dia da visita, Ana instruiu os alunos a tomar notas das informações e a não ler suas questões, para que pudessem focar a atenção na dinâmica da entrevista. A professora também preparou a convidada para a atividade, contextualizando-a sobre as habilidades e dificuldades da turma em relação ao idioma. Ela pediu que, caso os alunos não entendessem uma resposta dada, Jéssica a repetisse devagar, usando termos mais simples.

Cada estudante fez sua pergunta em inglês. Ana recomendou que todos reparassem no vocabulário e na pronúncia da convidada. Depois, ela sugeriu a inversão da atividade: Jéssica fez perguntas aos estudantes. Com isso, a docente valorizou o protagonismo da garotada, que se viu capaz de entender e responder no idioma.

A proposta motivou os adolescentes a ler, escrever, falar e ouvir em inglês. Mesmo que no início eles recorram à língua materna para se expressar, a prática oral faz com que se apropriem de novas palavras e construções do idioma e os incorpore ao repertório pessoal deles. Com o trabalho contínuo, o uso do português não terá mais vez nas aulas de Língua Estrangeira.

1 Apresentação do tema Explique aos alunos o que são personal informations e que irão entrevistar uma pessoa em inglês. Revise a gramática envolvida em uma entrevista, a exemplo da inversão do verbo e do sujeito e de termos típicos de frases interrogativas.

2 Estudo do gênero Distribua entrevistas em inglês, publicadas na imprensa estrangeira, para que os jovens identifiquem as características do gênero. Anuncie quem será o entrevistado e peça que elaborem perguntas para ele.

3 Ensaio e revisão Simule uma entrevista com alunos fazendo o papel do convidado. Peça que todos atentem para o ritmo, a entonação e a pronúncia das palavras. Caso haja perguntas repetidas, eles devem trocá-las.

4 Entrevista em inglês "Boa Convide alguém para ser entrevistado. Peça que cada aluno faça sua pergunta. Instrua o visitante a repetir as respostas devagar caso a turma não entenda.

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