Compartilhe:

Jornalismo

Matemática: 5 sugestões de atividades para conhecer as turmas de anos finais

O acolhimento é o primeiro passo para o desenvolvimento de novas perspectivas e coletar informações importantes para sua prática pedagógica

PorIvonete Dezinho

08/03/2022

Crédito: Getty Images

Em agosto de 2022 vou completar 36 anos de profissão. Trabalhei por 25 anos nos Anos Iniciais do Fundamental e, há 19 anos, dou aula de Matemática nos Anos Finais na rede municipal de Naviraí (MS). Ainda assim, todo início de ano sinto aquele “friozinho na barriga” quando vou para a sala de aula conhecer as novas turmas. Isso acontece com você também? Acredito que sim. Meus colegas, aqui da escola, comentam que com eles também é assim. 

Imagino que nossos alunos também ficam ansiosos. Alguns já confessaram que perdem o sono nos primeiros dias de aula pensando como serão recebidos, quem vão encontrar na sala de aula, se verão os amigos, se farão novas amizades, quem serão os professores, entre outros questionamentos que passeiam na cabeça de todo adolescente. 

Se em um ano normal já é assim, no cenário atual temos um desafio ainda maior, pois receberemos nossos alunos presencialmente depois de, praticamente, dois anos de distanciamento social. Com isso, pensar o acolhimento das ansiedades, medos e incertezas dos alunos é ainda mais importante. 

É diante desse desafio que dou início a nossa conversa por aqui. Você já pensou como fará esse trabalho?  Quais serão as atividades de Matemática nas primeiras semanas?

Coleta de dados e conversa

Em minha experiência percebi que os adolescentes não gostam de se expor. Nas primeiras aulas, portanto, dinâmicas em que eles precisam falar de si não funcionam bem. No lugar eu costumo elaborar um questionário em que eles não precisam se identificar, mas que eu consigo conhece-los melhor. Eles dizem sua idade, gênero, com quem moram, quantos irmãos tem, time que torcem, esporte e comida favorita, o que gostam de fazer e o que não, a profissão que desejam exercer, um sonho que desejam realizar e quais as suas expectativas para ano letivo. 

Com os questionários preenchidos, faço a tabulação dos dados, elaboro um texto geral das informações do grupo – também incluo gráficos dos resultados. Os alunos recebem esse material impresso. 

Em seguida, proponho uma roda de conversa. Fazemos a leitura compartilhada destacando os sonhos e expectativas da turma, e os seus interesses. Eu deixo um espaço aberto, livre cobranças, para quem desejar comentar o que foi identificado. Desta forma, começo a conhecer a turma e os alunos vão, aos poucos, se soltando. 

Também aproveito esse momento para revisar conteúdos matemáticos utilizando os dados da turma. Percebo se conseguem fazer a leitura e interpretação de gráficos em diferentes formatos (colunas, barras, linhas, setores e pictograma). Além disso, também é possível explorar noções de frações, porcentagem e a regra de três.

Como o Ensino Híbrido pode inspirar as aulas de Matemática

Entenda como utilizar esse tipo de metodologia ativa para desenvolver habilidades matemáticas nos Anos Finais do Fundamental

Explorar os agrupamentos e diferentes linguagens

Uma segunda sugestão de atividade que funciona bem é a apresentação em duplas. Para começar, peça que eles se organizem em pequenos grupos e estabeleça um tempo para que conversem livremente. No final, um deve apresentar o outro contando algo interessante que descobriu nessa conversa. Tratar do outro é mais fácil que falar de sim mesmo, por isso essa tem sido uma boa estratégia de comunicação entre os estudantes. 

Outra sugestão é montar um mural com desenhos (ou palavras) que definam a turma. Depois de cada estudante registrar sua resposta em uma folha sulfite, reúna todos os materiais. Que tal sugerir uma conversa sobre o que apareceu? Com certeza assunto não faltará! Abra espaço para aqueles que desejam falar o que colocaram. Essa será uma ótima oportunidade para conhecer melhor a sua turma e planejar atividades futuras.

Explore o potencial dos games para turbinar as aulas

Entenda como aproveitar o interesse dos alunos pelo mundo digital para engajá-los nas aulas de Matemática usando jogos eletrônicos

Dificuldades e curiosidades da Matemática

Uma estratégia que já utilizei, e que me rendeu bons frutos, foi a criação de lista coletiva das dificuldades que a turma tem em relação a Matemática. Para tal, peça que cada estudante diga qual conteúdo tem mais dificuldade e liste as respostas. Depois tabule os dados com eles, organizem uma tabela e construam um gráfico das informações. Essa lista te dará valiosas pistas para fazer a revisão dos conteúdos e planejar as aulas do 1º bimestre.   

Por fim, minha quinta e última sugestão é explorar o que os alunos desejam aprender nas aulas do componente. Todo início de ano dou oportunidade para que escrevam um texto do que pensam a respeito da matemática e peço que destaquem o que gostariam de se aprofundar. 

Esses percepções contribuem com a minha prática. Além de ser um alerta para preconceitos culturalmente adquiridos em relação ao meu componente – que, muitas vezes, é visto como “difícil” e que “poucos tem capacidade para aprender”. Essas ideias geram medos e traumas nos estudantes. No entanto, apenas ao saber o que os alunos realmente pensam é que posso trabalhar para quebrar essas barreiras e desmistificar a Matemática como o bicho-papão. 

Essas são algumas sugestões para acolhimento e atividades para as primeiras semanas de aula de Matemática que tenho desenvolvido com meus alunos. Elas têm sido essenciais para o conhecimento da turma, assim como, dão pistas valiosas para o diagnóstico inicial, revisão dos conteúdos, planejamento e construção de projetos futuros. 

Agora é sua vez. Como têm planejado as atividades de acolhimento nas aulas de Matemática? Compartilhe conosco. Escreva nos comentários suas experiências.
 

Um abraço e até a próxima! 

Ivonete 

Ivonete Dezinho é professora há 36 anos, lecionou por 25 anos na rede estadual de Educação de Mato Grosso do Sul nos anos inicias do Ensino Fundamental e, há 19 anos trabalha com Matemática na EMEF Professor Milton Porto, em Naviraí (MS). Em 2014, foi uma das vencedoras do Prêmio Educador Inovador com o projeto “A matemática na minha vida”. Em 2018, recebeu o Prêmio Educador Nota 10 e foi vencedora da premiação popular #EsseProjetoé10 com o projeto “De pai para filho: uma abordagem do ensino da matemática nas profissões”. Em dezembro de 2018, recebeu a medalha da Ordem Nacional do Mérito Educativo pelo Ministério da Educação (MEC). Em 2020, foi a vencedora do Prêmio Educador Digital com o trabalho “Boas Práticas na Educação Remota com o projeto: Da ponta do dedo a ponta do lápis: o ensino da Matemática na modalidade remota.”

Veja mais sobre:

Últimas notícias