Blocos econômicos: o mundo em partes

Para ensinar como funciona o acirrado comércio mundial, explore o Mercosul

POR:
Tatiana Pinheiro
 Na EE República da Costa Rica, Michella Spina mostrou os efeitos nos transportes. Foto: Patricia Stavis
Na EE República da Costa Rica, Michella Spina mostrou os efeitos nos transportes

"A união faz a força", concluíram os alunos do 9º ano da EE República da Costa Rica, em Cotia, na região metropolitana de São Paulo, depois de uma sequência de aulas sobre blocos econômicos, entre eles o Mercado Comum do Sul (Mercosul). A professora Michella Spina deu prioridade a esse por ser o que mais exerce influência em nosso dia a dia.

Inicialmente, ela convidou os estudantes a refletirem sobre dois conceitos relacionados à divisão do mundo por interesses comuns: a regionalização e a globalização. Apresentou um mapa que mostra o encurtamento das distâncias por causa do avanço da velocidade dos meios de transporte. "Dessa maneira, eles perceberam que a conjuntura levou à definição de outras fronteiras que não aquelas impostas por fatores naturais, como o relevo e a vegetação", explica. A educadora ainda compartilhou uma sequência de mapas temáticos sobre diversas formas de regionalizar o mundo, como a incidência de doenças.

Após essa aula, como tarefa de casa, os jovens leram os textos Espaço Geográfico e Globalização e Globalização: Um Enfoque Geográfico, do livro didático Olhar Geográfico - Os Espaços Mundiais, 8ª série/9º ano (Fernanda Padovesi Fonseca, Gilberto Pamplona da Costa e Jaime Tadeu Oliva, 200 págs., Ed. Ibep, tel. 08000-17-5678, 77 reais), disponível na biblioteca. Além disso, trouxeram uma lista de questões para um debate.

A docente dedicou as duas aulas seguintes ao esclarecimento de dúvidas e à apresentação dos blocos econômicos em geral, como a União Europeia (UE) e a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Enquanto indicava em mapas quais países compunham cada um deles, a educadora destacava que essa é uma forma contemporânea de regionalizar o mundo e que isso é fruto do sistema capitalista financeiro avançado.

Michella solicitou novamente a leitura de textos para casa: Novas Fronteiras: Os Blocos Econômicos Regionais, O Papel dos Blocos Econômicos e Regionalização e Globalização, do mesmo livro. Ela indicou ainda perguntas e, na aula seguinte, todos socializaram as respostas.

Mercosul: uma região em construção

Produzindo um mapa, a turma pôde observar a participação do Brasil nas dinâmicas regionais. Foto Patricia Stavis. Ilustração Bruno Algarve
Os fluxos de comércio do Mercosul: produzindo um mapa, a turma pôde observar a participação do Brasil nas dinâmicas regionais

Depois da primeira etapa do trabalho, foi a vez de estudar o bloco do qual o Brasil faz parte. Na primeira das três aulas que daria sobre o conteúdo, Michella fez uma sondagem. Ela pôde comprovar que os alunos sabiam pouco sobre o assunto. Somente alguns responderam a perguntas como: "O que é o Mercosul?", "O que significa a sigla?" e "Quais países fazem parte desse grupo?". "Percebi que conheciam mais sobre a ‘distante’ União Europeia e sua moeda, o Euro, do que sobre o bloco que tem nosso país como um dos principais agentes", diz.

Em uma aula expositiva, Michella pontuou que Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai criaram o bloco em 1991. A Venezuela foi admitida em 2012 (entrada pleiteada desde 2006). Também mencionou que há países associados: Bolívia (desde 1996), Chile (desde 1996), Peru (desde 2003), Colômbia e Equador (ambos desde 2004). A docente compartilhou dados atualizados, como as divergências comerciais entre Brasil e Argentina e as perspectivas de acordo entre Mercosul e União Europeia. Outros fatos ocorridos no ano passado podem ser citados em uma aula sobre o tema: a suspensão do Paraguai por causa do impeachment-relâmpago do ex-presidente Fernando Lugo - um indício de desrespeito ao regime democrático daquele país. Vale acrescentar também que, em dezembro de 2012, a Bolívia solicitou ingresso no bloco como país membro e está em processo de adesão. Reportagens sobre o tema (disponíveis aqui, aqui e aqui) podem ser usadas para fomentar a discussão. "Com textos jornalísticos, são apresentadas perspectivas que permitem confrontar ideias", diz Davi Gutierrez Antonio, professor-coordenador de projetos da área de Geografia do Centro Paula Souza, em São Paulo.

Outra atividade interessante para discutir as questões atuais envolvendo o Mercosul é realizar uma plenária em classe. A turma pode ser dividida por países membros e associados e depois se preparar para defender os interesses da nação que representa. "Cada grupo pesquisa as vantagens e desvantagens de ingresso no bloco, desenha bandeiras e apresenta cartazes, vendendo a imagem do país, e apresenta seus projetos de integração econômica", sugere Marco Tulio Mendes Eterno, da Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Para apresentar as especificidades do bloco latino, Michella usou novamente um mapa e solicitou a leitura do texto Mercosul, presente em outro livro didático disponível na biblioteca, Geografias do Mundo - Fronteiras, 7ª série/8º ano (Marcos B. Carvalho e Diamantino A. C. Pereira, 256 págs., Ed. FTD, tel. 0800-772-2300, 98,60 reais). Além disso, orientou que os alunos fizessem uma pesquisa sobre os produtos comercializados dentro do Mercosul, indicando os sites abr.io/mercosul e abr.io/dados-omc. Com a ajuda da professora, os dados foram compilados e tabulados. Essa seria a base para a produção, em grupos de quatro alunos, de um mapa de setas contendo a representação dos principais processos de integração e dos fluxos de comércio dentro do bloco.

A relação entre Mercosul e Alca também foi analisada pela garotada. Antes da aula, Michella se debruçou sobre os textos Mercosul e Alca: Duas Propostas Diferentes?, da geógrafa Mónica Arroyo, da Universidade de São Paulo (USP), e Divisões Político-Territoriais e Integração Sul Americana: Argentina, Bolívia e Brasil, do geógrafo Pablo Ibanez, também docente da USP. Em classe, ela compartilhou as informações da leitura acadêmica com a moçada. Em seguida, apresentou a pergunta: "A consolidação da Alca prejudicaria o Mercosul?", que motivou um debate sobre os dois grupos.

Depois de representarem o comércio do Mercosul e conversarem sobre o fortalecimento dessas nações no cenário mundial, os alunos compreenderam que na guerra comercial global tem mais peso quem se une para defender os interesses de um e de todos.

1 Mundo dividido Explique que, hoje, os países podem ser divididos de acordo com interesses comuns, o que, juntamente com a globalização, explica o surgimento de blocos econômicos. Cite exemplos, como a Alca.

2 Parceria econômica Proponha uma discussão sobre os blocos existentes no mundo. Indique leituras e sugira debates sobre eles, mostrando sua localização em diversos mapas.

3 Atualidades do Mercosul Sugira um estudo do bloco com base em informações atualizadas. Compartilhe algumas reportagens e proponha a produção de um mapa sobre os fluxos comerciais do bloco.

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