Aulas de colaboração em um templo das artes

Jovens que participam de programa educativo do Instituto Inhotim, em Belo Horizonte, integram evento na galeria inglesa Tate Modern

POR:
Diana Amato, NOVA ESCOLA
Os mineiros pintam ao mover cabos em obra interativa. Fotos Diana Amato
Tela coletiva Os mineiros pintam ao mover cabos em obra interativa

Com olhares atentos, oito jovens da pequena Brumadinho - localizada a 63 quilômetros de Belo Horizonte - entraram na galeria Tate Modern, em Londres, no início de setembro. Selecionados em escolas públicas mineiras, eles participam do Laboratório Inhotim, programa educativo do instituto de arte contemporânea da cidade em que vivem. E, como parte da formação, integraram o Turbinegeneration, que promove a interação de estudantes de várias partes do mundo com artistas ingleses.

A distância, eles trocaram ideias e criaram obras conjuntas com base nessas reflexões. A diferença de idioma não foi uma barreira. Pela webcam, mostravam fotos e vídeos criados para expressar o que queriam compartilhar. Em Londres, gesticularam e montaram frases com as palavras que conhecem em inglês.

Os mineiros foram à Inglaterra participar do encontro do Turbinegeneration, conferir uma exposição que contemplava seus trabalhos e conhecer alguns dos jovens e artistas com quem haviam se comunicado por Skype e e-mail.

Os mineiros pintam ao mover cabos em obra interativa. Fotos Diana Amato

Ao caminhar pela primeira vez nos corredores da Tate, queriam compreender tudo o que viam. Pararam na máquina de desenho colaborativo criada pelos artistas brasileiros Michel Groisman e Gabriela Duvivier. Uma tela recebeu tinta conforme os jovens acionavam os cabos que liberavam as cores. A turma se divertiu e ficou admirada ao ver nascer mais uma obra coletiva.

Na sala da conferência, os alunos do 8º ano Érika Leticia Brasil Pereira e Lucas de Pádua Costa Lacerda, ambos de 15 anos, representaram o grupo. Com um tradutor, contaram suas impressões para a plateia. "Não frequento o Laboratório Inhotim para ser artista, mas por acreditar que a arte pode mudar o pensamento das pessoas", disse Érika.

Em uma sala próxima, a obra de Marília Fernandes de Jesus, 14 anos, aluna do 7º ano, ganhou destaque na exposição sobre o Turbinegeneration. Sua série Esgotar retrata uma vassoura em vários ambientes. O trabalho foi um paralelo a uma obra de jovens ingleses sobre o esgotamento de materiais. Ao ver o resultado, ela abriu um sorriso orgulhoso.

Os nove dias em solo inglês coroaram o aprendizado iniciado no Brasil e foram suficientes para a turma entender que realidades tão diferentes podem ser unidas pela arte. "As trocas de ideias fizeram a gente se abrir e querer pesquisar mais", resume Raphael Martins Pio, 16 anos, aluno do 8º ano.

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