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20 dicas culturais para aproveitar nas férias

Educadores recomendam passeios em museus, livros para viajar por palavras, e produções audiovisuais que entrelaçam histórias humanas e questões contemporâneas

POR:
Maggi Krause
Crédito: Getty Images

Já ouviu dizer que um interesse ou uma curiosidade funciona como um ímã? Tudo o que se relaciona com determinado tema acaba chegando até nós atraído pela nossa necessidade de saber ou entender mais sobre o assunto. Pois é, quem se especializa em determinado assunto está mais exposto, ou mais atento, para perceber certos conteúdos. Tal qual uma antena! Foi por isso que escolhemos consultar educadores, que são especialistas em diversas áreas, para nos indicarem produções culturais que poderiam tornar seu tempo de descanso ainda mais agradável.

O recesso escolar pode ser uma boa oportunidade para deixar um pouco de lado nossa rotina e embarcar na viagem dos outros. A proposta é justamente sair da sua própria bolha, isto é, não se fixar apenas na sua formação e beber das dicas de conteúdos culturais de educadores que estão antenados em temáticas de gênero, inclusão, relações étnico-raciais, entre outras. Confira abaixo lista e navegue sem pressa:

MUSEUS E EXPOSIÇÕES

  1. Carolina Maria de Jesus no Instituto Moreira Salles (IMS), em São Paulo

Quem indica: Priscila Elisabete da Silva, socióloga e educadora, é doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e atua com formação de professores na temática das relações étnico-raciais.

Uma página exclusiva no site do prestigiado Instituto Moreira Salles reúne acervos fotográficos, vídeos, exposição, eventos e outros conteúdos relacionados à Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de despejo: diário de uma favelada, livro lançado em 1960 em que conta o sofrido cotidiano na favela do Canindé, na capital paulista.

Se você estiver em São Paulo, a exposição sobre a vida e a obra da multiartista, que também compositora, cantora e artista circense, está em cartaz até 27 de março de 2022 no IMS Paulista. Veja como visitar presencialmente aqui: Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros.

Livros e autores para cultivar uma Educação antirracista

Conheça obras de escritoras e escritores focados na representatividade e na autoestima das crianças negras para ajudar os professores a levar temas como racismo e a cultura afro-brasileira para suas aulas.

  1. Museu Cidade da Música da Bahia, em Salvador

Quem indica: Karina Rizek, especialista em Educação Infantil e consultora associada da AVANTE.

Após uma extensa reforma que recuperou o histórico Casarão dos Azulejos Azuis, na região do Comércio, em Salvador, em setembro de 2021 foi inaugurado o mais novo museu da capital. A Cidade da Música da Bahia leva o visitante a percorrer uma experiência musical distribuída pelos quatro andares do edifício.

O programa é ideal para um passeio em família, pois agrada pessoas de todas as idades. Com recursos interativos, estações de consulta, grandes telas exibindo vídeos, é possível mergulhar em temas como A Cidade de Salvador e Sua Música, A Tropicália e A Magia da Orquestra. Uma sala exibe 260 depoimentos de pessoas importantes e representativas da música baiana. No terceiro andar, com direito a estúdio e cabine de mixagem, dá para cantar e se divertir no espaço karaokêteka. A visita precisa ser agendada no site do museu.

  1. Museu Cais do Sertão, em Recife

Quem indica: Mirtes Ramos dos Santos Melo, professora da Creche Municipal João Eugênio, no Recife (PE), uma das vencedoras do Prêmio Educador Nota 10 de 2020

Quem chega ao prédio que abriga o Museu Cais do Sertão, instalado no antigo Armazém 10 do Porto do Recife, se deslumbra diante da arquitetura, que transformou o local em centro de convivência, diversão e conhecimento. A cultura, a vida e a história do Sertão nordestino estão representadas, tendo como fio condutor a homenagem à obra do cantor e compositor pernambucano Luís Gonzaga do Nascimento, conhecido como Rei do Baião.

O museu é dividido em sete núcleos temáticos – Viver, Trabalhar, Ocupar, Cantar, Criar, Crer e Migrar – com ambientes que levam a uma experiência de imersão no belo e sofrido universo da vida dos sertanejos.

  1. Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), em Porto Alegre

Quem indica: Cristina Daudt Zeni, professora de Artes do Ensino Fundamental e Médio e coordenadora de área no IENH Fundação Evangélica, em Novo Hamburgo (RS), semifinalista do Prêmio Arte na Escola Cidadã 2021.

Um charmoso passeio em Porto Alegre, com direito a conhecer o prédio histórico restaurado e seus belíssimos vitrais, é um deleite para quem aprecia arte. O MARGS sempre oferece exposições de temáticas em paralelo ao acervo, que guarda mais de 5 mil obras do século 19 aos dias atuais, de diferentes linguagens das artes visuais – a maior parte é de arte brasileira, com ênfase na produção de artistas gaúchos.

Para 2022 está sendo planejada a exposição “Presença Negra no MARGS”, culminância do projeto iniciado em 2021 que propõe o debate e a reflexão sobre a presença e representatividade de artistas negros e negras no acervo do museu e no sistema de arte. A programação inclui conferências, palestras, encontros, cursos, debates e pode ser conferida pelo site oficial do MARGS.

  1. Museu da empatia

Quem indica: Priscila Elisabete da Silva, socióloga e educadora, é doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e atua com formação de professores na temática das relações étnico-raciais.

Jornada Empatia é uma experiência cultural totalmente online. Foi pensada para proporcionar momentos de conexão com o outro, reconhecer múltiplas identidades e sensibilizar sobre as desigualdades da sociedade brasileira. A mostra Caminhando em seus sapatos..., por exemplo, reúne 30 histórias pessoais gravadas que permitem ao ouvinte conhecer outras experiências de vida (algumas delas disponíveis em vídeos Libras). A curadoria se preocupou em mostrar representatividade de raça, gênero e socioeconômica e em dar voz a pessoas com deficiências.  

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SÉRIES

  1. Desserviço ao Consumidor

Quem indica: Fernando Barnabé, professor, formador e assessor pedagógico dos Planos de Aula de Educação Financeira de NOVA ESCOLA.

Com o título original Broken, a série da Netflix, produzida em 2019, trata das consequências de um consumo desenfreado. Os videodocumentários, que duram cerca de 1h, abordam a propaganda enganosa e a negligência na produção de produtos populares.

Qual é o verdadeiro preço dos produtos que você compra? A resposta a essa pergunta é assustadora, pois a narrativa mostra a falta de responsabilidade de certas indústrias de maquiagem, de plástico e do tabaco, por exemplo. Algumas cadeias produtivas não apenas resultam em um desserviço ao consumidor, mas em uma ameaça à vida humana e à continuidade do planeta.    

  1. Lupin

Quem indica: Cristina Aparecida Batista Liuti, professora de Anos Iniciais do ensino fundamental da rede municipal de Itapevi, SP

Nessa série original Netflix, o personagem principal Assane Diop (interpretado pelo ator Omar Sy, conhecido pelo filme Intocáveis) planeja se vingar da morte de seu pai, acusado por um crime que não cometeu. Para isso, se inspira em Arsène Lupin, o Ladrão de Casaca, personagem da literatura francesa conhecido como o Robin Hood da Belle Époque. O protagonista se torna um verdadeiro gênio do crime, usando disfarces e estratégias complexas, enquanto relembra cenas da sua infância. Para quem gosta de viajar, o cenário da ação é a Paris dos dias de hoje. Assista ao trailer aqui.

  1. Sankofa – A África que te habita

Quem indica: Dayse Gonçalves, coordenadora pedagógica e formadora de professores de Educação Infantil, é selecionadora dessa etapa no Prêmio Educador Nota 10

Nesse momento em que se procura compreender a diáspora africana, as origens e saberes dos povos escravizados, os dez capítulos dessa série brasileira têm como objetivo recuperar nossa memória. O fotógrafo César Fraga e o professor Maurício Barros apresentam uma incursão linda e cheia de poesia por nove países africanos: Cabo Verde, Guiné-Bissau, Senegal, Gana, Togo, Benim, Nigéria, Angola e Moçambique.

Cada episódio mostra a diversidade cultural e a exuberância natural de um país e revela os vínculos entre o povo brasileiro aos seus antepassados africanos. A expedição, que retoma os pontos de partida dos africanos que foram sequestrados, está disponível na Netflix e no Vivo Play. Para saber mais confira a resenha do Portal Geledés.

FILMES

  1. AmarElo – É Tudo Pra Ontem

Quem indica: Janaína Dias Felipe, coordenadora do núcleo de estudos para relações étnico-raciais da regional noroeste da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (MG).

As pessoas que, no seu dia a dia, sofrem os impactos da estrutura de hierarquias de raça, gênero e classe, com suas dificuldades e desafios, são retratadas pelas falas de Emicida nos bastidores de seu show no Theatro Municipal de São Paulo. O rapper e ativista resgata a história da cultura e dos movimentos negros no Brasil nos últimos cem anos. Segundo suas próprias palavras, “o documentário joga luz numa parte da história do Brasil que foi invisibilizada e a que nem os próprios brasileiros tiveram acesso”.

No filme, Emicida vai costurando um diálogo entre o Brasil sofrido, com feridas e cicatrizes da escravidão, e o Brasil que podemos ser, uma potência criativa, social e politicamente diversa – um país que resiste por meio da sua cultura e das expressões artísticas. Funciona como um grito de esperança que está presente tanto no álbum – premiado com o Grammy latino de melhor disco de rock ou música alternativa em língua portuguesa em 2019 – como no documentário, disponível na Netflix.

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  1. O jogo da imitação

Quem indica: Greiton Toledo de Azevedo, único brasileiro entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize de 2021, professor de matemática na educação básica pública de Goiânia, GO.

Baseado na história real do criptoanalista inglês Alan Turing, considerado o pai da computação moderna, o filme narra a tensa corrida contra o tempo do cientista e de seus colaboradores em um projeto para decifrar os códigos de guerra nazistas. O objetivo do metódico matemático, que se apoia na lógica o tempo todo e não tira o foco do trabalho, é atrapalhado por sua dificuldade de relacionamento. Só quando ele aprende a trabalhar em equipe o enigma a ser solucionado começa a se desenrolar.

O longa-metragem foi dirigido pelo norueguês Morten Tyldum e tem o ator Benedict Cumberbatch (conhecido pela série Sherlock) no papel principal. Está disponível na Amazon Prime Video e na HBO Max. Também é possível alugar o filme pelo Google Play, Apple TV, Claro Vídeo e Looke.

  1. O menino que descobriu o vento

Quem indica: Danielle Toledo Pereira, professora de Inglês e coordenadora de linguagens em escolas particulares em São Paulo (SP), é especialista em metodologias ativas e formadora de professores da Tríade Educacional.

É um grande exemplo de Aprendizagem Baseada em Problemas, já que, por uma necessidade da comunidade, o menino começa a pesquisar como construir um moinho de vento. O drama é baseado na história real do jovem autodidata William Kamkwamba, que, em meio a uma seca rigorosa do Malauí, um dos países mais pobres da África, não pôde continuar os estudos.

Ele descobriu nos livros como construir, usando materiais improvisados retirados do ferro-velho, uma turbina eólica para oferecer à família eletricidade e água encanada. Um exemplo de perseverança e dedicação, William não só mudou sua vida como escreveu um livro, que inspirou o filme, dirigido e estrelado pelo ator Chiwetel Ejiofor. Disponível pelo Netflix.

  1. O primeiro da classe

Quem indica: Lúcia Cortezdiretora da Escola Municipal Professor Waldir Garcia (que faz parte da rede de Escolas Transformadoras) e uma das vencedoras do Prêmio Educador Nota 10 em 2020.

O filme O Primeiro da Classe, dirigido por Peter Werner, narra uma história de superação do recém-formado Brad Cohen que, desde a infância, sofre com a síndrome de Tourette. A doença o faz conviver com tiques, movimentos repentinos e sons repetitivos e involuntários. Com o firme propósito de ser professor, Brad é recusado por mais de 20 escolas até ter uma chance. Uma das cenas mostra sua habilidade como professor mediador, que considera a curiosidade e os conhecimentos prévios de seus alunos. O filme é baseado em fatos reais, que também podem ser lidos em Front of the Class, livro de Brad Cohen e Lisa Wysocky.

  1. O silêncio dos homens

Quem indica: Felipe Bandoni, Assessor de Ciências da Natureza e professor de Ciências na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Santa Cruz, em São Paulo

O conceito de masculinidade tóxica –  que cria e cobra atitudes dos meninos, desde a infância, para que eles se tornarem “machões” – produz adultos enclausurados dentro de seus sentimentos, violentos e incapazes de manter relações saudáveis. Os homens se acidentam mais, têm expectativa de vida menor do que as mulheres e maior tendência ao crime (são 95% da população carcerária).

Desdobramento de uma pesquisa com mais de 40.000 pessoas, esse documentário produzido pela equipe do site Papo de Homem apresenta dados, depoimentos e análises de especialistas ligados a sociologia e à saúde mental sobre essa questão – o longa-metragem está disponível no YouTube. A produção traz fala de transformações possíveis para que o futuro das próximas gerações seja diferente. Saiba mais sobre o documentário e encontre o link para assistir aqui.

TEATRO

  1. Ledores no Breu

Quem indica: Carla Mauch, coordenadora da Mais Diferenças, ONG que defende Educação e Cultura Inclusivas

O que é ser analfabeto em uma cidade grande? Qual o valor da palavra no nosso cotidiano atual? De que forma a cultura pode servir de modo paradoxal como um mecanismo de exclusão? Quais as consequências do analfabetismo funcional? Essas perguntas norteiam o espetáculo da Cia do Tijolo, que trata das relações entre o homem sem leitura e sem escrita com o mundo.

O monólogo do ator Dinho Lima Flor, dirigido por Rodrigo Mercadante, retrata personagens que têm sua vida profundamente transformada a partir de suas relações com as letras e as palavras. O texto se inspira em obras do poeta Zé da Luz, do escritor Guimarães Rosa e no pensamento e na prática do educador Paulo Freire. O espetáculo teatral, que já teve apresentações presenciais, está disponível online, no canal de YouTube do SESC.

LIVROS

  1. As mais belas coisas do mundo, de Valter Hugo Mãe (Editora Biblioteca Azul)

Quem indica: Carla Mauch, coordenadora da Mais Diferenças, organização sem fins lucrativos que defende Educação e Cultura Inclusivas

A maestria com que o escritor português Valter Hugo Mãe tece seus textos também encanta a crianças de todas as idades nesse comovente e curto conto (o livro tem apenas 47 páginas de deleite do início ao fim), que fala de força dos afetos e da memória dos avós. As mais belas coisas do mundo são descritas pela perspectiva infantil de um menino, que, dentro do abraço do avô, procura respostas para os mistérios da vida. A narrativa tem a habilidade costumeira de Mãe de convidar o leitor a revisitar as próprias memórias enquanto transcorre a leitura. O texto é todo intercalado pelas ilustrações de Nino Cais e é seguido por uma nota do autor em que ele relata sua relação com o avô.

  1. Contos Indígenas Brasileiros, Daniel Munduruku (Global Editora)

Quem indica: Janaína Dias Felipe, coordenadora do núcleo de estudos para relações étnico-raciais da regional noroeste da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (MG).

Daniel Munduruku, autor consagrado da literatura infantojuvenil com mais de 50 obras sobre as diversas culturas dos povos originários do Brasil, defende que a multiplicidade de saberes, conhecimentos e existências dos povos indígenas precisa ser valorizada, enquanto eles mesmos mantém suas tradições e lutam pela sobrevivência. Por isso nessa obra, adequada para ler com e para as crianças, as histórias trazem um pouco da visão da herança cultural dos Guarani, Karajá, Munduruku e Tukano, entre outros. São oito contos selecionados por meio de um critério linguístico que representam a caminhada de diversos povos, retratando mitos como o roubo do fogo, a origem do fumo e depois do dilúvio.

  1. Ideias para Adiar o Fim do Mundo, Ailton Krenak (Companhia das Letras)

Quem indica: Janaína Dias Felipe, coordenadora do núcleo de estudos para relações étnico-raciais da regional noroeste da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (MG).

“Está cheio de pequenas constelações de gente espalhada pelo mundo que dança, canta, faz chover. O tipo de humanidade zumbi que estamos sendo convocados a integrar não tolera tanto prazer, tanta fruição de vida. Então pregam o fim do mundo como uma possibilidade de fazer a gente desistir dos nossos próprios sonhos. E a minha provocação sobre adiar o fim do mundo é exatamente sempre poder contar mais uma história. Se pudermos fazer isso, estaremos adiando o fim.” Esse é um trecho da obra de Krenak, um dos mais originais e importantes pensadores brasileiros, que protesta desde 1987 contra o retrocesso na luta pelos direitos indígenas.

O livro é a adaptação de duas conferências e uma entrevista realizadas em Portugal, entre 2017 e 2019. Entre as visões do autor está a de que só reconhecendo a diversidade e recusando a ideia do humano como superior aos demais seres é que poderemos ressignificar nossas existências e refrear nossa marcha insensata em direção ao abismo.

  1. O labirinto do fauno, de Guillermo del Toro e Cornelia Funke (Editora Intrínseca)

Quem indica: Denise Guilherme, professora, consultora em projetos de leitura e criadora do clube de assinaturas A Taba.

Adaptação do roteiro do premiado filme do escritor, diretor e roteirista mexicano Guillermo del Toro, a história da pequena Ofélia mistura doses de realidade com lirismo e fantasia, mostrando-nos que nossa vida tem muito mais magia do que alguns de nós conseguimos ver. Para narrar a jornada de uma menina pelo Reino dos Homens e pelo Reino Subterrâneo, del Toro faz uma parceria de peso com Cornelia Funke, premiada escritora de contos de fadas modernos e autora da trilogia Mundo de Tinta. A história principal de Ofélia é intercalada com ilustrações e contos de fadas inéditos, baseados em elementos-chave de O Labirinto do Fauno.

  1. Os anos, de Annie Ernaux (Fósforo Editora)

Quem indica: Carla Mauch, coordenadora da Mais Diferenças, organização sem fins lucrativos que defende Educação e Cultura Inclusivas.

Esse livro consagrou Annie Ernaux, que também foi professora, como uma das principais escritoras francesas da atualidade – a publicação também foi premiada em diversos países. Com uma narrativa que combina suas memórias pessoais e trechos da história contemporânea, ela consegue escrever uma autobiografia impessoal, pois cria um sujeito coletivo e indeterminado. Assim, foge do lugar comum das biografias e nos faz acompanhar uma viagem pelo tempo e por acontecimentos importantes no período retratado por ela (entre 1940 e 2006) – os insights da autora se mesclam com os fatos, tornando a leitura instigante e singular.

  1. Shakespeare e os Beatles: O caminho do gênio, de José Roberto de Castro Neves (Editora Nova Fronteira)

Quem indica: Arabelle Calciolari, uma das vencedoras do Prêmio Educador Nota 10 em 2019, é coordenadora pedagógica no Centro Internacional de Estudos, Memórias e Pesquisas da Infância, da Gestão de Educação do município de Jundiaí (SP).

O autor faz uma comparação de momentos importantes da vida desses grandes gênios: o dramaturgo que viveu no século 16 e os integrantes de uma das maiores bandas de rock do século 20, neste livro lançado em agosto de 2021. As comparações são surpreendentes! Uma delas é que Shakespeare e os Beatles não tinham medo de agradar ao público, por isso escreveram peças e compuseram músicas que as pessoas gostassem de assistir e ouvir. A outra é que eram essencialmente empreendedores: a arte servia para pagar contas e ganhar dinheiro. A genialidade também encontra similaridade na formação do poeta e dos músicos de Liverpool, nenhum deles estudou formalmente para se lançar à profissão. O livro, no mínimo, é curioso e diverte os fãs de Shakespeare e os beatlemaníacos.

Agora o único trabalho é escolher por onde começar. Boas férias!  

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