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Jornalismo

Inclusão na alfabetização: sugestões de atividades para um bom trabalho

As propostas precisam estar alinhadas desde o planejamento – e podem render momentos colaborativos e muito ricos para todos em sala de aula

PorMara Mansani

29/11/2021

Crédito: Getty Images

A Educação inclusiva nos traz reflexões e a necessidade de diferentes ações em nossas salas de aula, escolas e redes de ensino, afinal, precisamos não só garantir o direito à Educação para todos, como principalmente garantir o direito à aprendizagem para cada um dos alunos.

Logicamente que são muitos os elementos essenciais para garantir que os alunos com deficiência também avancem, como por exemplo, formação de professores, metodologias que atendam às diferentes necessidades na aprendizagem, materiais pedagógicos adequados, entre outros. Ainda assim, podemos adotar algumas ações que contribuem muito nesse processo. 

Em sala de aula, especialmente na alfabetização, precisamos, em nossos planejamentos, partir do pressuposto de que todos podem aprender, acreditando no potencial  de cada aluno, entendendo o tempo e a forma de aprender de cada um, e analisando o que impacta e o que está totalmente ligado à nossa forma de ensinar. 

Uma coisa importante para termos em mente é: se todos nós somos singulares, ou seja, se de maneira geral todos nós aprendemos de formas diferentes, precisamos fazer uso de diferentes estratégias e metodologias para oportunizar a todos a aprendizagem. Com isso, separei para essa coluna de hoje algumas sugestões nesse sentido.

Curso: Como desenvolver atitudes inclusivas em sala de aula

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Dicas para um bom trabalho de inclusão na alfabetização
 

Conforme mencionei antes, o planejamento tem um papel-chave nessa hora. Ao preparar nossas rotinas pedagógicas, levando em conta as habilidades previstas no currículo, precisamos incluir nas propostas atividades especificamente voltadas para nossos alunos com deficiência. 

O problema é que isso nem sempre acontece no dia a dia. Em muitos casos, acabamos fazendo um planejamento geral e depois adaptamos, mas o mais indicado seria um planejamento individualizado para atender essas necessidades, e podemos até ir além: uma ideia rica e produtiva é pensarmos em atividades em que os estudantes com deficiência sejam os protagonistas. 

Como exemplo, podemos destacar uma proposta de atividade, para ser desenvolvida com toda a turma, que parta  do interesse, habilidade ou talento desse aluno. Pode ser a sua história preferida, apresentada por ele de forma contada, lida, cantada, interpretada de forma teatral, numa sequência de desenhos, enfim, expressada por ele da sua melhor forma – esse pode ser o ponto de partida para ações como uma reescrita coletiva de texto por toda a turma, ou mesmo a escrita dos nomes dos personagens e outros elementos do texto. 

Caso esse estudante com deficiência não possa fazer o registro escrito da forma convencional, ele pode reconstruir toda a história fazendo uso de outras linguagens, e se possível e necessário, que faça isso contando com apoio do professor para registrar.

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Pensando na perspectiva da turma, uma proposta desse tipo envolve uma valorização e mesmo um outro olhar para esse colega, destacando que com essa prática inclusiva, todos podem aprender e fazer parte de uma construção coletiva de conhecimento. Já para a criança com deficiência, são muitos os ganhos, que vão desde a autoestima, até pontos como o desenvolvimento da linguagem e  socialização, e o próprio sentimento de pertencimento ao grupo, o que leva à inclusão propriamente dita.  Então, foco nas habilidades e potencial de seu aluno com deficiência, pois são inúmeras as possibilidades de explorá-las em sala de aula! 

Linguagens, sentidos e colaboração 

Outras possibilidades relacionadas à Educação inclusiva na alfabetização são as propostas que fazem uso das diferentes linguagens e sentidos. Já é comprovado que aprendemos de formas diferentes: algumas pessoas são mais auditivas, outras  são mais visuais, outras aprendem mais fazendo o uso de outros sentidos, então para além da escrita, dê espaço para as músicas, vídeos, o fazer com as mãos e outras partes do corpo, jogos e brincadeiras. 

Um bom exemplo disso é o fato de como as crianças aprendem o alfabeto, identificando as letras, por meio de brincadeiras cantadas. Além disso, jogos que envolvem a linguagem são ótimas estratégias para alfabetizar alunos que apresentam alguma dificuldade de aprendizagem ou alunos com deficiência. 

É válido, ainda, sempre propor atividades colaborativas, para que todos possam participar da melhor maneira possível de acordo com seu potencial e  habilidades. – essa também é uma boa maneira de trabalhar a inclusão. Por exemplo: desafie toda a turma a construir uma maquete com o tema “escola dos nossos sonhos”, pensando no que poderia melhorar na própria instituição. 

O foco de uma atividade desse tipo é o questionamento: “qual será o papel de cada aluno nessa construção coletiva?”. Nessa perspectiva, explore ao máximo a contribuição desses estudantes, seja nas ideias, seja na construção física. O que importa é justamente a colaboração, que ultrapassa as habilidades previstas no currículo para o desenvolvimento da atividade, e que acaba consolidando a mensagem de que a vida deve sempre ser assim, com a participação e contribuição de todos.

Explore o potencial do nome próprio na alfabetização

Os conteúdos desse Nova Escola Box pretendem promover reflexões a respeito do uso do nome próprio na alfabetização e apresentar sugestões de atividades para desenvolver o tema. 


Nesse contexto, reforço aqui como é indispensável pensar com antecedência nas adaptações necessárias para que o aluno com deficiência possa participar da melhor maneira possível. Essas adaptações podem ser feitas com uso de recursos tecnológicos, e com diferentes estratégias. Uma ideia interessante é que algum aluno da sala fique com a missão de ser o escriba de um estudante com deficiência; ou então, a escrita inclusiva pode ser feita com o uso de alfabeto móvel; enfim, sempre existem alternativas interessantes. 

Materiais de referência para Educação inclusiva 

Com isso, vemos que é fundamental ter em mente que precisamos dessa atenção para propor atividades lúdicas inclusivas, visando construir um ambiente onde a empatia, o amor e alegria estejam presentes, além de toda a aprendizagem. A boa notícia é que, na internet, você pode encontrar materiais incríveis para desenvolver com seus alunos. Para ajudar nessa busca, fiz uma curadoria e deixo aqui algumas sugestões, que você pode ver no box abaixo. 


Viram como algumas de nossas ações como professores podem fazer a diferença, quando pensamos em uma sala de aula inclusiva? Além do mais, é uma chance de contribuir para que a escola como um todo incorpore essa atitude – e olha que são apenas algumas indicações, imaginem tudo o que podemos fazer se tivermos as melhores condições nesse sentido. Por isso, vamos juntos, todos nós educadores, lutar por essa inclusão, cobrando políticas públicas que possam garantir o direito de todos à Educação e à aprendizagem, e também educando os nossos estudantes para consolidar a inclusão no seu dia a dia. 


Um abraço e até a próxima! 

Mara Mansani 

Mara Mansani é professora há 34 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF, no livro “Muda o Mundo, Raimundo”. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga 

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