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Gestão escolar: dicas para superar os desafios do fechamento de ano

O término do ano letivo é sinônimo de cobranças, prazos e demandas. Por isso, planejar e gerir – aos invés de centralizar – pode ser o caminho para garantir a saúde mental e o bom andamento da nossa unidade escolar

POR:
José Marcos Couto Júnior
Crédito: Getty Images

Final de ano é uma época com suas dores e delícias, não é mesmo? Pense na véspera de Natal: todo mundo tem uma lembrança inconveniente, seja uma piada do pavê, a pergunta do "como vão as namoradinhas?" ou "e esse bebê que não vem?". Por outro lado, essas festas também envolvem muito prazer e até saudosismo nesses momentos de confraternização – especialmente agora, em tempos de avanço na vacinação contra a covid-19, muitos de nós não vemos a hora de estar junto com os entes queridos (obviamente, só daqueles vacinados), celebrando Natal e Ano Novo. 

Esse turbilhão de sentimentos, uns positivos e outros nem tanto assim, me levam a fazer uma analogia desses eventos com o que significa ser um diretor no final de um ano letivo! Digo isso porque, nesse período, nós gestores também experimentamos uma mistura de sensações: em algumas horas, de satisfação e dever cumprido, e em outras, a vontade é gritar “eu não aguento mais” ou “o que eu estou fazendo aqui?”. 

Só que, permeando tudo isso, vem aquele mantra: “ano que vem, o meu plano para a escola será…”. É isso: há uma paixão que nos mantém nessas instituições, e que quase sempre vence. E assim como vestimos nossa melhor roupa nos dias 24 e 31 de dezembro, continuamos na luta gerindo nossas escolas. Dessa forma, para dar uma força na correria de final de ano, resolvi trazer para a coluna desse mês algumas dicas e sugestões para gestores em busca de um fechamento letivo sem enlouquecer (muito) – para então, em seguida, podermos desfrutar de um merecido descanso nas festas de final de ano.

Combo de cursos: Gestão Escolar

Esse combo de cinco cursos de NOVA ESCOLA engloba duas formações para coordenação pedagógica, construção de Projeto político-pedagógico alinhado à BNCC; avaliação na Educação Básica e três ações para uma boa relação entre o professor e a família


Análise de dados, balanço e planejamento
 

Tão certo como maçã na salada de maionese e as uvas-passas em mais da metade dos pratos da ceia, o final de ano de um gestor escolar é atribulado, cansativo, cheio de cobranças e de prazos (quase) impossíveis de serem obedecidos. 

Administrativamente é tempo do fechamento de contas, da organização de boletins de férias, do lançamento de conceitos, do encerramento de turmas e da migração de sistemas e alunos de uma série para a outra no ano seguinte. Pedagogicamente, precisamos organizar dois conselhos de classe (4º bimestre e recuperação), avaliar o impacto das propostas e projetos do ano vigente, elaborar as ações do ano seguinte, definir a distribuição de professores em suas respectivas seriações, e analisar se o nosso Projeto Político-Pedagógico precisa ser revisitado e/ou adaptado às novas realidades. 

Este ano, por conta da pandemia, ainda nos deparamos com a questão do ensino híbrido em parte do ano, que exigiu a realização de buscas ativas periódicas – ação que continua presente e se desdobra na necessidade de acompanhamento de casos críticos de defasagem e dificuldade de aprendizagem após um longo tempo com as escolas fechadas. 

Muito trabalho, não é mesmo? No entanto, uma das máximas que tenho repetido nas colunas anteriores é: não se gere uma escola sozinho. É necessário compreendermos os sujeitos que compõem a comunidade escolar e o nosso território educativo e, principalmente, mapearmos como viabilizar o protagonismo de todos.

Organizando o fim de ano na Educação Infantil

Esse Nova Escola Box busca iferecer sugestões para os educadores construírem um relatório final e um portfólio das crianças, além de apresentar dicas para a organização das últimas reuniões de 2020 com a equipe e com os pais e responsáveis 


Assim, agentes administrativos e secretários escolares, importantes ao longo do ano, precisam ser empoderados para tomarem decisões nesses momentos. Ter uma coordenação pedagógica que conduza a equipe docente nos conselhos de classe e que indique parâmetros avaliativos é vital. Encontrar parcerias junto aos responsáveis a fim de possibilitar uma última procura aos alunos ausentes, nos tira um caminhão das costas. E principalmente, temos que proporcionar espaço para a fala e a escuta dos sujeitos do território a respeito de suas demandas, para o planejamento do ano seguinte. 

Não, este texto não busca esvaziar a função da gestão escolar – pelo contrário: nossa presença precisa ser efetiva em todos os espaços apontados acima. Mas é neste momento que o termo “gestor” deve ser associado ao ato de gerir, e não de centralizar. Com isso, organizar nossos afazeres diários e refletir constantemente sobre qual o melhor tipo de intervenção em cada demanda, é essencial para nossa saúde mental e para o bom andamento de nossas escolas. Pensando em auxiliar nessa organização, aponto a seguir um quadro com quatro grandes eixos.

Prestação de contas: essa é a nossa função clássica no final de um ano letivo. Inclui pensar no orçamento da escola, nas possibilidades e desafios que virão, e em como a unidade escolar poderá contornar possíveis faltas de recursos. Por mais que seja possível planejar com a equipe e pensar em orçamentos participativos junto à comunidade, essa é uma ação em que o gestor encontra menos parceria e que exige nossa máxima atenção – afinal, planilhas, cálculos, comprovantes de pagamento e notas fiscais não se organizam sozinhos. 

Planejamento pedagógico anual e revisita ao PPP: boas gestões, escolares ou não, envolvem constantes planejamentos, onde se apontam metas claras, que deverão ser atingidas em um determinado período. Em uma escola, ter a base pedagógica que será desenvolvida no ano seguinte, apontando o que se espera do impacto dela sobre os alunos e a comunidade, é o mínimo a ser realizado pelo gestor, junto à coordenação pedagógica. Nesse momento, devemos elaborar projetos temáticos, e fomentar uma reflexão acerca do nosso Projeto Político-Pedagógico. A escuta ativa é essencial, já que cabe ao gestor coordenar as costuras entre as demandas da comunidade e os objetivos propostos pelo planejamento da escola. 

Organização administrativa: essa é uma das funções mais burocráticas e automatizadas vividas no final de cada ano letivo, mas também é uma das que pode nos trazer mais dor de cabeça caso não respeitemos os ritos e prazos exigidos. Uma data ou memorando ignorados podem significar a perda de um benefício, por exemplo. Então, manter um agente administrativo ou secretário escolar sempre atento às demandas é essencial para não nos desorganizarmos. Outra dica é criar um quadro de avisos na sua sala, atualizando-o no início e no final de cada dia. Essa ação simples nos permite escalonar o que é exigido para agora e o que os prazos permitem um respiro antes de realizarmos. 

Conselhos de classe: a necessidade de intervenção/participação nessa ação dependerá mais do que foi realizado ao longo do ano do que propriamente do que será executado em dezembro. O conselho de classe é um momento de reflexão e de avaliação individualizada de cada aluno, que deve ser definida de forma periódica, desde quando ele põe os pés ali pela primeira vez. Estar atento para questões que transcendem o pedagógico, pontuando elementos da vida do estudante e de sua família, pode ser a diferença entre um conceito positivo ou negativo. Estamos em 2021 e não podemos mais entender a escola como um lugar de decisões inflexíveis relacionadas a expectativas inalcançáveis. Assim, se dermos subsídio aos professores acerca da atualização e avaliação dos discentes durante o ano, o último conselho de classe não será um grande problema.

É claro que essas quatro ações não dão conta de toda a demanda que nos é cobrada nos meses finais, mas contemplam parte significativa do que precisaremos fazer para “mantermos a casa (no caso, a escola) em ordem”. Junto a elas, é preciso que encontremos brechas em nosso cotidiano para visitar as salas de aula; conversar com os professores, alunos e responsáveis; reunir-se com os outros membros da equipe gestora; e buscar feedbacks nos mais variados segmentos da comunidade a fim de permitir uma autoavaliação de nossa gestão. 

Por fim, lembram do inconveniente do clichê sobre “quando o bebê viria”, que mencionei no começo dessa coluna? Eu e a Michelle, minha esposa, particularmente sofríamos com esta pergunta até a gravidez do nosso filho João Pedro – que, para o desespero daqueles que nos questionavam todo Natal, ocorreu apenas nove anos depois do nosso casamento. Nesse meio tempo, precisamos de muito jogo de cintura para contornar essas situações – e penso que é a mesma lógica do encerramento de ano escolar: o segredo é sempre ter um pouco de improviso e de criatividade, tanto na resposta aos “sem noção”, quanto nas demandas da gestão no fechamento do período letivo.

 

Forte abraço, e um ótimo final de ano a todos! 

José Couto Jr 

José Couto Júnior é licenciado em História, tem Mestrado em Educação pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e é doutorando em Educação pela Universidade Federal Fluminense. Em 2018, foi eleito Educador do Ano no Prêmio Educador Nota 10. Servidor da Prefeitura do Rio de Janeiro há 10 anos, atua desde 2019 como diretor na Escola Municipal Professora Ivone Nunes Ferreira, no Rio de Janeiro. 

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