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Avaliação na Educação Infantil: 7 pontos essenciais segundo a BNCC

Confira questões importantes para se levar em consideração no momento da escrita e construção do registro avaliativo de bebês e crianças pequenas

POR:
Paula Sestari
Crédito: Getty Images

Estamos nos encaminhando para a etapa final de mais um ano letivo, e quero perguntar para os colegas professoras e professores: vocês também se percebem olhando para as suas crianças e observando o quanto cresceram, se desenvolveram e até mudaram ao longo desse período? Com os bebês e crianças bem pequenas, essas transformações saltam aos olhos ao longo de poucos meses. Já com as crianças pequenas, o processo tem um outro ritmo – mas da mesma forma é revelador.

Todas essas mudanças são compiladas pelos instrumentos de documentação pedagógica que temos à disposição na Educação Infantil. Na rede de ensino em que atuo, por exemplo, construímos um registro avaliativo semestral, com o intuito de compartilhar com as famílias o que foi mais significativo das vivências desse período, destacando as boas experiências, as descobertas da criança, e o modo como ela interagiu com os ambientes que foram organizados, e também com os materiais propostos, colegas da mesma faixa etária e com os adultos. 

Com isso, na nossa conversa de hoje, gostaria de enfatizar como a produção de registros como esses entrelaça a avaliação das crianças com a oportunidade do nosso desenvolvimento enquanto docentes. Para que esse entrelaçamento ocorra, é importante que tomemos como ponto de partida um conjunto de ações trazido pela BNCC de Educação Infantil. Ela define que “parte do trabalho do educador é refletir, selecionar, organizar, planejar, mediar e monitorar o conjunto das práticas e interações, garantindo a pluralidade de situações que promovam o desenvolvimento pleno das crianças”. 

Então, a partir dos verbos mencionados nesse trecho da Base, gostaria de pontuar aqui na coluna sete questões importantes relacionadas à escrita e à construção do registro avaliativo na Educação de bebês e crianças pequenas.

Avaliação, Leitura e Jogos 

Esse combo une três cursos completos que vão trabalhar com o seguintes temas: como fazer uma avaliação de qualidade; como planejar atividades de leitura; e como trabalhar com jogos na Educação Infantil 

  1. Refletir

De fato, é muito importante refletir sobre todo o percurso, e sob a ótica das vivências que foram promovidas para que as crianças tivessem a oportunidade brincadeiras e interações de qualidade. Nesse processo, é preciso revisitar tudo o que foi construído e fazer as indicações do ponto de vista de como a criança se envolveu, conviveu, brincou, participou, explorou, se expressou e conheceu-se. 

  1. Selecionar 

A partir dos registros que foram feitos durante todo o percurso, como fotos, vídeos, materiais escritos, é essencial selecionar aquelas situações que revelam participação ativa da criança, suas hipóteses, constatações e interesses. Como o verbo bem indica, esse deve ser um processo de seleção, que envolve criteriosidade, empatia e sensibilidade, já que aqui a lógica é qualidade em lugar de quantidade de registros. 

  1. Organizar 

É preciso ordenar os registros e demais produções do período de maneira a conseguir contar uma história desse processo. Essa organização, quando amparada no ato reflexivo, contribui na própria formação docente, já que é possível verificar se os mecanismos de registros deram conta de evidenciar o trabalho em grupo e as individualidades, e também analisar se o material teve foco no registro do processo de ensino (portanto, olhou apenas para o que o professor executou), ou se foi devidamente elaborado na perspectiva das aprendizagens das crianças – e consequentemente, no modo como elas vivenciaram todo o processo. 

  1. Planejar 

É fundamental planejar os mecanismos de registro, sempre observando a eficiência dos instrumentos que já foram utilizados, para que assim se tenha elementos substanciais que garantam um documento avaliativo condizente com o histórico e com o percurso do grupo e de cada criança. 

Esse ponto que aborda o ato de se planejar é bem relevante porque, afinal, a avaliação deve ser uma constante na ação do professor: primeiramente, no sentido de se autoavaliar; depois, no de avaliar se os instrumentos de registro favoreceram a organização da documentação pedagógica; e por fim, deve-se verificar quais interferências ocorreram ao longo do processo avaliativo e que poderiam ter sido mediadas de outra forma. E para darmos conta de olhar para tudo isso, é preciso, antes de qualquer coisa, planejamento.

Para avaliação na Educação Infantil 

Esse Nova Escola Box pretende ajudar professores e professoras da Educação Infantil a fazer registros de qualidade das atividades na escola, com o objetivo de avaliar a própria prática e também o desenvolvimento das crianças. 

  1. Mediar 

No registro avaliativo, devem constar: as situações de ação da criança que garantiram que ela exercesse sua atividade de maneira livre e espontânea; quais situações entre essas favoreceram boas aprendizagens; e ainda, em que momentos a criança superou desafios, esteve envolvida na resolução de pequenos conflitos, e quais estratégias utilizou nesses contextos. Dentro desse contexto, é importante pensar na ação da criança também como resultado da forma como a proposta foi mediada pelo professor – desde a introdução até as continuidades e possíveis desdobramentos que ocorreram. 

  1. Monitorar 

No apanhado dos registros que foram produzidos ao longo do período letivo, é indispensável monitorar alguns pontos, como: quais situações potencializaram o protagonismo da criança; quais foram as oportunidades de ampliação de repertório; e também quais vivências contemplaram seus interesses, e valorizaram a cultura e as próprias questões sociais. 

Essa ação se faz importante para que o professor construa o registro avaliativo pensando também no que poderia ter sido contemplado, estruturando um olhar mais global a partir dos objetivos de aprendizagem e do desenvolvimento dos campos de experiência. 

  1. Garantir 

Por fim, precisamos sempre garantir que o registro avaliativo comunique à família os movimentos, ideias e a evolução das potencialidades dos bebês e crianças pequenas, sempre abrindo a oportunidade para que os familiares também apresentem as suas impressões (na nossa instituição, por exemplo, é anexado na avaliação um espaço para que as famílias façam seus comentários). 

Com essa atitude, conseguimos também assegurar, aos docentes que vão dar continuidade no trabalho com a criança nos próximos períodos, o acesso ao histórico de seus avanços, seus principais interesses, seus marcos e assim, eles poderão conhecer um pouco sobre quem é essa criança e como poderão organizar processos que sejam mais contínuos do ponto de vista das práticas a serem propostas.

Curso intensivo - metodologias ativas 

NOVA ESCOLA preparou um intensivo de cursos sobre Metodologias Ativas, comandados pela professora e especialista Lilian Bacich, que vão ajudar você, professor, a facilitar o protagonismo do aluno e a motivá-lo na construção de seu conhecimento. 


Por fim, caro professor e professora, desejo que nessa reta final, vocês consigam consolidar instrumentos avaliativos que funcionem como elementos de consulta, ajudando a comunicar com clareza os avanços dos bebês e das crianças pequenas – e que olhem com certo rigor para o trabalho que foi desenvolvido, aproveitando para definir e organizar estratégias para os próximos registros avaliativos com base nas deficiências encontradas, e também naquilo que já foi exitoso para a elaboração dessa narrativa. Nunca se esqueçam: avaliação é processo, e tem enorme potencial formativo para o docente.

 

Um abraço e até breve. 

Paula Sestari é professora de Educação Infantil da rede municipal de ensino de Joinville (SC), com 10 anos de experiência nessa etapa, e mestre em Ensino de Ciências, Matemática e Tecnologias. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, e foi eleita Educadora do Ano com um projeto na área de Educação Ambiental com a faixa etária das crianças pequenas.