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9 dicas para os professores fecharem o ano com os alunos

Confira o que os educadores não podem deixar de verificar e organizar para finalizar 2021 e fazer a transição para 2022

POR:
Selene Coletti
Crédito: Getty Images

Faltando menos de um mês para finalizar o ano letivo, é hora de pensar o que ainda é possível fazer para que a turma avance e o que nós, professores, temos de garantir para encerrar um ano cheio de singularidades como o de 2021.

Lembrando sempre que, conforme Philippe Perrenoud propôs, o aluno não é nosso, mas sim da escola. É a partir desse olhar que separei nove dicas para estarmos atentos e atentas durante o fechamento do ano. Vamos lá?

1. Analise o percurso até o momento: como já conversamos anteriormente é importante fazer uma análise do que nossos alunos já sabem e do que ainda precisam saber e deve ser incluído no planejamento de 2022.

2. Pense nas atividades do final do ano. A partir dessa verificação, ainda é possível propor atividades que permitam o desenvolvimento da alfabetização matemática.


Por exemplo, se na sua turma há crianças que não conseguem conservar quantidades ou mesmo contar sequencialmente, é importante pensar em propostas que permitam essa construção. Uma possibilidade é trabalhar com estes alunos os “amarradinhos”. Para tal, forme grupos com estes alunos e distribua palitos de sorvete e elásticos – para obedecer aos protocolos sanitários, as crianças devem passar álcool nas mãos toda vez que manusearem os materiais. Uma amiga professora fez esta proposta utilizando tampinhas, saquinhos e elásticos, é outra possibilidade de objetos que facilitam a higienização.

Inicialmente disponibilize um dado, peça para que o lancem e peguem a quantidade de materiais conforme o número que saiu na jogada. Toda vez que formarem dez palitos (ou do objeto utilizado) devem prendê-los com um elástico – daí vem o nome amarradinhos. Ao final do número de partidas combinadas, devem contar as quantidades obtidas, marcar numa tabela e analisar quem foi o vencedor. Socializem as experiências e peça para que expliquem as estratégias adotadas. Durante as jogadas não esqueça de trazer questionamentos para que os alunos avancem nas aprendizagens.

Em outro momento é possível revezar os grupos e aumentar o número de dados que devem lançar a cada jogada. O importante nessa proposta é verificar como cada um pega o resultado dos lançamentos dos dados – se contam várias vezes reiniciando a contagem ou se conseguem reconhecer a quantidade obtida.

Para os alunos que já dominam essas habilidades, é possível propor outras atividades que possam realizar com maior autonomia. Uma possibilidade é propor um jogo que envolva outros conteúdos e solicitar que registrem o que fizeram. Depois não deixe de problematizar e socializar as informações obtidas.

Outra possibilidade é propor que a turma construa jogos de percurso em grupos – essa proposta surtirá mais resultados se o jogo já esteve presente em sala. Divida-os pensando nas necessidades de cada um, proponha que construam o percurso a partir de um tema, que enumerem as casas e coloquem os obstáculos – confira aqui sugestões de como construir jogos com poucos recursos. Em seguida peça que escrevam as regras do jogo. Veja só que eles estarão trabalhando com habilidades de Língua Portuguesa e Matemática.

Também dá para pensar em propostas envolvendo a resolução de problemas. Retome esse gênero textual, levante suas características e proponha que, em duplas ou grupos, escrevam situações-problemas envolvendo as 4 operações – ou uma delas. Depois, solicite que revisem os textos e troquem entre os grupos. Na sequência, socializem as soluções. Esta é outra oportunidade para aliar a Matemática e a escrita.

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3. Organizar os portfólios com os alunos:
como professora sempre utilizei esta estratégia para registrar o percurso das minhas turmas. Cada aluno escolhia, dentre as atividades do bimestre, aquelas que eles achavam ser a melhor, a que mais representava o quanto haviam aprendido. No início, era um pouco difícil, mas durante o ano se tornava mais fácil. Com as escolhas feitas, organizava um texto escrito para que os responsáveis pudessem entender o que havia sido trabalhado e o que havia sido elencado pelo aluno.

As demais atividades, que não haviam sido escolhidas, eu reunia em uma encadernação com os tópicos trabalhados para serem entregues às famílias. Era bastante trabalhoso, porém o resultado era também bastante gratificante! Se você, assim como eu, adora fazer registros fotográficos, poderá organizá-los e disponibilizar para a turma.

O portfólio permite ter uma análise mais detalhada do que cada um estava aprendendo e do que ainda precisava aprender. A documentação traz informações importantes para o professor que pegar aquela turma no próximo ano, por isso não deixe de compartilhar o material.

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4. Finalize o(s) projeto(s) do bimestre:
se você trabalha com projetos, imagino que já esteja finalizando, buscando a melhor forma de compartilhar o produto final com toda a turma e a escola. Como legado do ensino remoto, que tal criar um mural virtual como, por exemplo, no Padlet para levar aquela experiência para um número maior de pessoas?

5. Proponha que os alunos façam uma autoavaliação: falamos sobre o assunto na última coluna. Se ainda não tem essa prática, te convido a experimentar. Este tipo de avaliação traz muitos subsídios para que você trace o perfil final da turma – confira também esta reportagem com dicas que podem ser adaptadas para o contexto presencial ou remoto.

6. Retome seus registros: reveja as suas anotações e demais registros feitos ao longo deste ano. Faça o mesmo com os portfólios e materiais dos alunos. Este exercício te ajudará a produzir o relatório final e orientar as ações no conselho de classe. Também ajudará o professor do ano seguinte a ter uma visão do que os alunos já sabem e ainda precisam saber.

7. Finalize o diário de classe e demais documentações: tem também esta parte um pouco “burocrática”, mas necessária. Garanta que ela esteja em dia para poder fechar o ano.

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Nesta reta final de 2021, preparamos uma série de reportagens gratuitas para ajudar professores e gestores a enfrentar os principais desafios para encerrar mais este ano atípico.


8. Limpe os armários e organize seus materiais:
aproveite para separar as diferentes propostas que deram certo (e podem ser aproveitadas no próximo ano) e aquelas que precisam ser revistas. Jogue fora o que não vai mais usar. Deixe que a energia circule e crie novos espaços para 2022.

9. Faça a sua autoavaliação: assim como os alunos, a partir de tudo o que você registrou e organizou, faça uma reflexão do seu trabalho ao longo deste ano. Analise os pontos que deram certo com a turma e aqueles que podem ser melhorados. Registre suas reflexões e as muitas aprendizagens construídas no decorrer de 2021. Com isso, você verá o quanto fez, que com certeza, foi muito!

O ano está no fim, mas ainda há muito trabalho pela frente. Mas tenho certeza conseguirá “tirar de letra” como costumamos dizer, não é mesmo?


Abraços e até a próxima,

Selene

Selene Coletti é professora há 40 anos na rede pública. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

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