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Gestão escolar: checklist para a reta final de 2021

No fechamento do ano letivo, coordenadores e diretores apontam as tarefas e demandas que devem estar no radar da equipe

POR:
Paula Salas
Crédito: Getty Images

Avaliações, reuniões com os responsáveis, conselhos de classe, planejamento e muitas outras demandas surgem no fim do ano nas escolas. Após um período atípico como o de 2021, a essas tarefas se juntam uma série de novos desafios. Em alguns casos, essas demandas se entrelaçaram com o retorno presencial, deixando o cenário ainda mais complexo.

Foi esse o caso da Escola Estadual Doutor Pompílio Guimarães, em Leopoldina (MG). “O fim do ano já é muito tenso sem a pandemia, porque é o fechamento de uma série de coisas. Além dessa rotina, temos de lidar com a obrigatoriedade do retorno [presencial] no último mês do ano”, explica o diretor da Pompílio, João Paulo Pereira de Araújo.

Assim como a escola mineira, muitas outras também viveram, no segundo semestre deste ano, o tão aguardado retorno presencial, integralmente ou no formato híbrido. Com isso, foi possível começar a ver resultados das ações pedagógicas e dar início ao processo de recuperação das aprendizagens. No entanto, com o fim do ano letivo, é preciso pausar esse trabalho para avaliar o que foi realizado e planejar o que ficará para 2022. “Estamos interrompendo um ciclo. Ainda não conseguimos nos habituar ao retorno. É um fechamento diferente de outros anos”, aponta João Paulo.

Nesse contexto, conversamos com sete gestores de escolas públicas para pensar nas demandas que surgem no fim do ano. Reunimos tarefas que estão mapeadas pelos educadores e os caminhos para cumprir as entregas que são de responsabilidade da coordenação, da direção e, ainda, as que são compartilhadas.

PARA OS COORDENADORES

Formação de professores

Monica Bordon, coordenadora na Escola Municipal Jardim Lúcia, em Sumaré (SP), diz que os coordenadores não devem terminar o ano sem verificar se foram cumpridas todas as formações que estavam previstas. Eles também podem começar a planejar as primeiras formações de 2022.

Na Escola de Ensino Fundamental Infante Dom Henrique, na capital paulista, esse trabalho já está sendo feito. Para o começo do próximo ano, Fabiana Raposo, coordenadora na instituição, prevê que a equipe discuta como usar recursos digitais a favor da aprendizagem. “Foi [um aspecto] desafiador neste ano, mas já está sendo planejado para o próximo. Vamos pensar em projetos relacionados a tecnologia.”

É importante também garantir os registros e a documentação do conhecimento que foi construído durante as formações na escola. Murilo Cassimiro, coordenador na Escola em Tempo Integral Prefeito João Lyra Filho, em Caruaru (PE), conta que gostaria de montar um material com as ideias e sugestões que surgiram ao longo de uma formação sobre como avaliar os alunos. Esse documento servirá de apoio para os professores novos e de consulta para quem já estava na escola.

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Avaliações internas e externas

Murilo também diz que tem sido muito difícil avaliar. “Não é justo medir [o desempenho dos alunos] de apenas um jeito, porque cada um viveu a pandemia de uma maneira. Por isso, precisamos repensar a forma de avaliar”, ressalta. Confira aqui uma reportagem sobre como fazer as avaliações em 2021.

Além de apoiar os professores na decisão de como fazer essa verificação, os coordenadores também têm as demandas das avaliações externas, como o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) ou aquelas que vêm das secretarias. Por isso, é necessário garantir um plano para a preparação dos alunos para essas provas. Na Escola Municipal Prof. Waldir Garcia, em Manaus (AM), esse aspecto já está bem planejado. “Todo o grupo está focado no Saeb para preparar as crianças e mostrar [a elas] a importância [da avaliação]. Não mudou muito de como fazíamos antes”, pontua a coordenadora Amanda Freitas.

O trabalho posterior às avaliações também é central. “É papel da coordenação analisar os resultados para planejar com os professores as estratégias de recuperação”, completa Fabiana.

Autoavaliação dos docentes

Neste fim de ano, outro ponto de atenção da coordenação é o desenvolvimento da sua equipe docente. Ter um momento de reflexão sobre a prática docente e garantir que cada professor possa fazer uma avaliação do seu trabalho durante o ano – compartilhando pontos positivos com os colegas e identificando aqueles que podem ser melhorados – trazem insumos para planejar o próprio trabalho do gestor em 2022. “Com a autoavaliação, o coordenador consegue identificar [por exemplo] o que pode ser reforçado nas formações”, exemplifica Amanda.

Planejamento de 2022

Com base nas experiências de 2021, nas avaliações e no parecer de professores, alunos e famílias, a coordenação deve começar a pensar no planejamento pedagógico para o próximo ano letivo. Especialmente, em relação a como organizar o trabalho de recuperação das aprendizagens que ficaram para trás ao longo da pandemia.

“Temos mapeado as dificuldades e defasagens, mas não conseguimos suprir essa demanda este ano. [No entanto,] vamos deixar tudo encaminhado para iniciar o próximo ano sabendo quais alunos precisam de um cuidado maior”, conta o coordenador Murilo. “Ao começar o ano, parece que iniciamos do zero, perde-se muita informação. A ideia é deixar isso mais organizado para começar focado nas dificuldades e no que cada um precisa”, complementa.

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Validação de documentos

Para fazer o fechamento do ano, a coordenação também precisa validar alguns documentos. No caso de Monica, de Sumaré (SP), ela tem de validar e garantir que os diários de classe de cada turma estejam em dia. Além desses diários que vão para a Secretaria, há materiais que ficam na escola, como os registros das atividades que foram realizadas durante 2021 e os pareceres dos professores sobre o desenvolvimento de cada aluno, que devem estar atualizados e organizados. “Os professores registram em um caderno físico e [também sobem no] drive da escola”, explica a coordenadora. Dessa forma, fica um material para consulta de outras pessoas da equipe.

PARA OS DIRETORES

Prestação de contas

Não é possível pensar no trabalho pedagógico sem um orçamento para viabilizá-lo, o que inclui desde a aquisição de materiais até a garantia da merenda. Cada rede tem um cronograma de entrega do orçamento para 2022. Enquanto algumas já terminam o ano com a previsão e o planejamento dos gastos para os próximos 12 meses, outras fazem a reprogramação de verbas que não foram utilizadas em 2021, mas que serão usadas no ano seguinte, ou apenas o balanço financeiro e a comprovação de gastos.

Por isso, é fundamental estar atento às datas da sua rede para garantir os prazos e não ter nenhum problema no próximo ano. “Imagina ter o caixa escolar bloqueado no início do ano e não ter merenda? Imagina o caos”, alerta o diretor João Paulo, de Leopoldina (MG).

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Inventário e planejamento dos espaços para 2022

O orçamento para o ano seguinte deve envolver também a organização e o planejamento dos espaços escolares. Para levantar as melhorias necessárias ou mesmo a compra de materiais – especialmente em um contexto em que ainda será essencial adotar medidas de segurança contra a covid-19 –, é preciso repensar cada espaço, desde o refeitório e o pátio da escola até o laboratório.

Também é comum que no fim do ano seja realizado o inventário [relação dos bens] da escola – trabalho que também passa pela validação do diretor.

Atribuição das salas e organização dos horários

Não é possível pensar no planejamento de 2022 sem considerar a composição da equipe escolar, fazer a atribuição de turmas e definir os horários dos professores. Para Rubia Dias, diretora na Escola de Ensino Fundamental Suzete Cuendet, em Vitória (ES), também é importante se preparar para a recepção dos novos professores que chegarão no próximo ano letivo. “Eu gosto de sentar com eles para explicar a rotina escolar”, conta.

PARA FAZER EM PARCERIA

Na prática, há muitas tarefas da gestão que são compartilhadas entre coordenação e direção ou realizadas com o apoio dos professores, funcionários da escola, famílias e alunos. Por isso, os educadores também destacaram essas tarefas que demandam o olhar de toda a equipe escolar.

Conselho de classe

Para Murilo, de Caruaru (PE), a gestão deve garantir que o conselho de classe seja mais significativo e não um lugar para aprovar [os estudantes] ou não. “É importante que seja um momento para trazer as dificuldades e potencialidades [dos alunos e do trabalho docente]”, explica.

Para tal, a gestão deve apoiar e orientar os educadores para que se preparem para o conselho, garantir a participação – ou colher previamente os pareceres – de alunos e responsáveis e organizar um momento para o grupo refletir e fazer um balanço de 2021.

Revisão dos documentos da escola

O planejamento de 2022 também é o momento de revisar o projeto político-pedagógico (PPP) da escola. Na instituição onde João Paulo atua, a revisão do documento acontece três vezes ao ano. O momento do fechamento é a hora de rever o que está proposto, estabelecer metas para 2022, verificar o que já foi possível atingir e o que mudou. “Já pegamos o PPP e começamos a pesquisar com os alunos para [colher contribuições]”, comenta o diretor. Nos últimos três dias de trabalho, professores, equipe gestora e funcionários se reúnem para olhar para o PPP, fazer a autoavaliação e começar o planejamento das ações – trabalho que será concluído no início do ano seguinte.

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Esse também pode ser um bom momento para olhar para o plano institucional, documento que estabelece objetivos, prazos e tarefas para melhorar ou resolver uma questão da escola. Esse plano de ação orientará o trabalho da gestão, em parceria com a comunidade, no próximo ano – saiba aqui como tirar esse plano do papel

Outro documento que deve ser revisitado é o regimento escolar, que traz as regras de funcionamento da escola. A gestão deve pensar em mudanças ou pontos que devem ser acrescidos ou retirados desse manual. No início do ano, é possível consolidar essas alterações, apresentar o documento para a comunidade e discuti-lo.

Avaliação institucional

Em algumas escolas, como na instituição onde a coordenadora Monica trabalha, é comum que, no fim do ano, seja realizada uma avaliação institucional, em que todos os educadores e funcionários avaliam o que foi alcançado e o que pode ser melhorado. Essa avaliação também serve para mapear novas demandas. Nesse momento, a equipe de professores faz uma verificação da experiência em quatro frentes: relacionamento com as famílias, com os alunos e com a gestão escolar, além de uma autoavaliação de sua prática docente.

Busca ativa

No contexto da pandemia, a busca ativa foi uma prática muito importante e, no fechamento do ano, não se pode descuidar das ações para atrair os alunos para a escola e garantir o retorno deles no período seguinte. “Continuamos fazendo visitas às casas desses estudantes para tentar ajudá-los e fazer com que retornem. O objetivo é entender a situação e trazê-los de volta. Temos de pensar em estratégias para mantê-los na escola e continuar a recuperação das aprendizagens”, diz Fabiana, de São Paulo (SP). Essa também é uma meta de Murilo: “Quero recuperar os alunos que ainda não retornaram. Não depende só da escola, [mas desejo] continuar fazendo o melhor”.

Atendimento às famílias

Apesar das muitas dificuldades deste período, a aproximação entre famílias e escola e a construção de uma nova relação é um legado que não pode ser perdido. Por isso, é importante que a gestão pense em formas de levar essa parceria para o próximo ano. “Tem um trabalho que foi feito ao longo da pandemia e que podemos dar continuidade. [Por exemplo,] manter os grupos de WhatsApp como uma comunicação direta [das famílias] com a gestão escolar”, sugere João Paulo.

Além disso, cabe à equipe pedagógica organizar o atendimento das famílias, garantir as devolutivas do conselho escolar, apresentar o plano de ação para os alunos e tirar as dúvidas que aparecerem. Também podem surgir questionamentos sobre o funcionamento da escola no próximo ano. Por isso, é fundamental ter um olhar cuidadoso e um tempo na agenda para as reuniões com os responsáveis.

Foco no acolhimento e no bem-estar da comunidade

O fechamento de um ano atípico com tantas perdas e desafios deve incluir um cuidado especial com o aspecto socioemocional de toda a comunidade escolar. “Já tínhamos antes uma preocupação com o emocional, agora triplicamos o olhar acolhedor [para os estudantes e suas famílias]. Temos de reconhecer cada um com suas histórias, deixar de lado a questão da nota, da burocracia. Sabemos que temos de entregar [as demandas burocráticas e administrativas], mas hoje não é mais importante”, destaca a coordenadora Amanda, de Manaus (AM).

João Paulo salienta a relevância de cuidar da saúde mental e física de professores e funcionários. “[Temos de garantir] que o fechamento da escola no fim do ano não vai nos enfraquecer, mas sim, potencializar as energias que precisamos para começar um 2022 com as escolas abertas e fazendo o trabalho que temos de fazer: transformar vidas [com a Educação]”, finaliza o diretor.

Este conteúdo faz parte de uma série especial sobre como planejar o fechamento do ano. Confira as demais reportagens aqui.

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