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Conectividade nas escolas públicas: como fazer?

A conectividade é essencial para uma educação de qualidade, mas como levá-la a todas as escolas públicas brasileiras?

POR:
Marise De Luca, Alessandra Gotti
Crédito: Getty Images

Conectividade tem sido um tema recorrente nesta coluna. Por um lado, ela é fundamental para uma Educação de qualidade nos tempos atuais, como já dito em abril neste espaço. Por outro, o Brasil tem uma realidade de imensa desigualdade no acesso à internet, a equipamentos e à formação para uso das tecnologias digitais na Educação, pauta que tem sido negligenciada pelo governo federal, como abordado na coluna de setembro

O Censo da Educação Básica 2020, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ani?sio Teixeira (Inep), revela que parcela significativa do total das escolas públicas em atividade no Brasil declararam não ter acesso a? internet. E, mesmo dentre as conectadas, a internet é restrita ao uso administrativo e não disponibilizada nas salas de aula.

Fonte: NIC.br, a partir de dados do Censo da Educação Básica 2020. Crédito: reprodução/ Guia de Conectividade na Educação

Já a pesquisa TIC Educação 2020 buscou levantar as principais razões para entender por que as escolas brasileiras não possuem conexão a? internet. Dentre os motivos, destacam-se a falta de infraestrutura escolar para receber acesso a? rede, a falta de infraestrutura na região onde a escola se localiza e o alto custo da conexão.

Fonte: Pesquisa TIC Educação 2020 (Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2021). Crédito: reprodução/ Guia de Conectividade na Educação

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Como mudar esse quadro?
A resposta a essa pergunta não é nada simples. Em primeiro lugar, há o desafio inicial de obter uma informação precisa da conectividade nas escolas públicas, já que a base, até então, da informação era declarada pelos gestores escolares. Em segundo lugar, há a dificuldade de saber como e o que de fato contratar para a inclusão digital ser uma realidade.

Para apoiar os gestores(as) públicos(as) nos diferentes níveis e esferas administrativas a viabilizar conectividade adequada para todas as escolas públicas brasileiras surgiu, em 2020, uma importante iniciativa da sociedade civil: o  Grupo Interinstitucional de Conectividade na Educação (GICE).

Sob a coordenação técnica do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) e do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o GICE é formado por órgãos governamentais, operadoras, provedores regionais, empresas de tecnologia, associações e organizações do terceiro setor interessados em construir soluções técnicas para os desafios de conectividade da educação pública no Brasil.

O primeiro produto coletivo desse grupo foi o Mapa da Conectividade na Educação, lançado em março de 2021, que traz um retrato mais completo da conectividade nas instituições de ensino. A sua principal fonte de informações é o Medidor Educação Conectada, desenvolvido pelo NIC.br para o Ministério da Educação (MEC), que permite à escola medir a qualidade de sua conexão com precisão.

O segundo produto traz orientações importantes sobre “como fazer” para contratar conectividade para as escolas, com referenciais de parâmetros de infraestrutura, distribuição de equipamentos e sinal nas instituições de ensino, alternativas de financiamento e modelos de contratação a partir do diagnóstico obtido. Trata-se do Guia de Conectividade na Educação, lançado em setembro, que você pode fazer o download nesse link.

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Passo a passo para a conectividade nas escolas

Segundo o Guia de Conectividade na Educação, são quatro passos necessários para implementar a conectividade em uma escola:

1. Diagnosticar a conectividade.

Feita com apoio do Mapa de Conectividade na Educação, esse passo busca identificar a qualidade de conexão, cobertura, recursos disponíveis e tecnologias existentes, por meio da resposta às seguintes perguntas:

  • Existe conexão à internet e ela é utilizada para aprendizado?
  • Qual a qualidade dessa conexão?
  • Quais os ambientes da escola que já estão conectados?
  • Qual é a situação da infraestrutura física da escola?
  • Qual é a capacidade da rede interna atual da escola?

2. Planejar a contratação de conectividade.

Nesse passo são apresentadas as soluções mais adequadas e viáveis para conectar escolas a partir das tecnologias disponíveis, as soluções mais adequadas (considerando viabilidade econômica, infraestrutura, usos e sustentabilidade) e o custo-benefício.

Esse é o momento de entender que tipos de instituições podem ofertar conectividade e como encontrar fornecedores para as escolas da região. O Guia busca ajudar os(as) gestores(as) a entender quais são os produtos e serviços que compõem a solução de conectividade para que ela funcione de maneira continuada, ou seja, quais são os equipamentos necessários e para que servem.

É nessa etapa de planejamento que são definidos quais os ambientes e espaços serão conectados e quais os parâmetros de velocidade e qualidade da conexão desejados, bem como modelos de distribuição interna do sinal, de modo que possa ser calculado o quanto de conectividade as escolas da rede necessitam. Se por algum motivo não for possível conectar todos os espaços pedagógicos da escola ou contratar toda a velocidade almejada, devem ser priorizados alguns ambientes e usos para a primeira fase e deixados os demais para as fases posteriores. Assim e? possível começar já? a necessária jornada da conectividade na Educação.

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3. Contratar a conectividade.

Nesse momento  é definida a estratégia em si de aquisição de conectividade (o que contratar e como contratar), a partir da análise das formas e modelos de contratação, aliada à identificação das fontes de recursos e políticas de financiamento.

A definição dos recursos a serem utilizados depende do que se quer fazer no curto, médio e longo prazo. As verbas para conectividade podem vir de fundos, programas ou fontes federais, estaduais e municipais, assim como de instituições de financiamento públicas ou privadas, nacionais ou internacionais ou de outros tipos de instituições privadas.

O Guia apresenta uma lista de alternativas explicando o que é, quem faz a gestão e como os recursos podem chegar às escolas. Aborda também modelos que incluem o setor privado.

4. Monitorar a conectividade.

Essa etapa envolve a definição de indicadores de desempenho a serem monitorados para assegurar o funcionamento e o impacto da solução de conectividade contratada, bem como o gerenciamento da rede, dos dispositivos e dos riscos para garantir o uso responsável e seguro da internet na escola.

É também neste item que se define o monitoramento do uso responsável e seguro, incluindo filtragem de conteúdo, conformidade e privacidade.

O objetivo, após o passo a passo, é que  a instituição de ensino tenha a melhor qualidade de acesso à internet disponível na região em que está inserida, o que permitirá, inclusive, que ela seja um eixo de conectividade para beneficiar o desenvolvimento de todo o seu entorno. Não há como conceber uma sociedade digital sem escolas plenamente conectadas.  

 

Alessandra Gotti é fundadora e presidente-executiva do Instituto Articule. Doutora em Direito Constitucional pela PUC/SP. Foi Consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e do Conselho Nacional de Educação (CNE).

Marise De Luca é conselheira do Instituto Articule. Especialista em Tecnologia de Informação e Telecomunicações. Executiva e consultora no setor no Brasil e América Latina. Foi Consultora para o Guia Conectividade na Educação – passo a passo para a conectividade das escolas brasileiras. 

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