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Blikstein: “Ferramentas tecnológicas devem ser usadas quando há um propósito pedagógico e não porque são novas ou modernas”

Pesquisador e professor da Universidade de Columbia defende uso da tecnologia para coletar dados, explorar conceitos e criar soluções, aspectos que colocam os estudantes como protagonistas da aprendizagem

POR:
Camila Cecílio
O pesquisador Paulo Blikstein. Crédito: Divulgação

Antes da pandemia da covid-19 paralisar o país e o mundo, muitas pessoas vislumbravam um futuro em que a tecnologia faria cada vez mais parte da rotina escolar. Mas a crise sanitária escancarou as desigualdades sociais, sobretudo em um Brasil onde 21,7% da população com idade acima de 10 anos não têm acesso à internet, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, realizada no final de 2019. O estudo também mostrou que somente 43% dos estudantes da rede pública acessam a internet pelo computador, recurso fundamental para um bom acompanhamento das aulas, frente a 81,8% na rede privada. 

“A tecnologia educacional no Brasil tem aspectos muito curiosos. Se você for nas escolas de elite, verá diversos tipos de tecnologias: de infraestrutura, de ensino e de criação e experimentação. Agora, se você for nas escolas públicas, quando tem tecnologia, a maioria tem apenas um pouco de cada um desses tipos e quase nada de tecnologia de criação [que coloca os estudantes como protagonistas do processo de aprendizagem]”, observa Paulo Blikstein, pesquisador em novas tecnologias para a educação e professor na Universidade de Columbia, em Nova York (EUA). 

Há pelo menos 15 anos, Paulo tem pesquisado, em escolas de países como Estados Unidos, Finlândia, Austrália, China e no próprio Brasil, sobre como levar tecnologias para a escola de forma sustentável e que dê conta dessas três dimensões que hoje têm papel crucial na Educação. Esses conceitos são amplamente abordados no relatório Tecnologias para uma educação com equidade, elaborado por ele e outros três pesquisadores brasileiros – Rodrigo Barbosa e Silva, Fabio Campos e Lívia Macedo – do Transformative Learning Technology Laboratory, da Universidade de Columbia, em parceria com o grupo Dados para um Debate Democrático na Educação (D³e) e o Todos pela Educação. 

Para ele, a forma como a tecnologia é usada nas escolas públicas brasileiras é preocupante, pois é exatamente a experiência com essas tecnologias que vai dar para o aluno as melhores oportunidades no futuro. Em entrevista a NOVA ESCOLA, o pesquisador também destacou a necessidade de implementar políticas públicas que garantam o acesso à internet e a dispositivos eletrônicos aos estudantes da rede pública, a importância da formação dos professores para lidar com os recursos digitais e os cuidados que devem ser tomados em relação ao uso da tecnologia na Educação. “Uma dica é desconfiar desse discurso de transformação digital, de que tudo tem que ser disruptivo e revolucionário”, diz. Confira a entrevista.
 

NOVA ESCOLA: Qual o papel da tecnologia na Educação? Sua visão mudou com a pandemia?

Paulo Blikstein: A tecnologia tem três papéis na Educação. O primeiro é o papel infraestrutural. Isto é, a escola precisa ter conectividade, dispositivos de acesso à internet, softwares, ou seja, uma estrutura básica. As tecnologias digitais são o novo livro, a nova caneta e o novo papel. Do mesmo jeito que provemos uma biblioteca, por exemplo, temos que prover essa infraestrutura tecnológica, pois isso faz parte do ‘fazer’ da escola. O segundo papel é otimizar o ensino mais tradicional, com videoaulas, softwares para fazer exercícios, aplicativos para aprender diferentes disciplinas. O terceiro são as tecnologias de criação e experimentação, que hoje são o que há de mais novo e revolucionário, como espaços maker, laboratórios de ciências, sistemas para aprender a programar computador, sistemas para criar filmes, vídeos, programas de rádio etc. 

O grande problema hoje em dia, em termos de política pública de Educação, é que olhamos a tecnologia como uma coisa só, mas ela consiste nesses três aspectos. E cada um deles requer uma forma diferente de implementação, de equipes, de fornecedores e, também, de formação para o professor.

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Você diz que as tecnologias de criação e experimentação são revolucionárias. Por quê?

As tecnologias de criação e experimentação colocam os estudantes como protagonistas no processo de aprendizagem, e isso é o que precisamos na educação hoje. Primeiro porque necessitamos motivar os jovens a irem para escola, entender que a escola os ouve e está alinhada aos interesses que eles têm para a sua vida. Segundo porque o tipo de profissional e de cidadão que queremos no século 21 não é o que fica sentado ouvindo, aceitando as coisas como elas são. Queremos que as pessoas sejam protagonistas, lutem por seus direitos, façam parte da luta antirracista, da luta pela preservação do meio ambiente, combatam a violência contra a mulher, a exploração econômica e assim por diante. Ou seja, que não aceitem o mundo como ele é e que também façam coisas para mudá-lo. E isso não é só sobre empreendedorismo, mas sim ir para a rua fazer um protesto, organizar discussões, informar sobre problemas da atualidade. 

Quais os principais impactos da pandemia na Educação em relação ao acesso à internet e a dispositivos eletrônicos? De que forma a crise sanitária escancarou as desigualdades sociais no Brasil?

Existia uma ideia de que um certo tipo de tecnologia resolveria os problemas da Educação, no sentido de que, se a criança pudesse estudar de casa e aprender do seu jeito, a inteligência artificial ia colaborar com esse processo. Mas uma coisa é uma pessoa de 30 anos, que aprendeu a aprender, a estudar em casa, e outra é uma criança de 10 anos que não tem todas essas habilidades. Se colocarmos ela em casa sozinha, sem o apoio social da escola, sem os colegas e uma pessoa presencialmente prestando atenção nela, o aprendizado não acontece. Isso, principalmente, na realidade de alunos em situação de vulnerabilidade social que, muitas vezes, dividem um celular com a família inteira. A criança precisa que a escola organize o tempo e o espaço dela. Além disso, sabemos que é fundamental que o professor tenha visibilidade da sala, saiba o que está acontecendo com as crianças. No ensino remoto, o professor não tinha como saber se a criança estava assistindo a aula.

A pandemia mostrou que é fundamental a criança estar na escola?

Sim. O ensino remoto e os aplicativos podem ajudar um pouco, mas não queremos uma escola online para as crianças. Essas tecnologias devem ser um complemento a esse momento de educação presencial. O que me preocupa muito é o discurso de que “a pandemia acelerou a transformação digital, que a escola é analógica e que, por isso, vamos mover tudo para o digital” e que as redes públicas acabem sendo seduzidas por esse discurso e apostem no online sem fazer pesquisas. Me preocupa que empresas e organizações aproveitem esse momento para empurrar coisas que não funcionam. Principalmente no Brasil, onde metade das crianças não têm acesso à internet de qualidade.

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Como você avalia o uso da tecnologia na Educação pública hoje no Brasil?

A tecnologia educacional no Brasil tem aspectos muito curiosos. Se você for nas escolas de elite, você vai ver os três tipos de tecnologia que eu citei anteriormente: infraestrutura, tecnologia de ensino para apoiar o professor em sala e muita tecnologia de experimentação. Agora, se você for nas escolas públicas, quando tem tecnologia, a maioria tem só um pouco de cada uma dessas e quase nada de tecnologia de criação. Isso é muito preocupante porque é exatamente a experiência com essas tecnologias que vai dar para o aluno as melhores oportunidades no futuro. Quando você cria coisas de robótica, de programação, você entende como funcionam os algoritmos do Facebook, por exemplo, aprende a se proteger das manipulações que os algoritmos fazem com as pessoas e fica menos sujeito a ter seus dados explorados por empresas. Então, precisamos fazer com que a escola pública alcance isso e tenha todas essas tecnologias.

E quais são os caminhos para superar esses desafios?

Há cerca de 20 anos, nós tínhamos uma ou duas tecnologias educacionais, de modo que era possível formar os professores para usá-las na sala de aula. Hoje em dia temos mais de 15: realidade virtual, robótica, jogos, arte interativa, espaços maker etc. A tecnologia tomou conta da nossa vida e apareceram mil possibilidades novas na Educação. Não dá mais para acharmos que vamos formar o professor para usar essas 15 tecnologias. O que defendo é que cada escola tenha um professor de Tecnologia cujo papel será o de gerenciar esses recursos, não como gerente de TI [Tecnologia da Informação], mas sim como alguém que acompanha isso, com os professores das demais disciplinas, e vai redesenhar os currículos. É o que vem acontecendo em Sobral (CE). Nós criamos um projeto que acredito ser um bom modelo para o Brasil. O componente fundamental  é ter um professor de Tecnologia. Dois outros pontos necessários são mais pesquisas sobre implementação de tecnologia no Brasil e mais apoio das universidades às redes públicas. 

Qual a sua opinião sobre a iniciativa de algumas redes de distribuir chips com internet a estudantes de escolas públicas? Isso é suficiente?
É bom que se distribuam os chips, mas nem de longe é suficiente. O celular não é um dispositivo apropriado para acompanhar as aulas. Com uma tela tão pequena, não é um equipamento desenhado para assistir quatro horas de aula por dia, escrever uma redação e estar em uma sala de aula virtual com 30 pessoas. Nem mesmo o tablet é adequado. Para uma educação remota, a criança precisa de um computador. Se queremos ter seriedade ao apoiar as crianças em uma situação de emergência como a que vivemos, tem que ser com computadores, monitores, teclados e bons processadores. Alguns países têm dado computadores para todos os alunos a partir da 7ª série. O custo disso é alto, mas não temos muita alternativa, pois cada vez mais coisas vão acontecer online. Temos que prover isso, ainda mais frente a tanta desigualdade. No Brasil, nós não fizemos a lição de casa para enfrentar uma pandemia. Mas precisamos fazer agora para não chegar daqui a quatro anos, por exemplo, e isso acontecer de novo. Essa questão deve ser uma política pública de prioridade absoluta. 

Outro problema do chip é que tem redes que só permitem acessar conteúdos educacionais. Mas é praticamente impossível manter uma lista de sites permitidos e não permitidos. Muito do aprendizado online está em visitar sites de notícias, blogs etc. O acesso à internet não pode ser limitado. 

Em relação aos professores, quais soluções podem ser adotadas para garantir o acesso ao universo digital?

O acesso de professores e alunos à internet deveria ser provido pelo Estado. Se internet e computador passam a ser questão central no trabalho docente, é dever do Estado providenciá-los, pois é algo que se reflete, inclusive, na aprendizagem das crianças. Além disso, tem a questão da formação. Quase não há formação no uso de tecnologia para a Educação e, quando tem, é algo teórico, o que é importante, mas o professor precisa saber como aplicar isso na aula e melhorar o seu trabalho. Outro problema é que muitas dessas formações são dadas por empresas de tecnologia. Às vezes, essas empresas não sabem nada de educação e, em muitos casos, formam o professor para usar as ferramentas da empresa.


Quais os desafios e oportunidades que você vê para o uso de tecnologia no pós-pandemia e nos próximos anos? Acredita na possibilidade de um ensino híbrido?

Além da questão da conectividade e dos equipamentos, uma outra lição do período é que o ensino híbrido não funciona para uma criança de 12 ou 13 anos. O ensino híbrido não pode ser uma aula expositiva na escola e outra aula expositiva em casa. Assistir aula em casa é fazer mau uso do tempo do aluno. Em vez disso, o foco pode ser a realização de projetos.  Por exemplo, o aluno pegar o seu celular e fazer um documentário sobre o córrego do bairro ou sobre a história da sua família, observar e registrar os problemas de trânsito e de poluição da comunidade, entrevistar as pessoas. Ao pensarmos na educação híbrida, temos que considerar que os pais trabalham fora e vão voltar a trabalhar fora, pelo menos a grande maioria da população brasileira. Quem vai ficar em casa cuidando da criança se ela ficar dois dias por semana assistindo às aulas pelo Zoom? Por isso, devemos pensar no ensino híbrido como projetos em casa. 

O que é preciso integrar à tecnologia para garantir aos alunos um ensino de qualidade?

A tecnologia sempre precisa de um professor, que é quem deve estar no centro de qualquer novidade que se introduza na Educação. Existe uma ideia no mundo da tecnologia educacional que você tem que desenhar tecnologias  pois considera-se que o professor é ruim, não há como treiná-lo, então é preciso desenhar uma tecnologia que chegue diretamente no aluno. Acho que é uma ideia equivocada porque, de modo geral, a experiência do aluno na escola é mediada pelo professor, ele é o maestro que está regendo a orquestra, um agente importantíssimo. Outra coisa relevante é que a tecnologia também permite mais protagonismo para o aluno, que fica menos dependente do professor para fazer as atividades. Ter um professor no centro não quer dizer que tudo tenha que ficar centralizado no educador. 

Além disso, os currículos também devem ser mudados, afinal, não adianta criar um espaço maker na escola, treinar o professor para usá-lo e o currículo ser exatamente o mesmo de antes. Então, os currículos precisam ter atividades e conteúdos para integrar as novas possibilidades pedagógicas trazidas pelas tecnologias, mais projetos e mais flexibilidade para adaptar-se à cultura do aluno de diferentes regiões do Brasil.

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Até o final de 2019, 39,8 milhões de pessoas não tinham acesso à internet no Brasil, o que representa 21,7% da população com idade acima de 10 anos. Diante das dificuldades de acesso no país, é válido pensar no uso de recursos tecnológicos off-line na sala de aula?

Em um país tão desigual como o Brasil, os números de acesso à internet têm que ser qualificados. Hoje em dia, a grande maioria das pessoas tem acesso, mas que tipo de acesso? Alguns têm banda-larga ilimitada, outros têm acesso só no celular e bastante limitado. Quando olhamos para a Educação, isso é relevante porque o uso educacional da internet exige muito mais do que o uso para entretenimento e comunicação pessoal. Quando você assiste uma aula online ao vivo, essa aula não pode ser interrompida a todo momento. Quando olhamos os dados de quem tem banda-larga, o tipo de acesso próprio para uso educacional corresponde a um número muito pequeno, diria que menos da metade. Sabemos, por exemplo, que 45% das famílias têm computador em casa, o que é uma necessidade se você vai ter aula online, escrever, fazer um trabalho. Eu diria que menos da metade das famílias brasileiras têm a infraestrutura mínima para aulas online.

De forma bem realista, se quisermos fazer educação remota, vamos ter que usar muitas soluções off-line. Isto é, coisas que as crianças possam fazer sem estarem conectadas à internet de forma contínua. Tem muitas escolas e redes fazendo isso em papel, inclusive, e acho que vamos precisar de soluções muito mais criativas.

Poderia citar algum exemplo?

Estamos fazendo um projeto em Columbia, onde as crianças usam celular para pesquisas e experimentos em casa, na comunidade, mas sem estarem conectadas constantemente com o professor. É um projeto em que a criança tem contato com o professor somente em alguns momentos do dia, por mensagem de texto, e o resto do tempo ela passa fazendo experimentos e trabalhos, mesmo com uma baixa infraestrutura tecnológica. Mas isso está nos custando um ano de trabalho. Essas ferramentas, para uso no Brasil, precisam ser desenvolvidas. Precisamos ter nossas universidades recebendo investimento do governo para desenvolver essas ferramentas e não pegar as que funcionam em outros países e achar que vão funcionar no Brasil, porque as condições são muito diferentes.

Em 2018, durante uma entrevista, você disse que os educadores deveriam reconhecer que ferramentas digitais são aliadas na sala de aula, ao invés de imaginar que elas irão ocupar o seu espaço de trabalho. Você acredita que, em decorrência do ensino remoto, essa visão sobre os recursos tecnológicos mudou?

Se olharmos todos esses grandes anúncios de tecnologias de inteligência artificial, de videoaulas etc, sempre começam com um discurso de substituição do professor. O grande erro é achar que o trabalho do professor se resume a dar aula expositiva. O que essas pessoas e empresas não sabem, até porque não têm experiência em Educação, é que o trabalho do professor vai muito além de explicar o conteúdo. Um aprendizado importante desse período é entender que os professores são componentes fundamentais na Educação e que estar fisicamente na escola é também essencial para os alunos. Quando a tecnologia vem complementar o trabalho do professor, aí sim. Para isso, o professor precisa ser um designer de experiências de aprendizagem que utiliza a parte presencial e uma série de recursos tecnológicos. Isso é uma coisa que precisamos colocar na formação do professor.

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As ferramentas e recursos tecnológicos, tão explorados durante o ensino remoto, vieram para ficar? Como usar a tecnologia com intencionalidade pedagógica?

As ferramentas tecnológicas já existiam antes da pandemia. O que vimos nesse período foi a universalização de várias dessas ferramentas, mas não necessariamente das melhores. Fazer aula por videoconferência foi a solução emergencial, mas não deve ser a solução perene. Fizemos o que foi possível, mas o que vamos levar disso para o futuro é algo que exige muito cuidado. Evidentemente, existe um interesse de negócio, uma vez que as empresas de tecnologia se beneficiaram dessa emergência. Muitas, inclusive, ajudaram as escolas, o que acho louvável, mas também surgiu a percepção de que o ensino remoto seria um formato muito rentável do ponto de vista dos negócios. Não é que isso imediatamente vai substituir o trabalho do professor, mas vai precarizar. O professor não pode virar um administrador de salas no Zoom. Essas coisas são muito sutis e temos que ter muito cuidado com o que vamos trazer para a escola das ferramentas que usamos durante a pandemia.

É claro que há muitas coisas positivas. Sabemos, por exemplo, que há crianças que têm questões de saúde e que não podem estar presencialmente na escola. Seria ótimo se essas elas pudessem ser incluídas usando esse tipo de ferramenta.

Vamos ter outras situações em que o ensino emergencial vai ser necessário, como desastres ambientais, o que mostra a importância de termos prontas soluções de ensino remoto para apoiar alunos e comunidades de forma temporária. Agora, dentro da escola, temos sim que pensar muito na intencionalidade pedagógica. Ou seja, essas tecnologias e ferramentas devem ser usadas quando servem a um propósito pedagógico e não porque são novas ou modernas.

Considerando a realidade das escolas públicas hoje, quais dicas você daria aos professores?

Uma dica é pensar sempre na intencionalidade, desconfiar desse discurso de transformação digital, de que tudo tem que ser disruptivo e revolucionário. Esses discursos são problemáticos porque vêm de um lugar de quem desconhece a Educação e, muitas vezes, querem só empurrar produtos e serviços. Outra sugestão é buscar exemplos de uso de tecnologias que não sejam instrucionais, no sentido de usar tecnologia não só para dar aula expositiva, mas também para coletar dados, fazer entrevistas, contar histórias, criar robôs, explorar conceitos matemáticos, invenções e soluções para problemas da comunidade e assim por diante. Acho que a principal dica é abrir os horizontes para observar usos de tecnologia que sejam agentes de transformação.

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