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Dia dos professores: 5 sugestões para se desenvolver na Educação Infantil

Além de um merecido reconhecimento e valorização, a formação e o aprimoramento constantes são essenciais para os educadores dessa etapa tão importante

POR:
Paula Sestari
Crédito: Getty Images

Nesse mês de outubro, todos nós (merecidamente) enfatizamos a figura do professor, reforçando a necessidade de reconhecimento da nossa profissão. Nessa perspectiva, sempre me lembro do ano de 2014, e mais especificamente, do momento em que fui eleita Educadora do Ano no prêmio Educador nota 10: ali, fiz questão de trazer na minha fala um pedido por mais valorização do docente da Educação Infantil, afirmando que esse profissional é, sim, um professor. 

Considero esse tipo de afirmação importante porque, por muito tempo, quem se dedicava a cuidar e a educar na etapa da creche e da pré-escola era aquela pessoa com qualidades maternais e com gosto pelo convívio com as crianças, sendo chamada de “cuidadora” ou a famosa “tia”. Isso levou a um certo rótulo que, embora não intencional por parte das famílias, acaba se perpetuando em nossa carreira, correndo risco de descredibilizá-la para jovens em fase de escolha de profissão, que cada vez mais deixam de vislumbrar essa área. 

Por outro lado, nós professores e professoras dessa etapa sabemos que a complexidade da Educação da primeira infância exige um constante aperfeiçoamento, e requer formação contínua e um desenvolvimento de habilidades e de competências socioemocionais – ou seja, é necessário muito tempo e investimento para a formação de bons profissionais.


Formação e aperfeiçoamento na Educação Infantil

Falando da minha formação em particular, muitas vezes me pergunto em qual momento escolhi ser professora, qual foi a experiência, o start inicial. Talvez tenha sido nas vezes que frequentei, como ouvinte, a escola primária da minha tia poucos anos mais velha; ou então, pode ter sido por causa do encantamento que eu sentia nas aulas de História no Ensino Fundamental. 

De repente, foi por causa do cheiro dos livros da biblioteca durante as aulas de Literatura, e da sensação de empoderamento quando ganhei a primeira carteirinha de sócia do local e podia levar para casa os meus títulos favoritos. Ou, quem sabe, talvez tenha sido com a professora que recebeu minha turma na primeira aula do curso de magistério, com sua presença firme, seu olhar direto e gestos das mãos tão delicados nos dizendo que o professor tem que ser o profissional da pesquisa, da leitura e da escrita. 

A verdade é que não sei bem quando foi que tomei essa decisão, mas o leque de oportunidades e boas experiências que a escola me proporcionou me trouxeram até aqui, e já que começamos essa coluna falando de valorização e formação profissional, resolvi compartilhar algumas dicas que podem ajudar aqueles que estão iniciando na carreira, ou ainda contribuir no aperfeiçoamento de outros que, como eu, já possuem uma trajetória, mas desejam a excelência no trabalho como professor da Educação Infantil. 

  1. Seja você mesmo (mas sempre se reveja!) 

Uma das maiores complexidades relacionadas à ação docente é o fato de que, nos longos períodos do dia que permanecemos em sala de aula, a pessoa do professor está vinculada ao lado profissional. Com isso, além das nossas opiniões, personalidade e estado de humor, ao longo de toda a nossa vida desenvolvemos concepções de infância e da própria escola, influenciadas pelas nossas vivências e pelo próprio contexto e histórico social. E o desafio é balancear tudo isso visando consolidar um trabalho de qualidade, alinhado aos direitos de aprendizagem conforme a BNCC. 

Para ajudar a equilibrar essas perspectivas, uma palavra que gosto muito é “ressignificar”. Precisamos ressignificar a nossa própria história (principalmente a infância), entendendo que se por um lado é importante sempre mantermos a nossa essência, por outro, é preciso ter em mente que diversos saberes foram construídos socialmente ao longo do tempo, e temos condições de aprender a partir deles e, cada vez mais, nos desenvolvermos enquanto pessoas e profissionais.

Atividades de Educação Infantil: Planejamentos alinhados à BNCC

Nesse curso, você conhecerá experiências e indicações que ajudam a realizar um planejamento completo e alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), além de plenamente voltado aos interesses e à perspectiva das crianças que frequentam a Educação Infantil. 

  1. É junto dos bons que ficamos melhores 

Essa dica é especial para aqueles em início de carreira: observe, em seu ambiente de trabalho ou rede mais próxima, aqueles professores que se destacam por seu comprometimento e competência. Geralmente, esses profissionais são também pessoas generosas que poderão acolher suas maiores questões, e compartilhar com você a trajetória percorrida e os aspectos importantes que contribuíram no processo formativo deles. 

Inclusive, existe no Brasil, em várias redes de ensino, um movimento de mentoria para jovens professores – e se esse não for o caso de sua cidade, convide um profissional experiente para ser seu tutor e desenvolver projetos e propostas em parceria. 

Além disso, nos últimos tempos, o movimento de interações on-line para compartilhar práticas e experiências se intensificou muito. Aproveite as redes sociais e siga perfis e páginas de pessoas, instituições e organizações que tenham reconhecida contribuição para a qualidade da Educação Infantil. Procure, ainda, participar de lives, grupos de discussão e cursos livres promovidos por instituições que atuam na formação de professores. 

  1. Supere o “gosto” por criança e seja um professor que “entende” de criança 

O trabalho com os bebês, crianças bem pequenas e pequenas é carregado de especificidades que requerem pesquisa e observação constantes. Questões como “de que maneira os bebês aprendem?”, “quais os marcos do desenvolvimento acontecem em cada faixa etária?”, “de que forma o educar e o cuidar tornam-se indissociáveis na rotina da Educação Infantil?”, entre outras, tornam-se fundamentais para que um bom planejamento seja elaborado. 

Tendo em vista esses conhecimentos gerais sobre a infância, não menos importante é o conhecimento sobre cada indivíduo, incluindo seus gostos, preferências, contexto social e, conforme abordei recentemente em uma coluna anterior, é fundamental sempre estimularmos o protagonismo infantil.

Educação Infantil: Como fazer uma avaliação de qualidade

Preparamos um curso que engloba os principais instrumentos de documentação da aprendizagem infantil, como a escuta das crianças, as pautas de observação, os registros fotográficos, e a construção do portfólio coletivo. 

  1. Comprometa-se com o seu percurso formativo 

Por vezes, na formação inicial do professor de Educação Infantil, existem muitas lacunas entre os conhecimentos teóricos e as oportunidades de vivências práticas. Não me surpreenderia se você, cara leitora ou leitor, compartilhasse que aprendeu a ser professor no exercício da sala de aula em meio às limitações impostas pela inexperiência. 

Por isso, a minha dica é não ficar apenas no nível mínimo de estudos exigido legalmente – invista na sua própria formação! Participe de cursos oferecidos pela sua instituição ou rede de ensino, busque especialização em áreas de maior afinidade como Educação inclusiva, musicalização, contação de histórias, neurociência, novas metodologias ou quaisquer outras possibilidades que possam ajudar no seu desenvolvimento profissional. 

  1. Valorize seu trabalho, e participe de eventos, concursos e premiações 

A maioria dos professores se sentem incomodados de expor seu trabalho, por receio de críticas e julgamentos indesejados. Mas que tal olhar sob uma outra perspectiva? Quando participei das etapas do prêmio Educador Nota 10, por exemplo, meu objetivo era compartilhar minha prática com profissionais de olhar sensível, que certamente me ajudariam a identificar os pontos positivos e as potencialidades do trabalho desenvolvido com as crianças pequenas. E tive tantas outras oportunidades depois desse momento, que posso dizer que o prêmio foi um divisor de águas na minha vida profissional. 

De fato, sei que expor o trabalho pela primeira vez é difícil, mas comece exercitando o processo de documentação das práticas que revelam as boas oportunidades de aprendizagem das crianças, talvez produzindo um portfólio dos trabalhos desenvolvidos. Posteriormente, contando com esses registros organizados, você pode aos poucos participar de eventos de sua rede de ensino, e se inscrever em projetos de parceria com instituições locais. Esteja sempre aberto para as contribuições que surgirem, e entenda que estamos em constante processo de aperfeiçoamento. 

Depois de dar essas cinco dicas, se eu puder acrescentar só mais um conselho, seria esse: sejam generosos consigo mesmos, e se deem uma nota 10 a cada desafio vencido como professor da primeira infância – etapa que, sabemos, ainda sofre de muita carência em relação às políticas públicas, especialmente no que se refere à qualidade de formação e à valorização. No mais, minhas últimas palavras são: respeite o seu tempo, escute o seu corpo e sua mente, e claro: parabéns professores e professoras pelo seu dia! 


Um abraço e até breve! 

Paula Sestari é professora de Educação Infantil da rede municipal de ensino de Joinville (SC), com 10 anos de experiência nessa etapa, e mestre em Ensino de Ciências, Matemática e Tecnologias. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, e foi eleita Educadora do Ano com um projeto na área de Educação Ambiental com a faixa etária das crianças pequenas.

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