Crie sua conta e acesse o conteúdo completo. Cadastrar gratuitamente

Homenagem: famílias e amigos falam do impacto dos professores em suas vidas

Relatos destacam a importância do apoio aos estudantes, da dedicação e do empenho nas aulas remotas e da parceria com os gestores durante a pandemia

POR:
Paula Salas
Crédito: Getty Images

Em meio a tantas dúvidas e incertezas, a quem recorrer? Os professores e gestores foram, durante a pandemia, essa figura para milhares de alunos e seus responsáveis. Este período foi repleto de desafios para todos os educadores e exigiu muito empenho e criatividade para dar conta da nova situação. No entanto, os esforços foram percebidos e valorizados por famílias, estudantes e ex-alunos.

Para Nínive Silva Araújo, 18 anos, aluna de 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Rui Barbosa, em Boninal (BA), o trabalho dos educadores fez toda a diferença para superar as dificuldades, adaptar-se à nova realidade e continuar com os estudos. “A pandemia foi muito difícil para todos, mas os professores sempre acreditaram no nosso potencial. Mesmo com tudo que estávamos passando, [nos incentivaram a] manter o foco e ter determinação para seguir nossos sonhos. A dedicação deles foi muito importante, porque eles continuaram lutando por nós”, afirma a jovem.

O sentimento de Nínive não foi exceção. Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada por Itaú Social, Banco Interamericano de Desenvolvimento e Fundação Lemann, mantenedora de NOVA ESCOLA, 89% das famílias de estudantes da rede pública passaram a valorizar mais o trabalho dos professores após a pandemia e perceberam os desafios da profissão. O estudo ouviu 1.301 responsáveis por crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos de todas as regiões do país. Essa admiração também foi observada pelos filhos: 67% afirmaram que sentem que agora os educadores são mais respeitados pelos alunos. 

Mais do que conteúdo, reflexões importantes durante a pandemia

Nínive Silva Araujo, 18 anos, compartilha relato sobre a importância da professora Naiara Chaves de Carvalho e outros educadores neste período de pandemia. Crédito: Acervo pessoal

Nínive conta que, antes da pandemia, ela já via a importância do trabalho docente, mas foi durante esse período que a admiração aumentou. “Eles traziam não só a matéria, mas ensinamentos que vamos levar para a vida. Na pandemia, isso se tornou ainda mais especial.” Uma professora que fez a diferença para ela foi Naiara Chaves de Carvalho, que leciona Geografia. “A forma como ela apresenta o conteúdo para a gente debater na sala de aula, fazendo pensar sobre várias coisas, é muito importante”, conta.

Entre as discussões que mais a tocaram, Nínive se lembra das aulas que abordaram racismo e machismo. "Às vezes, os professores têm medo de trazer esses temas porque causam alvoroço na sala de aula. Mas é de extrema importância ouvir opiniões e pessoas que mostram a realidade da nossa sociedade racista”, reflete a jovem.

Além dessas discussões, a maneira como a professora organiza suas aulas também são destacadas pela aluna. “Ela quer [nos] escutar e dá espaço para falarmos o que pensamos e o que já vimos sobre o assunto”, afirma. “Para garantir a participação de todos, ela usava diferentes ferramentas. Até quem tem vergonha de abrir o microfone para falar durante um encontro virtual pode registrar sua opinião por escrito.”

Esse trabalho refletiu-se na postura crítica que a jovem desenvolveu para perceber o seu entorno. “Ela não traz somente o que está no livro didático, mas também informações de outras fontes. Isso nos ajuda a pensar de forma ampla sobre nosso povo, nossa cultura, nossos deveres e papéis na sociedade”.

Conexão e emoção: relatos inspiradores na volta às aulas

Conheça experiências e relatos inspiradores de educadores e escolas que estão retornando após o ensino remoto emergencial

Admiração que contagia colegas

Professora Fernanda Colombara na festa de Dia das Crianças na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Elisabete Soares Garcia, em Palmital (SP). Crédito: Acervo pessoal/Raquel Urtado

A professora Fernanda Colombara dá aula para o 5º ano na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Elisabete Soares Garcia, em Palmital (SP). Ela inspirou a coordenadora da instituição, Raquel Urtado, a entrar em contato com NOVA ESCOLA com o desejo de homenagear sua colega. Além de sua gestora, elas se conhecem desde que ambas começaram na profissão na rede municipal. “Eu queria fazer essa homenagem pela força de vontade, compromisso e responsabilidade dela para nossa profissão”, conta a gestora.

Ana Paula Vergilio, mãe de Felipe, de 11 anos, acompanha de perto o trabalho da professora tanto pelo seu filho quanto por ser estagiária da escola. “Ela é muito dedicada, sempre faz o melhor possível. Eu tive todo o suporte. Ela não deixou de tirar nenhuma dúvida”, afirma a estudante de pedagogia.

Na escola, durante o ensino remoto, a opção foi trabalhar com atividades impressas. Após a retirada dos materiais, a professora fazia a explicação e o atendimento tanto pelo grupo no WhatsApp quanto de forma individualizada. Hoje, estão trabalhando com o revezamento presencial de alunos, e a educadora continua atendendo quem está em casa. "Quando a criança não quer fazer [a atividade], ela transforma [o conteúdo] em uma brincadeira para cativá-la e chegar aonde quer", explica Ana Paula.

Ana Paula e seu filho, Felipe, fazem homenagem a professora Fernanda. Crédito: Acervo pessoal

Um ponto destacado pela estagiária é o esforço da educadora em inovar. “Ela costuma dar quizzes, e as crianças gostam muito dessas coisas que saem da rotina, pois  sabem que não vai ser uma atividade [tradicional]”, conta. Ela explica que são os conteúdos já previstos no currículo, mas a forma como a professora os apresenta faz com que as crianças se engajem. Ana Paula vê esse trabalho como uma inspiração para sua formação como professora. “Serviu de lição. Quando eu me formar, quero fazer desse jeito.”

Apoio que inspira voltar a estudar

Elizama Araújo faz homenagem ao trabalho realizado pela Escola Municipal Itaubal durante a pandemia e como foi inspirada a voltar a estudar depois de 20 anos. Crédito: Acervo pessoal

Em Tartarugalzinho, no interior do Amapá, Elizama Araújo é mãe de seis filhos — Marcella, de 17 anos; Nicollas, 13; Anna Beatriz, 11; Bennício, 9; Geovanna, 6, e Elizeu, 4. Os quatro mais novos estudam na Escola Municipal Itaubal — da qual já contamos a experiência com o apoio pedagógico. “Tem sido muito desafiador”, compartilha a mãe, que apoia todos seus filhos nas atividades remotas.

Para auxiliar famílias como a de Elizama na entrega das atividades impressas ao longo da pandemia, a escola organizou a retirada dos materiais da seguinte forma: na data combinada, a cada 15 dias, o professor de cada turma atende os responsáveis em pequenos grupos. Ele explica as propostas e tira as dúvidas das famílias de forma a prepará-las para ajudar as crianças. “Os professores dão toda atenção para orientar os pais”, conta Elizama, cujos filhos cursam o 1º, 2º, 3º e 5º ano na instituição.

Ela diz que esse trabalho de parceria foi muito importante durante esse período. “As crianças não pararam de estudar. Cada turma tem um grupo [no WhatsApp] e podemos entrar em contato com os professores.” Elizama destaca que professores e gestores estavam disponíveis para apoiar as famílias a superar os desafios e pensar em estratégias para garantir o avanço de todos os estudantes.

Todo esse trabalho também a inspirou a voltar a estudar. “Eu conversei com meu marido e disse que era bom [a gente] voltar a estudar, porque o conhecimento não para. Cada dia tem mais coisas surgindo. Precisamos nos atualizar, aprender”, aponta.

Elizama não foi a única. Outras famílias também manifestaram desejo de voltar à escola. Com isso, a diretora da instituição, Jeane Gurjão, foi atrás e, com a autorização da Secretaria de Educação, a escola vai abrir turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Nossos nomes já estão na lista. Estávamos esperando fechar a turma, mas acredito que já conseguimos”, comemora Elizama.

Uma nova relação família-escola na Educação Infantil

Aparecida Amorim e filho Felipe falam sobre a importância do trabalho e apoio dos educadores da Escola Municipal de Educação Infantil Kimimo Boa Vista, em Seabra (BA). Crédito: Acervo pessoal

Felipe, 5 anos, filho de Aparecida Amorim, frequenta a Escola Municipal de Educação Infantil Kimimo Boa Vista, em Seabra (BA), que até este momento segue de forma remota. “Tem sido desafiador, porque exige tempo e atenção da gente. Estamos cheios de coisas”, desabafa a mãe.

Neste processo, ela aponta a importância dos professores. “Não é fácil para as mães, mas o professor está ali do lado. Nas reuniões, trocamos experiências e dificuldades. Sentimo-nos acolhidos e que não estamos sozinhos. Não conseguiríamos isso sem eles”, reflete Aparecida.

Os encontros a que se refere acontecem pelo Google Meet. “A coordenadora [Janara Botelho] nos ajuda, orienta o que devemos fazer e a manter a calma”, conta. Além disso, também utilizam o WhatsApp no dia a dia das atividades. “Eu posso sempre mandar mensagem, compartilhar [algo que o Felipe tenha feito] com a professora. Ela manda áudio incentivando. É gratificante.”

Essa proximidade é uma novidade para Aparecida. Antes da pandemia, o contato era mais restrito. “Está sendo muito legal. Sem dúvida teria sido mais difícil se não tivesse esse apoio dos professores”, diz a mãe de Felipe. “Eu me sinto mais confiante para dar conta de tudo e passo essa segurança para o meu filho.”

Como é bom estar de volta: a escola como espaço de encontro

Conheça relatos de educadores sobre o reencontro com suas turmas, colegas e com as famílias das crianças no contexto da retomada das atividades presenciais na Educação Infantil

Garantindo a inclusão de todos os alunos

Maria Katiane Tavares reconhece o trabalho de professoras durante a pandemia para a inclusão de seu filho Kelwyn, de 8 anos. Crédito: Acervo pessoal

Assim como Aparecida, Maria Katiane Tavares, mãe de Kelwyn, de 8 anos, que cursa o 3º ano na Escola Municipal Professor Ricardo Gama, no Recife (PE), também aponta o acolhimento como um dos maiores destaques do trabalho dos professores. “Eles me ligam para dar uma palavra de conforto. Me senti muito acolhida por todos”, comenta.

Durante o período em casa, Kelwyn, que tem o diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA), contou com o apoio tanto da professora da sala regular quanto do Atendimento Educacional Especializado (AEE) — veja essa experiência com mais detalhes aqui. “Foi difícil para ele não ter mais a rotina de ver os professores todos os dias, mas as professoras ligavam e ele ouvia as vozes delas. Funcionou muito bem”, ressalta a mãe.

Durante esse período, Katiane e Kelwyn faziam todas as atividades enviadas pelas educadoras, podiam tirar as dúvidas e tinham todas as orientações necessárias para garantir a realização das propostas. Com esse esforço, foi possível verificar avanços no desenvolvimento do menino. Hoje, ele permanece com as mesmas professoras, mas as atividades estão de forma híbrida. Ele intercala uma semana na escola e outra em casa.

Curso: Como desenvolver atitudes inclusivas em sala de aula

Este curso tem como objetivo oferecer subsídios para que o professor coloque em ação estratégias que ampliem o olhar para a diferença, focando na recepção de alunos com deficiência (e de suas famílias), nos processos de socialização e avaliativos.

Incentivo a buscar novos desafios
“No 9º ano, eu queria prestar o concurso para o Instituto Federal. Foram os professores que sempre nos incentivaram a nos inscrever [nesses processos seletivos]. Isso é algo muito bom. Eu e outros alunos conseguimos [ser aprovados]”, declara Arthur Jessé, 15 anos, aluno do 1º ano do Ensino Médio no Instituto Federal Rio Grande do Norte e ex-aluno da Escola Senador Jessé Pinto Freire, em Ielmo Marinho (RN). “Agradeço muito o esforço, o comprometimento e o incentivo dos educadores, que sempre estavam ali [para nos ajudar].”

Aluno Arthur fala sobre importância de trabalho como do professor Gustavo que reinventou sua prática e o incentivou a alcançar vaga em Instituto Federal. Crédito: Acervo pessoal

Arthur cursou o último ano do Fundamental durante a pandemia. Apesar das dificuldades, conta que foi uma experiência positiva, sobretudo pela atuação de professores como Gustavo dos Santos, que lecionava História na Jessé Pinto Freire.

“O professor [começou] inovando. Ele saiu do livro didático para focar na parte cultural, patrimonial e histórica do nosso município. Criou um guia didático que era autoexplicativo [lúdico e utilizando materiais acessíveis para os alunos] com um passo a passo de como fazer as atividades", conta o adolescente. A partir do reconhecimento de seu trabalho ao longo da pandemia, o educador foi convidado a assumir a Secretaria Municipal de Educação de Ielmo Marinho.

Arthur lembra que tanto Gustavo quanto outros educadores estavam sempre à disposição para tirar dúvidas por WhatsApp. Segundo ele, houve uma preocupação da escola em entender a realidade de cada aluno para pensar em diferentes estratégias para garantir o acesso ao conteúdo, utilizando desde aulas ao vivo e vídeos gravados até materiais impressos

Estímulo à arte na Educação de Jovens e Adultos
O que fotografar durante a pandemia sem poder sair de casa? Isso não foi um problema para o projeto Através da Minha Janela, vencedor do Prêmio Arte na Escola Cidadã 2021, do Instituto Arte na Escola, de São Paulo (SP). A responsável foi a professora Waldirene André, do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos Francisco Hernani Alverne Facundo Leite, na capital paulista.

A educadora desenvolveu um trabalho de fotografia utilizando o cenário da casa dos alunos e a câmera do celular para ensinar sobre a arte da fotografia e possibilitar a representação de algo que gostariam de dizer sobre o período que viviam. “A professora nos tirou da nossa casa e nos fez viajar para outra dimensão”, conta Andrea Demetrio, ex-aluna da escola que participou do projeto — hoje ela cursa o Ensino Médio em outra instituição. “Todos os alunos amaram. Cada um fez uma proposta própria. Eu fotografei uma laranja e desfoquei o fundo para ressaltar as cores. Também fiz uma foto com o pessoal de casa remetendo aos 40 mil mortos [pela pandemia] que tínhamos naquele momento”, lembra a aluna de EJA.

Andrea, aluna da EJA, lembra com carinho de projeto de Artes que ressignificou o cotidiano durante a pandemia. Crédito: Acervo pessoal

Andrea diz que o projeto veio em um momento em que estava precisando desse incentivo. "Era uma época em que não podíamos colocar a cara do lado de fora. [Com o trabalho], comecei a prestar atenção ao meu entorno através da janela. Isso me pegou, porque era algo que não dávamos valor. Fiquei encantada".

Além disso, esse tipo de trabalho foi um estímulo para ela não abandonar a escola. “Eu estava há mais de 20 anos sem estudar. Quando voltei, começou a pandemia. A vontade de desistir era imensa. Se não fosse pelos professores incentivando a cada momento, teria desistido. Eles nos deram muita força, explicavam [os conteúdos] e tiravam nossas dúvidas. Foram valiosos", finaliza.

Valorização dos professores ao longo da pandemia
Confira alguns dos recados que as famílias e alunos deixaram para todos os professores sobre o trabalho que realizaram neste período

“Os professores foram fundamentais [durante a pandemia]. Muitas mães falavam que os filhos não queriam mais [realizar as atividades], mas vimos a luta dos professores em busca de fazer algo diferente. Foram eles que não deixaram [os alunos] se perderem. Foi muito amor e dedicação.” — Ana Paula Vergilio, estudante de pedagogia e mãe de Felipe, de 11 anos

“Ser professor é a profissão que forma todas as outras. [Por isso, espero] que tenham mais respeito com os educadores, que os olhem com mais carinho. Vejo o quanto eles se dedicam à profissão que escolheram. [Desejo] que haja mais respeito e que sejam recompensados [por esse trabalho].” — Elizama Araújo, mãe de Marcella, de 17 anos; Nicollas, 13; Anna Beatriz, 11; Bennício, 9; Geovanna, 6; e Elizeu, 4.

“Eu tenho só gratidão. Eu e os demais alunos da minha turma temos muito a agradecer, tanto pelo incentivo ao trabalho científico quanto à busca por melhorar a Educação do nosso município” — Arthur Jessé, 15 anos, aluno do Instituto Federal do Rio Grande do Norte.

“Os professores nos passam a confiança de que [tudo] vai dar certo. Só eles conseguem fazer isso. É um super poder deles. Eles têm essa responsabilidade de apoiar as crianças, passar confiança e carinho para que as famílias sintam que os filhos estão sendo acolhidos. É gratificante ter esse contato e as ligações e os áudios que nos enviam para dar força.” — Aparecida Amorim, mãe de Felipe, de 5 anos

Tags

Guias

Tags

Guias