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Metodologias Ativas e baixa conectividade: como planejar aulas de Matemática para o Fundamental 1

Confira dicas e sugestões para avançar nas aprendizagens utilizando estratégias que coloquem o aluno no centro

POR:
Selene Coletti
Crédito: Getty Images

As Metodologias Ativas já foram tema de nossas conversas por aqui e este mês o site de NOVA ESCOLA também está com um especial gratuito sobre o assunto. A utilização dessas estratégias está ligada a concepção de uma Educação que coloca o aluno como protagonista da própria aprendizagem e o  professor como um mediador, que intervém e cria um ambiente de aprendizagem que desafie a turma a buscar o conhecimento – perspectiva que dialoga perfeitamente com a proposta da Base Nacional Comum Curricular.

Uma confusão comum quando falamos sobre Metodologias Ativas é pensar que sem um banda larga e recursos tecnológicos não é possível usar esse tipo de estratégia. Na verdade, em contextos com pouca tecnologia é possível inovar nas aulas e sair das aulas expositivas.

Curso Metodologias Ativas: Como inovar sem tecnologia

Entenda como o trabalho em grupo e a Aprendizagem Baseada em Problemas colaboram para o protagonismo dos alunos. Também saiba como selecionar as habilidades e competências a serem atingidas com essas propostas, como planejar e avaliar esse tipo de atividade


Para planejar as atividades

Pensar em propostas que envolvam essas estratégias requerem um bom planejamento – como qualquer outra atividade. Para começar, é importante definir os objetivos de aprendizagem que quer atingir e traçar, a partir deles, a melhor estratégia para alcançá-los e os recursos que pensa utilizar. Clique aqui e conheça um bom roteiro de planejamento para sala de aula invertida.

Outro ponto interessante é envolver as famílias no trabalho. Explicar o que você pretende realizar e como eles poderão contribuir. Todos precisam entender o que se quer atingir. É preciso conversar com os responsáveis que  algumas vezes você irá propor desafios ou irá solicitar que os alunos façam algo que ainda não foi explicado em sala.

Fornecer um roteiro das ações a serem desenvolvidas tanto para as famílias quanto para os estudantes irá ajudar no alinhamento e garantir o bom funcionamento das atividades.  É um árduo trabalho, porém que dará bons frutos, principalmente se acreditarmos nele.

A partir desse olhar, trago aqui algumas possibilidades de se trabalhar a Matemática buscando colocar o aluno no centro do processo, permitindo que se envolvam e se engajem com as aprendizagens de uma forma mais significativa.

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Para se inspirar nos modelos híbridos, conheça a trilha formativa para se aprofundar nesse tipo de metodologia ativa. São mais 50 horas de formação.


Inspire-se na sala de aula invertida

Você pode começar por esta metodologia — entenda mais sobre ela aqui—, propondo uma situação-problema ou atividade do livro didático para ser resolvida em casa e depois discutida em classe. Reserve um tempo para socializar as respostas ouvindo a forma como cada um pensou para resolver, fazendo novos questionamentos. Uma das vantagens desse modelo é fazer um melhor uso do tempo em sala, permitindo que seja dada voz para os alunos

Para as situações-problema, eu indico o livro Pobremas: enigmas matemáticos (Editora Vozes) que possui bons desafios para serem trabalhados — confira um exemplo abaixo.

Crédito: Selene Coletti

O interessante é explorar as respostas e diferentes estratégias de resolução em classe. Você pode solicitar que discutam em duplas ou trios — obedecendo as regras do distanciamento social — e depois tragam a melhor solução para ser compartilhada com os colegas.

Certa vez trabalhei com os sólidos geométricos. Fiz a introdução do assunto a partir da exploração das peças em madeira e a sua representação na massinha. Depois solicitei que fizessem, em casa, algumas propostas do livro didático. No próximo dia, pude ouvir como cada um resolveu, solicitando o porquê de cada resposta e propondo uma discussão com toda a sala. Foram momentos de muitas trocas. Essa é a expectativa de se trabalhar com metodologias ativas!

Inspire-se no ensino híbrido para criar aulas de Matemática

Entenda como estratégias de ensino híbrido como a sala de aula invertida a rotação por estações para planejar suas aulas de Matemática sobre grandezas e medidas.


Em minha escola, estamos estudando as metodologias ativas, começando com o modelo da sala de aula invertida. Em nossa formação, cada professor realizou uma proposta utilizando a estratégia com sua turma e depois tiveram que compartilhar a experiência no encontro posterior. Uma das educadoras propôs um jogo de percurso para ser jogado com a família e depois problematizar as jogadas em classe - outra boa possibilidade! 

Durante a formação, todas as professoras foram unânimes em dizer que não foram todos os alunos que fizeram a atividade proposta em casa, o que resultou prejudicando o momento posterior em sala de aula. Porém, não podemos desistir na primeira vez, conforme disse anteriormente é fundamental acreditarmos nesta concepção, continuar tentando e buscar envolver as famílias.

Aprendizagem baseada em projetos

Esta é outra possibilidade que permite colocar o aluno como um sujeito ativo e agente de sua própria aprendizagem. A partir dos objetivos a serem trabalhados, escolha um deles para elaborar uma sequência que culminará num produto final.

Revisitando este tema, lembrei-me do meu projeto Mapas do tesouro que são um tesouro, com o qual fui uma das vencedoras do Prêmio Educador Nota Dez em 2016. Foi uma experiência em que trabalhei a noção de espaço. O produto final foi a construção de um mapa do tesouro para que outra turma (no caso era a do 2º ano do Fundamental) encontrasse o tesouro escondido na escola. Eu pude envolver a Matemática, diferentes linguagens e o letramento. O percurso permite envolver os alunos de forma significativa com a utilização de jogos em versões virtuais que são gratuitas e de fácil acesso.

Especial Metodologias Ativas

NOVA ESCOLA conversou com especialistas e professores para esclarecer todas as dúvidas sobre o tema e apresentar exemplos práticos que irão ajudá-los a incorporar essas estratégias no seu planejamento


Rotação por estações

Esta estratégia lembra os cantinhos ou trabalho diversificado que temos na Educação Infantil, mas não é a mesma coisa. Aqui você formará “estações” com diferentes propostas que poderão estar no mesmo espaço da sala de aula, ou não. Os alunos são divididos em grupos e circulam pelas estações. Como pode perceber, além do protagonismo, a colaboração também está em jogo.

Pensando na Matemática, você poderá propor um trabalho com Tangram, por exemplo. Em uma das estações a turma pode fazer a leitura da lenda do Tangram e discutir o que entenderam. Em outra pode ter o próprio jogo para que os alunos montem o quadrado com as sete peças ou é possível criar situações-problemas envolvendo as peças do quebra-cabeça. Em outra estação podem usar o GCompris – software que possui diferentes jogos, dentre eles o Tangram – para que montem diferentes figuras usando as 7 peças. Já em outra, podem conhecer outros formatos do quebra-cabeças – o oval, triangular ou circular. Para passar por todas essas experiências, os estudantes terão um tempo determinado para circular e no fim reserve um tempo para que possam socializar as aprendizagens.


Outra possibilidade é focar no desenvolvimento de uma determinada habilidade e propor estações com diferentes jogos.

A estratégia permite trabalhar com os alunos neste cenário no qual as turmas alternam-se na sala de aula e garantir que todos tenham a oportunidade de aprender.

Como você pode ver é preciso direcionar o nosso olhar, mas acima de tudo refletir sobre a concepção de ensino e aprendizagem, e sobre o seu papel nesse processo. Tanto você quanto o seu aluno precisam estar engajados e envolvidos nestas mudanças. Apenas assim será possível construir uma teia de aprendizagens.

E você, já se envolveu nestas mudanças? Conte para mim nos comentários.

Um abraço e até a próxima,

Selene

Selene Coletti é professora há 40 anos na rede pública. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita,  com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

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