Alfabetização: o que levar em conta na gestão do tempo em sala de aula?

Para professores e professoras, a organização do tempo é sempre um desafio, especialmente nesse gradual retorno presencial – mas algumas sugestões de planejamento podem fazer a diferença nessa hora

POR:
Mara Mansani
Crédito: Getty Images

A organização do tempo em sala de aula é sempre uma tarefa difícil e que exige um bom planejamento. Agora, nesse retorno às aulas presenciais que ocorre de maneira gradual, isso ficou ainda mais complicado, especialmente na alfabetização.

Afinal, nós temos que combinar e adequar, dentro do nosso tempo, diversas questões como as necessidades de aprendizagem dos alunos; o desenvolvimento das habilidades essenciais; o revezamento das turmas nas aulas presenciais; os protocolos sanitários; e também as adaptações em nossas práticas pedagógicas. Ufa! Ainda por cima, temos que realizar tudo isso no tempo que nos resta para a finalização do ano letivo – sem contar que, em muitas redes, o horário de aula está reduzido nesse período de adaptação.

Assim, penso que nesse momento é importante manter a calma e não querer “tirar o atraso” do tempo em que permanecemos no ensino remoto, período em que, como sempre venho dizendo, não foi possível desenvolver propriamente a alfabetização, ao menos da forma como costumávamos realizar em sala de aula antes da pandemia. Conforme destaquei na minha coluna anterior, acredito que esse “resgate da aprendizagem” vai levar tempo, e possivelmente se estenderá ainda pelos próximos anos, sendo algo que precisa ser previsto e planejado pelas redes de ensino.

Mas então, com todos esses fatores complexos que precisam ser levados em consideração, o que nós professoras e professores podemos fazer para consolidar uma boa gestão do nosso tempo em sala de aula, especialmente nesse gradual retorno? A seguir, listo algumas sugestões possíveis de práticas.

Trilha de cursos: Intensivo de Alfabetização 

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Invista no replanejamento coletivo!

A partir do diagnóstico de aprendizagem da turma, volte as habilidades essenciais previstas e selecione, entre elas, aquelas que ainda demandam atenção. Faça isso em parceria com seus colegas alfabetizadores e com as orientações da coordenação pedagógica de sua escola.

Por meio do debate e da reflexão em grupo, temos mais clareza sobre os caminhos a seguir para um planejamento que seja possível de ser desenvolvido, e que possa de fato contribuir com o processo de aprendizagem dos alunos. Esse é o primeiro passo para sabermos os tempos que precisamos para desenvolver o nosso trabalho, e posteriormente, adequarmos isso ao tempo que temos disponível.

Foco na organização da rotina!

Organize sua rotina em sala de aula, prevendo as atividades que serão realizadas, por exemplo, dentro de uma semana. Não se esqueça de que é preciso incluir atividades permanentes, sequência didática e projeto didático, que são as chamadas modalidades organizativas.

Você deve estar pensando que isso não é possível, que é muita coisa para fazer (ainda mais nesse período), mas na verdade, essas não são atividades extras: trata-se daquilo que você já faz em sala de aula, só que agora, estruturado dentro dessas organizações.


Por exemplo: as escritas de textos (de memória, listas, bilhetes, legendas, etc.) são atividades permanentes. Já um determinado grupo de atividades voltadas para leitura, escrita e/ou oralidade, ou qualquer outro conteúdo de alfabetização que seja apresentado e explorado dentro de uma gradual complexidade e aplicado em um período pré-estabelecido, entram como sequência didática. Por fim, as atividades desenvolvidas em um passo a passo, por etapas, com conteúdo e habilidades rumo a um objetivo mais amplo, e que culminam em um produto final, essas entram na rotina como projeto. Então, a proposta é colocar as necessidades de aprendizagem da sua turma dentro da rotina, mas seguindo esses formatos.

Uma sugestão: coloque atividades permanentes todos os dias; as de sequência, pelo menos duas vezes por semana; e as do projeto didático, de uma a duas vezes por semana. Tudo isso pensando em Língua Portuguesa, Matemática e outras disciplinas –  inclusive, para aproveitar e otimizar o seu tempo, você pode pensar essa organização de forma interdisciplinar.

Assim, um projeto didático pode, por exemplo, explorar leitura e escrita, envolvendo temas de Geografia, História e Ciências, através das diferentes linguagens. Modalidades organizativas, como o próprio nome diz, organizam nosso tempo em sala de aula por meio da rotina. Além disso, caso os tempos em sua sala de aula estejam menores nesse período de transição do ensino remoto para o presencial, a organização também pode seguir esse formato, porém diminuindo ou distribuindo as atividades de maneira diferente. A palavra de ordem é flexibilidade!

Pensando nas atividades!

Para pesquisar, selecionar e criar atividades para a alfabetização ou para qualquer outro segmento, nós precisamos, além do currículo, levar em conta onde se encontram os nossos alunos no processo de aprendizagem, analisando também o fato de que, depois desse período de ensino remoto, as turmas estão ainda mais heterogêneas.

Assim, para organizar, fazer uma boa distribuição, e para melhor aproveitar o tempo em sala de aula, atendendo a todos os níveis de aprendizagem da turma, as atividades devem contemplar algumas estratégias, como prever mais tempo, se necessário, para aqueles alunos que demandam mais atenção; propor atividades que ofereçam desafios maiores para os estudantes que já avançaram um pouco mais; trabalhar com agrupamentos produtivos; entre outras possibilidades. Em resumo: os níveis de aprendizagem da sua turma  devem ser considerados no momento de organizar e determinar os tempos em sala de aula.

Combo - BNCC no Ensino Fundamental 1 

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Deixe tudo preparado!

Por fim, para dar tudo certo em sala de aula, evitar maiores dificuldades e ainda facilitar o desenvolvimento da nossa aula na alfabetização, precisamos deixar tudo organizado anteriormente. Então, procure deixar prontas as atividades impressas, e também slides, equipamentos e tudo mais que for possível já deixar preparado. E boa aula!

Espero que tenham gostado das minhas sugestões, e que elas possam contribuir para uma melhor organização do tempo em sua sala de aula – e se você também tem dicas de boas práticas, conte aqui nos comentários.

Um abraço e até a próxima!

Mara Mansani

 

Mara Mansani é professora há 34 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF, no livro “Muda o Mundo, Raimundo”. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga

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