Como usar as Paralimpíadas nas aulas de Matemática

Conheça 4 ideias para usar o evento esportivo para desenvolver habilidades matemáticas no ensino remoto ou híbrido

POR:
Selene Coletti
Crédito: Getty Images

Apesar do esporte não ser tão incentivado, o Brasil superou-se nas Olimpíadas de Tóquio, enchendo cada um de nós de orgulho. Certamente, em edições passadas da competição, o tema esteve presente na sua sala de aula, seja na forma de roda de conversa ou numa sequência interdisciplinar de atividades.

Se pelas férias escolares ou pelo período de volta às aulas, não foi possível fazer esse trabalho com as Olimpíadas, não se preocupe que ainda dá tempo! É possível fazer um trabalho bacana com a Matemática inspirado nos Jogos Paralímpicos que acontecem em Tóquio entre 24 de agosto e 05 de setembro.

Entenda mais sobre as Paralimpíadas
Para começar, é preciso conhecer um pouco mais sobre as Paralimpíadas, que é o segundo maior evento esportivo do mundo. Na edição de 2020, que acontece em 2021 pela pandemia, cerca de 5 mil atletas dos cinco continentes se encontrarão em Tóquio. Conheça um pouco mais da história das paraolimpíadas clicando aqui.

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Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro
, o Brasil leva 257 atletas, incluindo aqueles sem deficiência como guias, calheiros, goleiros e timoneiro. Será a maior delegação brasileira a participar. Teremos atletas competindo em 20 das 22 modalidades.  Nos últimos Jogos, que aconteceram em 2016 no Rio de Janeiro, nosso país ganhou 72 medalhas e ficou em oitavo lugar no ranking.

Depois de saber um pouco mais sobre a competição já é possível propor uma roda de conversa com seus alunos sobre o assunto. Pergunte se eles já ouviram falar, o que sabem sobre a história da competição e o que gostariam de saber. Essa pode ser a parte inicial de um projeto interdisciplinar ou de sensibilização para entrar na Matemática.

Contagem e situações-problemas de adição e subtração
Para as aulas de Matemática, você pode começar trazendo propostas de contagem, em que as crianças tenham que organizar as quantidades de medalhas obtidas pelo Brasil e de outros países na última Paralimpíada É possível explorar as quantidades de medalhas de ouro, prata e bronze de cada um deles e o total. Na sequência, crie situações-problemas relacionando essas descobertas com as ideias da adição e subtração.

As ideias do campo aditivo, trazidas na coluna sobre a sondagem Matemática, poderão ser trabalhadas com esse tipo de atividade. Já as ideias da subtração de completar (quanto falta para), comparar (mais que e menos que) ou de retirar podem aparecer nas situações-problemas propostas. Dessa forma, as crianças poderão desenvolver habilidades matemáticas de uma forma mais significativa.

Enquanto os Jogos não começam, é possível fazer esse trabalho usando o histórico de medalhas do Brasil. Depois, é possível comparar em relação aos ganhos atuais a partir das ideias de: quanto falta, quem tem mais ou menos.

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Outro objeto de conhecimento que poderá ser bastante explorado é a grandeza de tempo, como a questão do tempo nas provas de natação, atletismo, por exemplo. Nelas, para se definir o campeão, milésimos de segundos contam enquanto em outras modalidades a contagem é diferente. Nesta reportagem, encontrará muita inspiração para elaborar situações-problemas explorando as diferentes formas de medir e contar.  

Aliás, aqui há 10 materiais de NOVA ESCOLA sobre Olimpíadas que podem servir de inspiração para pensar as atividades dos Jogos Paralímpicos.

Interpretação de gráficos e dados
No site do Comitê Paralímpico Brasileiro, você encontra diferentes tipos de gráficos. Separei o exemplo abaixo que poderá ser explorado com uma turma do 5º ano que já esteja familiarizada com o tratamento de informações – é possível usar outros mais simples para alunos mais novos.

Crédito: Reprodução/Comitê Paralímpico Brasileiro. Disponível aqui

Para começar, apresente o gráfico e deixe que a turma fale o que percebe ao observá-lo: o que significam as linhas de cada cor; em qual ano a quantidade de medalhas foi maior ou menor; o que acontece com as de ouro; em qual ano há um aumento e/ou diminuição das medalhas de cada tipo. Além de interpretar os números, é importante explorar o que há por trás desses resultados.

Outra possibilidade é construir uma tabela. Propor que anotem as conquistas em Tóquio e ir comparando com os resultados dos Jogos Paraolímpicos de 2016. Pode também construir um novo gráfico com os resultados e comparar de acordo com o tipo de medalha.


Jogos sobre as Paralimpíadas
Conforme a idade das turmas é possível aumentar a complexidade, mas todos irão adorar! Nele você pode colocar as modalidades esportivas e avançar ou retroceder conforme a instrução da casa. Trago um exemplo para você se inspirar e criar o seu.

Crédito: Acervo pessoal

Enquanto a turma joga (ou depois), como já conversamos tantas vezes por aqui, não deixe de problematizar as situações observadas e vivenciadas pelos estudantes para permitir que avancem nas aprendizagens matemáticas.

Outra ideia é fazer um jogo tipo Super Trunfo com as modalidades esportivas, no qual será possível, além de conhecer um pouco sobre o esporte, explorar o valor dos números das cartas.

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Álbum de figurinhas
Nas Olimpíadas de 2016 trabalhei com meus alunos, tanto da Educação Infantil como os de 1º ano do Fundamental, o álbum de figurinhas. A ideia foi de uma amiga muito criativa. Além de ser muito divertido, rendeu muitas situações-problemas envolvendo as figurinhas e o seu preenchimento.

Para te ajudar, preparei um exemplo de modelo de álbum para preencher conforme as imagens que decidir usar:


Confira como ficou o resultado final para se inspirar e criar o seu. 

Crédito: Acervo pessoal

Crédito: Acervo pessoal

E então, animou-se para trazer as Paraolimpíadas para a sua classe? Conte para mim nos comentários como está pensando em aproveitar o tema nas suas aulas

Um abraço e até a próxima,

Selene

Selene Coletti é professora há 40 anos na rede pública. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita,  com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

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