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Projeto de Vida: como apoiar crianças e jovens a pensar no futuro

Gerir emoções, fazer planos e atuar com autonomia são habilidades que podem ser desenvolvidas com a competência geral da BNCC

POR:
Diel Santos
Crédito: Getty Images

O trabalho com projeto de vida na escola tem papel fundamental na formação dos alunos. A abordagem permite o desenvolvimento do autoconhecimento e que os estudantes serem capazes de formular planos para o futuro. Ele também é um espaço privilegiado para o desenvolvimento de competências socioemocionais. “No atual momento, trabalhar os sentimentos e emoções dos alunos é uma urgência e penso que na volta ao presencial isso não pode ser abandonado", afirma Letícia Moreira Viesba, professora de Matemática e de Projeto de Vida para turmas do 6º ano da Escola Estadual João de Melo, em Diadema (SP).

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De acordo com Marco Antonio Morgado da Silva, professor de Pós-Graduação do Instituto Singularidades, doutor em Psicologia e Educação e autor do livro “Projeto de Vida: construindo o futuro”, é essencial apoiar as crianças e os jovens em suas demandas emocionais, manter espaços de escuta, de acolhimento, de interação entre pares e de expressividade, sempre respeitando os limites de cada um. “O projeto de vida ajuda a pensar no futuro, a gerir as incertezas e trazer mais segurança e estabilidade. É preciso mantê-lo, com adaptações ao contexto da escola presencial, virtual ou híbrida, e tematizar os desafios impostos pela pandemia, bem como os recursos disponíveis para enfrentá-los”, conclui. A professora Letícia percebe que, a partir do trabalho desenvolvido, alunos que antes eram tímidos se tornaram mais confiantes e participativos.

A importância desse trabalho é reafirmada com a Base Nacional Curricular (BNCC), que coloca o projeto de vida é uma das competências gerais que devem ser desenvolvidas durante toda a Educação Básica. A proposta trazida pelo documento é desenvolver o autoconhecimento desde cedo e oferecer ferramentas importantes que preparem o aluno a ser um cidadão crítico, independente e ético.  “A escola deixou por muito tempo em segundo plano aprendizados relativos à identidade pessoal, às emoções e aos conflitos interpessoais vividos pelas crianças e jovens. Agora precisa olhar para isso”, explica Marco. “O aluno deve ser responsável por definir quem é e que lhe dá sentido e propósito para formular seu projeto de vida”, complementa.

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Para que isso seja possível, é fundamental que os professores sejam preparados para apoiar esse aluno no processo de autoconhecimento. “É necessário conhecer o tema mediante produções teóricas, pesquisas e propostas didáticas que contemplem sua complexidade para estruturar um planejamento contendo objetivos”, diz. O especialista alerta que o trabalho com projeto de vida não pode ser pontual, mas ações intencionais e sistemáticas. 

Como acontece na prática

Para Maria Luciana Jonas, professora de 5º ano no Centro de Ensino Integral Jonas de Freitas, em Arcoverde (PE), os educadores precisam entender a realidade e as demandas da turma. “Estar sempre em conexão ao aluno é fundamental. Enquanto professora, procuro trabalhar temas que permitam abordar a questão socioemocional para que eles consigam lidar com os desafios do dia a dia”, explica.

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Para Letícia, o primeiro passo é estimular as crianças a se abrirem. “Começo permitindo que eles digam o que sentem, como estão as coisas em casa, com a família”, explica a educadora. Com a pandemia, a turma assiste às aulas de Projeto de Vida pelo Centro de Mídias da Educação de São Paulo. As atividades partem de questões provocadoras que levam em consideração a realidade e cotidiano dos estudantes. Depois desse momento, a professora envia por WhatsApp um questionário pelo Google Formulário. “Analiso as respostas e entro em contato com os alunos para me aprofundar e resolver as questões que aparecem”, comenta Letícia.

Para planejar suas aulas, a professora Maria Luciana parte das diretrizes estabelecidas pela rede, mas sempre busca elementos do dia a dia dos alunos para as atividades que propõe. Apesar de estarem a distância, a professora explica que segue o mesmo no formato remoto de como era no presencial. Ela faz uma introdução do assunto e depois propõe uma roda de conversa. “Costumo sempre abrir espaço para eles opinarem, se abrirem sobre a atividade trabalhada. Se algum deles lida com questões pessoais, conflitos em casa e [para quem quiser] compartilhar, nós abrimos uma roda de conversa”, conta. A professora comenta que momentos de conversa como esse são combinados com os alunos, eles podem escolher se prefere. “Só abrimos a roda de conversa caso ele queira expor o que está passando. Às vezes eles preferem conversar só comigo, então vamos para um local reservado”, comenta. 

     Confira dicas para colocar em prática o trabalho com projeto de vida

Pedimos para as professoras Letícia Moreira Viesba e Maria Luciana Jonas dicas para os professores que estão começando esse trabalho:

- Ouça sempre seus alunos e garanta espaços para as crianças falarem de seus sentimentos e sonhos. As respostas podem ser utilizadas como estratégias de trabalho.

- Planeje atividades que ajudem a ampliar a compreensão sobre o valor das relações humanas e estimulem a visão otimista sobre o futuro.

- Abra-se com os alunos. Contar sua história de vida e de outras pessoas pode servir como inspiração.

- Saiba traduzir pensamentos e emoções em palavras. Tome cuidado com a forma e o tom na hora de conversar com os alunos.

- Estimule a participação das famílias e de outros professores nas atividades propostas, convide-os a que construam também seus projetos de vida.

- Promova o compartilhamento de boas práticas entre colegas e fazer um planejamento coletivo.

- Não deixe de levar em consideração, no seu trabalho, o cotidiano da escola e a realidade dos alunos