Hora de pensar o planejamento para o 2º semestre

Nessa nova etapa do ano letivo devemos rever o que foi previsto e traçar ações que fortaleçam a construção do conhecimento matemático

POR:
Selene Coletti
Crédito: Getty Images

No início do ano conversamos sobre como planejar as aulas de Matemática em 2021. Um semestre já se foi e agora é hora de rever o que fizemos e as aprendizagens que conseguimos atingir para redirecionar ações, retomar outras ou mesmo manter aquelas que estamos obtendo bons resultados. Para isso, devemos fazer uma avaliação do nosso trabalho durante todo o semestre. Ao longo do percurso, estamos sempre analisando o que está dando certo e o que precisa ser melhorado.

Com o planejamento em mãos, a Base Nacional Comum Curricular (ou o currículo alinhado a ela), os seus planos de aula ou semanários e os registros do percurso é hora de focar o olhar para o que ainda é necessário ser revisto. Para te ajudar neste momento, separei quatro pontos que julgo poderão contribuir para a sua reflexão. Vamos lá?

1. Quais foram as habilidades desenvolvidas?

No início do ano você deve ter elencado as habilidades prioritárias que precisam estar presentes nas suas aulas em 2021. É provável que tenha ouvido falar sobre os mapas focais que foram criados a partir da BNCC. Porém, se ainda não fez isto, ainda dá tempo de elencar os que é essencial para o 2º semestre – confira aqui um material gratuito preparado por NOVA ESCOLA e Instituto Reúna sobre aprendizagens prioritárias.

Para fazer essa análise, revisite os registros feitos ao longo do semestre. Veja quais habilidades foram contempladas e quais ainda requerem uma atenção especial diante das produções dos seus alunos.

Curso gratuito para gestores: como apoiar a equipe no replanejamento contínuo

Entenda como elaborar bons instrumentos de planejamento e saiba o que deve ser considerado para adaptar o planejamento a eventuais mudanças de contexto


2. Quais foram as estratégias utilizadas? Elas garantiram o direito de aprendizagem de todos os alunos?

Faça uma reflexão sobre o alcance das estratégias que você vem usando em suas aulas – sejam presenciais ou no ambiente virtual. É mais uma vez o momento para pensar em como minimizar as dificuldades ou como fazer para que todos possam ter acesso às aulas.

Pode parecer utópico, mas é fundamental um grande trabalho em equipe para que o direito à Educação seja garantido a todos indistintamente. A busca ativa, a conversa com os responsáveis e a parceria com a família são aspectos essenciais nesse momento e que, certamente, permanecerão importantes quando falamos de aulas online ou no modelo híbrido.

Outro aspecto que necessita ser pensado são as estratégias de aulas que foram utilizadas. Não é possível ficar apenas na transmissão do conhecimento. O aluno precisa ser protagonista de sua aprendizagem, mesmo a distância. Tenho certeza de que, se você acredita nesta premissa, já encontrou caminhos para trazer a participação de seus alunos como forma de promover a aprendizagem.

Aproveitemos este tempo para refletir se permite que seus alunos falem, expressem suas opiniões. Se os está ouvindo, contra-argumentando suas ideias, se busca entender como estão pensando para assim fazer boas intervenções e promover o avanço na aprendizagem. O que nos leva a refletir também sobre o uso da metodologia de resolução de problemas em nossas aulas e no dia a dia, assunto que também já conversamos aqui na coluna.

Cursos sobre metodologias ativas

Conheça o intensivo de cursos sobre Metodologias Ativas para facilitar o protagonismo do aluno e motivá-lo na construção de seu conhecimento. São 50 horas de formação.


Nesse processo, aproveite também para olhar as metodologias ativas que está usando. Caso elas ainda não estejam presentes na sua prática, é hora de as incluir na sua rotina e buscar aquela que melhor funciona para sua turma.

Na coluna, já trouxe diversas vezes sobre como os jogos são uma ferramenta poderosa para desenvolver aulas de Matemática mais dinâmicas e significativas. Se eles estão inseridos no seu trabalho, avalie o que deu certo, o que ainda não rendeu e escolha um novo para começar. Jogue antes, descubra o que a turma poderá aprender com ele e entenda quais são as possibilidades de problematizações e intervenções. Tenho certeza de que ficará encantada!

3. Quais foram os registros? O que eles me dizem?

É hora também de analisar o quanto o registro faz parte da sua rotina, sejam os dos alunos, sejam os seus. Eles precisam ser uma fonte rica de informação para pensar nas suas ações, nos encaminhamentos de novas propostas ou mesmo de retomar aquelas que ainda apresentam dúvidas.

Quando falo de registro me refiro não só aos registros escritos que fazemos semanalmente para refletir sobre a semana e pensar na próxima, mas também as gravações (áudios e vídeos, tão presentes atualmente) e também as fotografias enviadas pelos alunos. É um bom acervo que precisa ser usado constantemente.

Se você ainda não aderiu à essa pratica, é uma boa oportunidade de começar. Organize uma pauta de observação, por exemplo, de como os estudantes estão resolvendo determinada proposta para guiar o seu olhar e, a partir dos dados, analise o que eles já sabem e o que ainda precisam saber. Ou grave uma aula sua e depois a assista pontuando as suas boas intervenções e o que ainda pode ser melhorado. Escreva e reflita sobre estes pontos.

4. Como funcionou a avaliação este semestre?

Este é um aspecto que deve merecer atenção sempre, mas no contexto atual ganha uma maior importância. Você já deve ter percebido que é preciso utilizar diferentes instrumentos avaliativos e que aquele formato tradicional de prova precisa ser revisto. A avaliação não pode ter uma função meramente burocrática.  Por isso, é importante retomar as formas de acompanhamento das aprendizagens usadas neste semestre e refletir sobre o próximo, buscar alternativas que coloquem o aluno no centro desse processo. Também é hora de pensar se está utilizando as informações delas advindas como farol para o planejamento das suas ações e como forma de entender o que seu aluno já sabe e ainda precisa aprender.

Como avaliar os alunos após mais de um ano de pandemia

Confira dicas e experiências de educadores sobre o acompanhamento do desenvolvimento dos alunos no contexto remoto ou semipresencial.


Como disse estes são alguns pontos para começar a reflexão sobre o semestre e te inspirar a buscar novas alternativas ou a identificar aquelas que deram certo. Nesse processo, te convido a (re)visitar um material que compartilhei no início do primeiro semestre. Ele poderá mostrar caminhos possíveis para reinventar este novo semestre e possibilitar que a Matemática seja uma ferramenta do nosso aluno ler e intervir no mundo no qual está inserido.

E você, como está o planejamento e preparativos para a volta às aulas? 

Um ótimo recomeço para todos nós!

Abraços e até a próxima,

Selene

Selene Coletti é professora há 40 anos na rede pública. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

Tags

Guias