11 dicas para dar feedback aos alunos no ensino remoto

As devolutivas estruturam o trabalho do docente, constituem parte essencial do processo de aprendizagem e, no formato a distância, aproximam estudantes e professores

POR:
Dimítria Coutinho
Crédito: Getty Images

O ensino remoto, adotado em virtude da Covid-19, impôs uma série de desafios aos professores. Um deles diz respeito a como fazer o acompanhamento a distância da aprendizagem dos estudantes e como dar devolutivas a eles. Com ou sem pandemia, esses feedbacks são essenciais tanto para os alunos terem ciência de como estão em relação aos objetivos de aprendizagem, como para os docentes poderem reorganizar suas estratégias pedagógicas. 

“Dar feedback é algo que deve permear sempre o processo avaliativo do professor em relação ao desempenho dos estudantes, a partir dos objetivos de ensino que ele define no seu plano de curso. Independentemente do modo como esse trabalho esteja sendo desenvolvido, no formato presencial ou virtual, a avaliação é um dos elementos que estrutura a prática do professor”, afirma Edileuza Fernandes Silva, especialista em avaliação e professora adjunta da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB). 

Segundo ela, o primeiro passo para pensar nas devolutivas é entender a avaliação como um processo. É em cada atividade, aula ou projeto, e não apenas nas provas formais, que os professores conseguem compreender como cada aluno está avançando. E essa avaliação constante precisa também gerar um feedback para os estudantes, apontando o que tem sido feito de correto e o que ainda precisa melhorar. Mas isso tem sido bastante desafiador.

Como avaliar em 2021?

Conheça diferentes ferramentas e estratégias para conduzir com empatia os processos avaliativos no ensino remoto emergencial


“No ensino remoto, o feedback tem uma importância ainda maior. Pois é no dia a dia da sala de aula presencial que o professor vai dando essas devolutivas. É em uma conversa ali na mesa, em uma atividade em que o professor chama o aluno para ir lá no quadro resolver uma questão ou mesmo em uma aula expositiva. Com o distanciamento, nós perdemos um pouco isso”, diz Edileuza.

Alguns docentes estão testando formas diferentes de dar esses feedbacks aos alunos. É o caso de Rosemeire Fracaroli Pancoto, professora do 4º ano da Escola Municipal de Educação Básica Philomena Sálvia Zupardo, em Itatiba (SP), e de Alessandro Araújo Bezerra, professor do 5º ano da Escola Classe 614 de Samambaia, em Brasília (DF). Abaixo, os professores e a especialista dão dicas sobre como fazer essas devolutivas no ensino remoto.

1. Busque a devolutiva possível
A pandemia impôs desafios e, na prática, nenhuma etapa da aprendizagem está sendo conduzida da forma ideal. E isso também vale para os feedbacks. É claro que a devolutiva remota será tão boa quanto uma conversa olho no olho com os alunos, mas é importante não se deixar paralisar. “Quando você não consegue oferecer esse feedback ao aluno, ele começa a se sentir um pouco frustrado. Então, é essencial que esse retorno aconteça, mesmo que não seja 100%. Acredito que nenhum professor está conseguindo dar 100% dessa devolutiva”, comenta Alessandro.

2. Entenda o feedback como uma atividade constante
Assim como a avaliação, o feedback também precisa ser um processo constante. Os professores não devem dar retorno do aprendizado ao aluno apenas após uma prova, por exemplo, mas também depois de atividades, aulas e trabalhos. Dessa forma, tanto o aluno quanto o professor conseguem perceber a evolução na aprendizagem.

3. Esteja próximo dos alunos
Rosemeire e Alessandro observam que, no ensino remoto, uma das maiores vantagens do feedback é motivar os alunos a continuarem estudando. Seja com uma mensagem rápida no WhatsApp ou com uma chamada de vídeo exclusiva, é importante não deixar os estudantes sem retorno, “no escuro”. “Dar esse feedback é o mesmo que dizer que você está ali, próximo dele. Não existe aprendizado e pedagogia sem afetividade”, pontua Alessandro.

4. Conte aos estudantes o que você espera deles
Antes de explicar ao aluno em quais aspectos ele precisa se dedicar mais e em quais ele está indo bem, é essencial apontar o que você espera da turma. É entendendo onde precisa chegar que o estudante conseguirá trilhar esse caminho, com o auxílio do professor. Edileuza destaca que essa transparência também deve levar em consideração as limitações impostas pelo modelo remoto. “Os objetivos não são alcançados em um passe de mágica, eles requerem trabalho do professor e do estudante". 

Como avaliar os alunos após mais de um ano de pandemia

Confira dicas e experiências de educadores sobre o acompanhamento do desenvolvimento dos alunos de Fundamental 1 no contexto remoto


5. Relacione avaliação com devolutiva
Seja com aulas síncronas online ou com atividades impressas enviadas aos alunos, é sempre importante que o processo de ensino gere formas para o professor compreender o processo de aprendizagem do estudante, conseguir avaliá-lo e dar uma devolutiva construtiva. Por isso, deve haver um planejamento conjunto, pensando em maneiras novas de conseguir acompanhar os alunos a distância.

6. Utilize a autoavaliação
No ensino remoto, a autoavaliação pode dar ao professor subsídios para entender o processo de aprendizagem do estudante. Assim, ele é capaz de dar feedback de como os estudos podem melhorar. A autoavaliação não deve ser, porém, uma auto  atribuição de nota, alerta Edileuza. “A autoavaliação que importa é a autorreflexão que o estudante vai fazer sobre o seu próprio processo de construção do conhecimento. É como ele percebe que ele está aprendendo”.

7. Estabeleça contato com as famílias
As famílias têm se tornado cada vez mais participativas no processo de ensino e aprendizagem no ensino remoto. Por isso, é essencial conversar também com elas para compreender o contexto de cada aluno. Dependendo da idade do estudante, os familiares podem estar presentes no momento do feedback, para ajudá-lo a alcançar seus objetivos.

8. Priorize o feedback individual
Por mais que os momentos de correção de atividades em turma sejam importantes, é essencial dar retornos individuais a cada estudante. Rosemeire conta que costuma enviar mensagens no WhatsApp com fotos de correções, áudios ou pequenos vídeos dando dicas e conselhos individuais a cada aluno -- nem que seja um coração na capa do trabalho, ela nunca deixa de responder os estudantes. Em projetos mais complexos, ela também aposta em atendimentos individuais por chamada de vídeo.

Curso gratuito: Como avaliar os alunos a distância?

Conheça o Padlet, ferramenta gratuita que permite a construção de portfólios e acompanhamento do desempenho dos estudantes, e como utilizar a ferramenta para avaliar os alunos.


9. Utilize ferramentas diferentes
Se os alunos tiverem bom acesso à internet, algumas ferramentas tecnológicas podem ajudar na hora do feedback. Rosemeire conta que plataformas como Liveworksheets, Wordwall e até o Google Formulários permitem a criação de atividades gamificadas que podem fornecer devolutivas automáticas. Além disso, as chamadas de vídeo individuais, caso haja tempo e conexão, são a melhor opção para um retorno mais “olho no olho” e permitem, inclusive, o compartilhamento de tela com as atividades. Se o WhatsApp for o único meio disponível, vale a pena apostar em todos os recursos da plataforma, como fotos de trabalhos com comentários, áudios e vídeos.

10. Elogie
Quando se fala em feedback, é comum que se pense em correção de erros e aspectos nos quais os estudantes podem melhorar. Sobretudo no contexto da pandemia, porém, os feedbacks positivos são essenciais, já que podem ajudar os alunos a se manterem motivados. “É importante reconhecer também todo o empenho e o esforço da parte deles”, diz Rosemeire.

11. Insira o feedback no seu planejamento
Dar atenção individual a cada estudante toma tempo. Por isso, insira os feedbacks no seu planejamento para conseguir conciliar essa atividade com todas as outras presentes no cotidiano do professor. Pode ser interessante também impor alguns limites à prática, separando momentos para a turma tirar dúvidas, por exemplo. Assim, os momentos de feedbacks individuais não acabam se tornando um atendimento pedagógico longo e individualizado.

Tags

Guias