Como desenvolver o pensamento lógico no Fundamental 1

Confira 6 dicas e sugestões para promover o raciocínio nas suas aulas de Matemática

POR:
Selene Coletti
Crédito: Getty Images

O tempo voou. Estamos no fim de mais um semestre letivo e já iniciando um novo. É o momento ideal para refletir e mudar ações e estratégias que não deram certo no atual cenário. Nesse processo de avaliação, lanço um questionamento: como estamos trabalhando o pensamento lógico matemático em nossas salas de aula? Ele ganha espaço em nosso planejamento? Neste texto, te convido a rever o tema e garantir o seu lugar nas atividades do segundo semestre.

Como nos ensina Piaget, o pensamento lógico matemático é resultado das ações que o sujeito realiza sobre os objetos. A abstração reflexiva acontece a partir da coordenação dessas ações que permitem à criança fazer relações. Pode parecer complexo, mas não é. Por exemplo, uma criança está brincando com materiais de encaixe e compara o tamanho de duas peças para poder encaixá-las. Essa relação – a comparação— não está nos objetos, mas foi criada (ou reinventada) pelo pequeno ao explorá-los. Em outras palavras, ele abstraiu a partir das experiências com os objetos.

Partindo dessa premissa, o pensamento lógico matemático não pode ser ensinado ou transmitido. Pelo contrário, ele precisa ser construído. Nossos alunos precisam dos materiais manipuláveis e concretos e de nossas intervenções para poder desenvolvê-lo.  Como educadores precisamos estar atentos a esse ponto e se questionar: seja no presencial ou no remoto, eu permito essa construção nas minhas aulas?

Curso Matemática na BNCC: Desenvolvendo o letramento matemático

Aprofunde-se nos significados do letramento matemático e conheça melhor as sugestões metodológicas trazidas pela BNCC para que ele seja favorecido. Estratégias como a resolução de problemas, a investigação, o desenvolvimento de projetos e a modelagem serão discutidos.


O que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) fala sobre pensamento lógico?
A BNCC traz, entre as competências específicas para o ensino da Matemática, o desenvolvimento do “raciocínio lógico, o espírito de investigação e a capacidade de produzir argumentos convincentes, recorrendo aos conhecimentos matemáticos para compreender e atuar no mundo”.

Como é possível perceber, ambas as colocações estão conectadas entre si. Apenas é possível desenvolver a investigação e a argumentação se investirmos na construção do pensamento lógico matemático. Isto é, permitir que manipulem e atuem sobre os objetos e estabeleçam relações. Evidente que isso tudo depende da concepção de ensino e aprendizagem de cada um para que se coloque em prática.

Se acredito na capacidade do aluno de ter uma forma de pensar e expressar suas ideias, abro espaços em minha aula para que este aluno seja protagonista, como a própria BNCC propõe, do seu processo de aprendizagem. Com isso, é meu papel como professora aprender a ouvi-lo e entender o seu pensamento para poder planejar novas intervenções e promover o avanço. O que significa que é preciso aprender a não dar respostas prontas – ou a perguntar e já responder antes de ouvir as ideias. É um processo de mão dupla!


Ideias para levar para a prática
Promover o desenvolvimento do pensamento lógico é apostar em aulas que permitam o aluno estar em movimento, trocando ideias e pontos de vista com os colegas e com o professor. É nesse momento que irá construir as relações entre os diferentes objetos de conhecimento, o que se dará também a partir das nossas intervenções – uma boa pergunta é tudo!

Para ajudar seu planejamento, compartilho seis sugestões:

1. Garanta um ambiente educativo
Para quem retomou as atividades presenciais, o espaço da sala de aula precisa ser rico em materiais não estruturados, jogos variados, carrinhos e objetos variados que convidem o aluno a exploração e contar. Tudo isso obedecendo os protocolos de higiene depois do manuseio.

2. Disponibilize jogos variados
Jogos de bingo, dominó, quebra-cabeça, de memória, tabuleiros, cartas, resta um, ligue 4, boliche, entre outros. Proporcione momentos nos quais os alunos possam explorar estes materiais e descobrir as regras para jogar.

Nesse momento, é fundamental que você, professor, faça boas intervenções. Elas irão contribuir para o avanço das crianças – principalmente aquelas com mais dificuldade.  Problematize jogadas observadas, converse com a turma para os incentivar a participar e compartilhar suas estratégias com os colegas. É importante observar como jogam, se entendeu as instruções e se conseguem jogar. Isso te dá muitos indícios do quanto o pensamento lógico matemático está em ação ou o quanto ainda é preciso investir.

Trabalho com jogos: como aproveitar o interesse dos alunos

Entenda como utilizar jogos no processo de ensino e aprendizagem e conheça estratégias para incluir esses recursos em seu planejamento

3. Invista em diferentes tipos de quebra-cabeças
O Tangram, além de sua versão quadrada com sete peças, tem outros formatos: oval, coração, triangular ou a circular. Com essas variações é possível formar diferentes figuras e combinações. Existe a versão digital gratuita do programa Gcompis. Outra possibilidade é o Cilada. O jogo tem 50 quebra-cabeças diferentes para serem montados com suas 24 peças evitando cair em cilada, ou seja, não conseguir completá-lo.

4. Apresente uma versão adaptada do Sudoku
O jogo popular também trabalha o pensamento lógico. Ele pode ser adaptado para as crianças menores. Disponibilize 12 figuras que precisam ser dispostas num tabuleiro de forma que as linhas verticais e horizontais não tenham figuras iguais – você pode personalizar o tema. Veja um modelo clicando no botão abaixo.


5. Ofereça uma grande variedade de materiais
Ao ofertar objetos variados para explorar, é possível desenvolver o conceito de classificação. Por exemplo, agrupe os que são parecidos em algo ou que sigam algum critério, sem lhes dizer qual é. Ela terá que estabelecer relações e elaborar sua hipótese. Explicar o que fez é fundamental. Sua contra-argumentação contribuirá no processo de desenvolvimento do pensamento lógico.

6. Alie a outras atividades
Para promover o pensamento lógico uma possibilidade é trabalhar em conjunto a atividades que desenvolvam a noção de aleatoriedade e probabilidade.

Todas as sugestões estão relacionadas ao letramento matemático – que também abordamos aqui. É importante propor diferentes oportunidades nas quais a turma possa representar, raciocinar, comunicar e argumentar. Desta forma, ele estará se preparando para ser capaz de resolver problemas de diferentes contextos utilizando-se dos fatos e ferramentas e estratégias variadas.

Vamos criar mais espaços em nossas aulas para construir e exercitar o pensamento lógico? Me conte nos comentários quais experiências já teve dentro dessa temática.

Um abraço, boas férias e até a próxima,

Selene

Selene Coletti é professora há 40 anos na rede pública. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita,  com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

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