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Avaliação: entenda sua importância e como ela pode ajudar na aprendizagem

Esse instrumento é essencial para gerar dados que podem ajudar professores, gestores e redes a avançar a aprendizagem e combater o abandono escolar

POR:
NOVA ESCOLA
Fotografia de aluno em primeiro plano de máscara, sentado em carteira escrevendo sobre caderno. Alunos estão em sala de aula.
Ilustrações: Tayna Marques

Atividades online para uns, lições enviadas por WhatsApp ou impressas para outros. Há também os alunos que têm frequentado as aulas presenciais. Se nas salas de aula a aprendizagem tinha resultados heterogêneos, com o avanço da pandemia no Brasil o acesso dos alunos ao conhecimento ficou ainda mais desigual, principalmente quando olhamos para estudantes de classes sociais e raças diferentes. Quem aprendeu o quê? Quem ainda precisa ver o quê? Diante desse quadro, especialistas apontam que a avaliação diagnóstica tem se tornado um instrumento ainda mais valioso para professores, gestores, escolas e redes, e tem que ser revista com urgência.

São as avaliações que vão nos ajudar a entender “até onde o aluno foi e o que aprendeu neste período de escolas fechadas e com atividades remotas”, explica a presidente do Conselho Nacional de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. Segundo ela, o diagnóstico dará indicadores para que as escolas, com suas equipes gestoras e professores, possam organizar a recuperação dos aprendizados. São dados fundamentais para construir as ações necessárias para garantir a aprendizagem e que vão se somar ao quadro municipal, estadual, regional e nacional – formando o grande contexto da Educação no país.

LEIA MAIS: Confira aqui um material sobre desigualdades na escola usando dados do Saeb, por exemplo.

Além da etapa de alfabetização, a presidente do CNE sugere que sejam feitas avaliações nos anos de transição. “Alunos que neste ano estão no 6º ano, por exemplo, devem ser avaliados para ver o que aconteceu, o que aprenderam no 5º ano”, diz. Para os estudantes do Ensino Médio, Maria Helena avalia que deve ser pensado “imediatamente” um processo de recuperação de aprendizagem com base na avaliação diagnóstica.

Ricardo Madeira, pesquisador do Centro de Pesquisa Transdisciplinar em Educação (CPTE) do Instituto Unibanco, ressalta que é necessário ter em vista que os diagnósticos não só oferecem dados dos alunos, mas também ajudam as escolas a entender as dificuldades dos estudantes. “Agora é o momento em que a escola tem que se conectar com o aluno, ela tem que fazer sentido para as dificuldades desse aluno, e só vamos saber quais são essas dificuldades ao fazermos uma boa avaliação diagnóstica”, pontua o pesquisador.

Apesar de relevantes, as avaliações têm encontrado obstáculos pelo caminho neste cenário de pandemia que dificultam a sua aplicação da melhor forma. Os instrumentos utilizados no ensino remoto “são poucos confiáveis”, segundo Madeira. “Uma das grandes dificuldades da Educação remota é exatamente avaliar os alunos. Então, é muito importante que eles sejam avaliados na primeira oportunidade, e essa avaliação tem que ter um tom de acolhimento”.

Como desenvolver as avaliações durante ou após a pandemia?

Há um consenso de que as avaliações têm um papel essencial neste momento e que, com o retorno das aulas presenciais, devem ganhar prioridade nas ações das escolas e redes. Para desenvolvê-las da melhor maneira, especialistas sugerem um olhar atento para a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e a flexibilização curricular.

“Para as redes que ainda estão engatinhando com o seu currículo, o ideal é que usem como referência a BNCC. É muito importante que os professores estejam preparados para aquilo que vão encontrar na avaliação diagnóstica”, aponta o pesquisador do Instituto Unibanco. Ele sugere que as equipes pedagógicas se reúnam para olhar para o currículo e entender quais componentes devem ser prioritários. É preciso “formar os professores para que consigam fazer uma boa leitura dos resultados da avaliação”, explica.

É importante ter em mente que os resultados das avaliações podem mostrar o abismo entre estudantes brancos e negros, por exemplo. Uma análise feita pela Universidade Federal da Bahia mostra, a partir de dados do Saeb, como alunos brancos e negros têm proficiência diferentes em componentes curriculares de Matemática.

De acordo com esse trabalho, “a ocorrência de ações preconceituosas e discriminativas na instituição escolar pode ser assinalada como uma das causas para os resultados negativos de proficiência escolar dos alunos negros”. No cenário da pandemia, essas ações podem ocorrer no ambiente online, ou alunos negros podem ter um desenvolvimento abaixo do esperado também pela falta de instrumentos que garantam a aprendizagem.

O trabalho entre a equipe gestora e os professores é essencial para que o processo de avaliação aconteça alinhado à BNCC. A presidente do CNE ressalta como essa tarefa pode ser feita em conjunto. “A escola consegue selecionar as habilidades e os conteúdos essenciais para o aprendizado dos alunos, inclusive os mais importantes e que permitem a interdisciplinaridade”, diz.

Além de estabelecer uma interação entre a equipe gestora e os professores, o corpo docente pode fazer trocas para produzir as avaliações e decidir o que fazer com os resultados obtidos com os diagnósticos. É imprescindível analisar os dados e, a partir deles, criar estratégias e ações com foco no avanço da aprendizagem dos alunos.

LEIA MAIS: Quer saber a opinião de ex-ministros da Educação sobre o tema? Confira os vídeos aqui.

Conheça os tipos de avaliação
Existem três tipos principais de avaliação aplicados nas escolas e na Educação Básica. Entenda cada um deles, o que avaliam e em qual momento.

Avaliação de aprendizagem. É feita na sala de aula para identificar avanços e dificuldades de aprendizagem dos alunos. Ela pode ser aplicada no formato de prova, atividade ou até mesmo entrevista ou redação. “Tem escola que faz todo mês, professor que faz toda semana. É uma regra que diz respeito à autonomia da escola”, explica a presidente do CNE. Dentro da avaliação de aprendizagem, temos subgrupos de avaliações: as diagnósticas, formativas e somativas.

Avaliação institucional. Está relacionada à região ou à secretaria de Educação. É usada para o planejamento de políticas públicas no âmbito local, dentro da escola, ou em um cenário mais macro, em nível de município ou estado.

Avaliação externa ou em larga escala. Essas avaliações têm o objetivo de entender quais são as dificuldades dos alunos brasileiros em nível nacional. “Não são elaboradas pela escola; são aplicadas por algum fornecedor externo e têm uma escala de proficiência que permite a comparação intertemporal entre diferentes recortes de alunos em diferentes momentos”, explica Madeira. Como exemplo podemos citar o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

LEIA MAIS: Um guia para analisar o desempenho escolar usando dados do Ideb.

 

Saeb e Enem: a importância para as políticas públicas

Com previsão de ser aplicado no fim deste ano, o Saeb quase foi cancelado pelo Ministério da Educação (MEC). A pasta, no entanto, voltou atrás e anunciou a avaliação de forma amostral, o que ainda não agrada organizações e especialistas da área.

Para Ricardo Madeira, o problema de o Saeb ser amostral é que deixará municípios de fora e com esse modelo não será possível garantir a diversidade de aprendizado em que alunos brasileiros se encontram hoje. “Se o fizermos de forma amostral, sem conhecer, a priori, qual é a heterogeneidade que vamos encontrar, é até difícil desenhar essa amostra”, explica. O especialista avalia que é necessário o MEC mapear condições de implementação da prova para que ela seja universal.

A presidente do CNE sugere ainda que o Saeb esteja alinhado à BNCC e se inspire em avaliações internacionais. “O atual Saeb segue as matrizes de avaliação de 2001, portanto são matrizes muito defasadas em relação ao que a Base propõe”, indica Maria Helena.

Em 2019, o Saeb já apontava os desafios da Educação Básica no Brasil. Os dados daquele ano, por exemplo, mostraram que mais de 45% dos alunos do 5º ano não tinham proficiência em competências e habilidades básicas de alfabetização e letramento matemático. No 9º ano, estudantes também apresentaram dificuldade em Língua Portuguesa e Matemática, exatamente quando se encaminhavam para uma nova etapa.

Com os resultados, os governos federal, estadual e municipal conseguem planejar políticas públicas para driblar os desafios. A não realização do Saeb aponta graves riscos para a Educação brasileira, que pode ficar sem um panorama de como está a aprendizagem dos alunos.

Já o Enem, que abre inscrições em 30 de junho, terá provas nas versões impressa e digital aplicadas nos dias 21 e 28 de novembro. Mais de 100 mil vagas serão oferecidas pelo Enem Digital. No ano passado, por causa da pandemia, o Inep adiou o exame para janeiro e fevereiro deste ano e registrou as maiores taxas de abstenção. De acordo com a pesquisa "Juventudes e a Pandemia", feita pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), 8 em cada 10 jovens não prestaram a prova em 2020 e 45% não pretendem tentar neste ano. Pior: a mesma pesquisa apontou que 74% não se sentem preparados para fazer o exame e 43% dos jovens já pensaram em desistir de estudar durante a pandemia.

Inspire-se com casos reais

A Escola Estadual Desembargador Carlos Xavier Paes Barreto, em Vitória (ES), tinha o desafio de melhorar os índices de aprovação em Matemática nas avaliações internas e externas. O primeiro passo da escola foi perceber que recebia alunos com defasagem no componente curricular.

Perante esse desafio, estudaram como poderiam avançar nos índices e criaram uma aula de rotação por estações com os alunos. Em cada estação, o estudante podia ter contato com o tema de uma forma diferente. 

Os diferentes formatos ajudaram os alunos a se engajar nos temas. Os índices de aprovação melhoraram nas avaliações aplicadas na turma.

Confira casos reais no Banco de Soluções do Instituto Unibanco. É possível encontrar também experiências de gestão escolar.

Conheça mais sobre o presente e o futuro das avaliações educacionais no ciclo de webinars do Instituto Unibanco e do Conselho Nacional de Educação (CNE). Acompanhe as transmissões:

Caminhos para o ENEM – 23/06, às 16h
Qual uso devemos fazer das avaliações? – 30/06, às 16h
Formas inovadoras de avaliar – 07/07, às 16h

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