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7 pontos para repensar o processo de avaliação durante a pandemia

A professora Mara Mansani compartilha reflexão para investigar as estratégias para acompanhar as aprendizagens dos alunos

POR:
Mara Mansani
Crédito: Getty Images

Participo da Comunidade Atenea, uma rede latino-americana de educadores. Atualmente, estamos conversando sobre avaliação nos encontros formativos. Como primeira tarefa, tivemos que relatar nossa pior e a melhor experiência avaliativas. Essa atividade despertou muita reflexão entre todos os educadores. Também te sugiro fazer esse exercício e pensar quais seriam suas respostas.

Vou compartilhar uma das minhas. Lembro-me uma vez que tive que decorar cem perguntas para uma prova de História, pois as respostas tinham que estar exatamente iguais ao questionário corrigido pela professora em sala de aula. Memorizar não foi difícil para mim, o desafio foi entender por que era precisava daquilo. Será que essas e outras formas de se avaliar, que não fazem sentido nem promovem o avanço da aprendizagem, continuam acontecendo em nossas salas de aula?

Em tempos de pandemia, estamos repensando e transformando as nossas práticas pedagógicas, as metodologias, as estratégias e instrumentos em prol da aprendizagem. Não podemos continuar fazendo avaliação da mesma forma que fazemos há anos. Precisamos compreender que, além do currículo, o acompanhamento das aprendizagens deve guiar nosso fazer pedagógico. Nosso planejamento deve indicar quais as necessidades dos nossos alunos e quais as habilidades que ainda precisam ser desenvolvidas e são prioritárias.

Na alfabetização, por exemplo, no diagnóstico compreendemos o que a criança está pensando e entendendo sobre o processo de escrita alfabético. Com ele podemos saber se os alunos relacionam o falado com o escrito, se já dominam e compreendem a base alfabética, entre outras coisas. Dessa forma, temos insumos para planejar as próximas atividades com base no nível da aprendizagem da turma e fazer intervenções pontuais, de forma mais personalizada, para cada aluno.

Não há uma resposta única ou receita de como fazer, mas é necessário fazer o exercício de repensar a forma que avaliamos. Confira 7 perguntas que podem guiar essa reflexão:

1. Compreendo a finalidade do processo de avaliação, de conhecer, compreender, mediar, orientar, facilitar todo o processo de aprendizagem, acolhendo os alunos, oferecendo possibilidades e as melhores condições para que avancem?

2. Sei que é meu papel de avaliador, no sentido de promover essas melhores situações e condições de aprendizagem?

3. Como está meu olhar, minha postura na avaliação? É excludente ou inclusiva?

4. Os procedimentos de minha avaliação são adequados, justos e atendem a todos os alunos?

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5. Estou fazendo boas intervenções pedagógicas, a partir da análise e reflexão do processo de avaliação, mediando e facilitando a aprendizagem de forma a garantir o avanço e aprendizado  de todos?

6. Consigo dar os feedbacks necessários para que os alunos sejam protagonistas no processo de aprendizagem, descubram novos caminhos e consolidem conhecimentos e habilidades desenvolvidas?

7. O processo de avaliação atende as necessidades de aprendizagem especificas de cada aluno?

Esses são alguns dos pontos. No entanto, não basta somente a nossa reflexão individual sobre o processo avaliativo. Precisamos de formações, de apoio, da participação direta dos professores no debate, ter melhores condições para o desenvolvimento das nossas aulas, entre outras necessidades. Para começar, podemos levar a discussão para a nossos pares na escola.

Para vocês, professoras e professores, o que é a avaliação? Como você vem desenvolvendo esse processo com a turma? Compartilhe conosco suas descobertas e reflexões, aqui nos comentários!

Um abraço e até à próxima!

Mara Mansani

Mara Mansani é professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF, no livro “Muda o Mundo, Raimundo”. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

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