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Alfabetização no ensino remoto: O que determina o avanço dos alunos

Entre diversas variáveis que influenciam o aproveitamento dos estudantes nas atividades remotas, uma que se destaca é a participação e engajamento das famílias

POR:
Mara Mansani
Crédito: Getty Images

Como ficou a aprendizagem dos alunos depois de um ano de ensino remoto? Especialistas no Brasil e no mundo buscam responder essa pergunta para entender os impactos que a pandemia trouxe para aprendizagem dos alunos. É uma questão complexa, mas que exige resposta urgente. Além das pesquisas e estudos sobre o assunto, precisamos aprofundar as avaliações diagnósticas na escola.

O que nós, professores, podemos fazer é realizar esse trabalho de análise nas nossas turmas. Compartilho aqui o que percebi na aprendizagem dos meus alunos da alfabetização do ano passado e trago reflexões e caminhos para este ano.

As dificuldades impostas pelo ensino remoto, prejudicaram muito a alfabetização, mas houve aprendizado. Em minha turma, identifiquei três grupos distintos:

- Alunos que avançaram no processo de alfabetização: leem e escrevem alfabeticamente com certa autonomia.
- Alunos que avançaram, mas que ainda precisam de suporte e apoio para consolidar a aprendizagem: são aqueles que se encontram na hipótese silábica alfabética em transição para a alfabética ou já são alfabéticos.
- Alunos que não avançaram ou que avançaram pouco: em geral, eles são silábicos com ou sem valor sonoro.

A boa notícia é que, na minha turma, 60% dos alunos se enquadram nos dois primeiros grupos. No entanto, fica evidente o quão longe estamos do ideal. Afinal, 40% dos alunos não avançaram ou avançaram muito pouco.

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O que fez a diferença para os bons resultados
Entre os vários pontos que observei na aprendizagem dos meus alunos, um que me chamou atenção foi a participação das famílias. A minha parceria com os pais e responsáveis foi imprescindível para a alfabetização durante o ensino remoto.

Entre o grupo que mais avançou, o que fez a diferença foi a efetiva participação da família no apoio aos estudos da criança. Os alunos participaram de todas as ações propostas. Fizeram todas as atividades e entregaram nas datas combinadas.

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Os pais e responsáveis compreenderam a importância de manter a rotina de estudos. Elas criaram o hábito ter momentos de leitura para e com a criança – até extrapolando do que era proposto. “Pode mandar mais um livro professora, ele adorou o último e está pedindo mais histórias”. Cheguei a receber essa mensagem de uma mãe.

Com essas famílias estabeleci uma boa parceria. Tivemos interações e devolutivas constantes. Nem sempre era fácil, mas o que prevaleceu era a importância de trabalhar juntos a favor aprendizagem das crianças. A palavra que define é comprometimento.

Já entre o grupo das crianças que não avançaram ou que avançaram pouco, a participação, interações e devolutivas não foi continua. Alguns alunos “sumiam” por algum tempo e quebravam a rotina de estudos, fatores que prejudicaram a aprendizagem das crianças. A busca ativa constante também desgastou as relações entre a escola e os pais e responsáveis.

No entanto, isso não significa que eles não entenderam a importância dos estudos de suas crianças ou que não queriam participar. A maioria deles teve mais dificuldades em enfrentar a crise que a pandemia trouxe.

O reconhecimento da diferença que faz a participação das famílias me levou a algumas reflexões quanto ao meu papel nesse processo. Surgiram questionamentos como:

- Minha comunicação foi clara e suficiente para que eles compreendessem a rotina de estudos, as comandas, os tutoriais?
- Como engajar mais e facilitar a participação das famílias?
- Quais ferramentas e recursos tecnológicos, são acessíveis e podem favorecer a participação de todos?
- Como apoiar ainda mais as famílias no desenvolvimento das atividades e intervenções delas com as suas crianças?

Essas perguntas me ajudaram a fazer ajustes, repensar as estratégias e investir na melhoria da parceria com as famílias. Eu continuo buscando formas de transformar minha prática pedagógica diante do cenário atual e analisando outros fatores que influenciaram o avanço ou não da alfabetização.

Mas e vocês, queridos colegas alfabetizadores, quais são as reflexões por aí, na relação aprendizagem das crianças e participação as famílias? O que vocês, mudaram no trabalho de vocês a partir dessas reflexões? Mudaram algo na sua prática pedagógica do ano passado para esse ano? Conte aqui nos comentários!

Um forte abraço a todos e até a próxima!

Mara Mansani

Mara Mansani é professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF, no livro “Muda o Mundo, Raimundo”. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

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