Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

Como planejar de alfabetização com habilidades de diferentes componentes

Entenda como uma maior integração entre as disciplinas pode favorecer a aprendizagem dos alunos.

POR:
Mara Mansani
Crédito: Getty Images

Ainda estamos em processo de entender como explorar o currículo integrando os componentes, aprendendo com a pedagogia de projetos e outras metodologias a como fazer esse trabalho. De maneira geral, ainda é comum nas escolas que os saberes estejam compartimentados em “caixinhas”. Temos a hora da Matemática, hora da Língua Portuguesa e assim por diante.  No entanto, sabemos que a vida não é segmentada, vivemos tudo simultaneamente, e precisamos acionar diversos saberes e habilidades de diferentes áreas para enfrentar o dia a dia.

Na Educação faz sentido, ao planejar nossas aulas, compreender o processo de aprendizagem de nossos alunos de uma forma mais ampla. Pensar em um plano de desenvolvimento das habilidades de forma conjunta, com a integração de diferentes saberes para que possamos contribuir com a formação do aluno.

Para isso, precisamos estudar e nos aprofundar as questões sobre o processo de aprendizagem dos nossos estudantes. Algo que demanda mais debate e formação não só dos professores, mas também de todos os profissionais que pensam e fazem a Educação acontecer.

Alfabetização: usando diferentes gêneros textuais e metodologia ativa

Neste curso de NOVA ESCOLA com a Mara Mansani você poderá saber mais sobre a Pedagogia Freinet e conhecerá algumas propostas de ateliês de trabalho com as crianças, destacando as intervenções do professor e os materiais disponíveis nos ateliês, os quais devem ser planejados pelo professor e sempre considerar a criança (seus dizeres, ações, etc.) nesse planejamento. 

Na alfabetização esse experimento de integração dos conteúdos também pode ser feito. Para exemplificar, vejam as habilidades de 1º ano que selecionei do currículo da minha rede em diferentes componentes:

(EF01HI02) Identificar a relação entre as suas histórias e as histórias de sua família e de sua comunidade.

(EF01GE02) Comparar jogos e brincadeiras (individuais e coletivos) de diferentes épocas e lugares, promovendo o respeito à pluralidade cultural.

(EF01LP17) Produzir, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor, listas, avisos, convites, receitas, instruções de montagem, legendas para álbuns, fotos ou ilustrações (digitais ou impressos), entre outros textos do campo da vida cotidiana, considerando a situação comunicativa, o tema/ assunto, a estrutura composicional e o estilo do gênero.

(EF01MA21) Ler dados expressos em tabelas e em gráficos de colunas simples

(EF01MA04) Contar a quantidade de objetos de coleções de no mínimo 20 unidades e apresentar o resultado por registros verbais e simbólicos, em situações de seu interesse, como jogos, brincadeiras, materiais da sala de aula, entre outros.

O tema dentro das aulas de História e Geografia entra na questão do sujeito e seu lugar no mundo. Para tal, estudaremos as fases da vida e a ideia de temporalidade (passado, presente, futuro) e o modo de vida das crianças em diferentes lugares. Para interpretar e compreender a passagem do tempo, podemos registrar vivencias, comparar diferentes épocas e entender as transformações nas passagens do tempo, por exemplo. Nesse trabalho, também desenvolvemos habilidades da Matemática e Língua Portuguesa.

Explore o potencial do nome próprio na alfabetização

Neste Nova Escola Box, entenda como usar o nome próprio para avançar nas habilidades de leitura, escrita e oralidade, e apresentar sugestões de atividades para desenvolver o tema.

Sugestões de atividades para integrar os componentes
Para explorar a questão da passagem do tempo que coloquei anteriormente podemos criar várias situações de aprendizagem. Compartilho aqui atividades que podem ser feitas com as crianças do ciclo de alfabetização:

  1. Sugiram entrevistas com pais, avós ou responsáveis das crianças  sobre quais eram os jogos, brinquedos e brincadeiras de suas infâncias. O bate-papo pode acontecer pelo WhatsApp e uma pessoa de cada família pode compartilhar suas histórias. Tudo com orientações e acompanhamento do professor e com a participação de pais e responsáveis. Essas trocas também podem ser realizadas pelo WhatsApp, escrito no caderno ou no formato de chamada por vídeo - também é possível combinar essas estratégias.
  2. Façam uma pesquisa coletiva sobre as preferências de brinquedos da turma. Os dados podem ser registrados em um gráfico para estimular a contagem e comparação de quantidades.
  3. Produzam fichas descritivas dos brinquedos e brincadeiras do passado (pesquisado com as famílias) e da atualidade para uma exposição. É possível organizar esses materiais em uma linha do tempo ou em um álbum. Em cada ficha, inclua uma imagem com legenda sobre o objeto e suas principais informações (material que é feito, ano de fabricação, etc.)
  4. Em roda, conversem sobre como era a vida das crianças no passado e no presente. Discutam temas como trabalho infantil, consumo consciente e reaproveitamento de brinquedos, se faz sentindo brinquedos de meninos e brinquedos de meninas.
  5. Visitem museus on-lines que contam a história dos brinquedos do Brasil como, por exemplo, o Museu do Brinquedo Popularnesta reportagem tem dicas de como utilizar os acervos virtuais na aula.
  6. Comparem como um mesmo brinquedo era feito e usado em diferentes épocas. É possível fazer esse comparativo pegando um objeto que era comum entre pais, avós e crianças como, por exemplo, bonecas, para entender as semelhanças e diferenças dos usos.
  7. Criem momentos especiais e temáticos de brincar em casa (ou na escola) com brinquedos do passado ou só com brinquedos feitos com materiais reaproveitados, por exemplo.
  8. Organizem uma feira de troca de brinquedos usados, se estiverem presencialmente. Não esqueça de tomar todos os cuidados de higienização desses objetos.
  9. Incentivem que cada aluno conte sobre seu brinquedo preferido. Nesse momento as crianças podem narrar a história dele com o brinquedo e o porquê de ser favorito.

Como usar ideias do ensino híbrido em Alfabetização

Entenda como desenvolver uma série de habilidades de leitura e escrita utilizando estratégias típicas de ensino híbrido, como sala de aula invertida:

Muitas possibilidades, não é? Tudo deve ser desenvolvido de acordo com a complexidade que seja possível para a idade da turma. Essas atividades podem ser organizadas e distribuídas na rotina da turma, em uma sequência didática ou até em um projeto.

Voltando a nossa questão principal, vejam como as atividades que sugeri são diferentes de pensar em propostas por componente de forma isolada. Nesse formato apresentado, as habilidades e disciplinas se “misturam”, favorecendo que as crianças façam conexões e relações entre os conhecimentos mobilizados.

E vocês, queridos alfabetizadores, têm dificuldades no planejamento de aulas que integram disciplinas e habilidades? Já fazem algo nessa linha? Trabalham projetos? Conte aqui nos comentários!

Um abraço e até a próxima!

Mara Mansani

Mara Mansani é professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF, no livro “Muda o Mundo, Raimundo”. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Tags

Guias