6 formas de trabalhar nome próprio no ensino remoto ou presencial

Conheça sugestões que podem ser trabalhadas com o apoio das famílias e bastante participação ativa dos alunos

POR:
Mara Mansani
Crédito: Getty Images

Na primeira etapa da alfabetização, geralmente, exploramos os nomes próprios. Começamos pelos nomes dos alunos, depois de seus familiares e outros significativos para as crianças. Mas por que começar com os nomes próprios? Já falei sobre esse tema aqui, quando contei a história do meu sobrinho o Pedro, “o menino que pediu um aniversário com o tema do alfabeto”.

Pedro está no 3º ano, tem oito anos e continua apaixonado pelo alfabeto e por tudo que envolve a leitura e escrita. Adora escrever, ler, sempre tem um papel e lápis por perto.

Relembro a vocês a história de Pedro para chamar a atenção para o ensino remoto, onde muitas redes ainda estão vivendo essa realidade. O sucesso da aprendizagem na alfabetização do meu sobrinho começou em casa, com os pais estimulando, ensinando o alfabeto de forma lúdica, criando relações entre os nomes das pessoas da família com outras palavras, entre outras coisas, como a leitura de livros de literatura infantil. Começou no ambiente familiar e se consolidou na escola com suas professoras. Mas seja em casa, no contexto do ensino remoto, ou em outro formato de ensino, podemos propor atividades envolvendo os nomes próprios.

Para explorar esse tema, as regularidades da sua forma e usá-lo como referência, precisamos oferecer as crianças alguns materiais, que podem ser utilizados e são de grande valia nas atividades.

1) Lista com nomes das crianças da turma
No tamanho A4, para ser usada no caderno ou afixada na parede, a lista é um material de referência que deve estar ao alcance das crianças para marcar, ver com os colegas, riscar, circular nome e estabelecer comparações. O seu uso funciona tanto na aula virtual como na parede da própria casa.

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Antes e durante o trabalho com os alunos, é importante tomar alguns cuidados ao planejar atividades e para estreitar a relação com as famílias. 

2) Jogos de bingo
Esse é um material que as crianças adoram! O professor pode propor jogo de bingo com os nomes dos alunos da turma e fazer a brincadeira online ou presencialmente. É possível criar um bingo personalizado com nomes de pessoas da família. Ao jogar, tentar ler, a criança vai estabelecendo hipóteses. Ao descobrir sons parecidos, ao ver nomes que iniciam igualmente, onde ele tem de descobrir outras maneiras de vencer o desafio e ler a palavra, os estudantes avançam no entendimento do sistema de escrito alfabético.  

Em outros momentos, podem ser explorados outras temáticas de nomes, mas inicialmente o melhor e mais indicado é com os nomes próprios. Na internet, há várias cartelas em branco de bingo disponíveis para download.

3) Canções e brincadeiras faladas
As crianças aprendem bastante ao fazer relações com fonemas e grafemas, ao cantar e participar de “brincadeiras faladas”, que envolvem parlendas e músicas. Em minhas turmas sempre explorei esse recurso como estratégia para auxiliar no momento inicial da alfabetização e deu certo.  

4) Recursos digitais
Usando um aplicativo possível para sua aula virtual, o professor pode propor as crianças, desafios de escrita de nomes próprios que não sejam dos alunos, mas que eles gostariam de escrever. Comece com um estudante ditando para o professor, que escreve na lousa digital. Depois deixe que as crianças sugiram ajustes se necessário, modificando o nome, até que fique escrito de forma alfabética.

Esse ir e vir da escrita, facilitado pelo modo digital, com as intervenções do professor, palpites em hipóteses e a participação das crianças podem render muita aprendizagem. Use os recursos oferecidos pelo meio digital como as cores, copiar e guardar a palavra original, que vai ser escrita e analisada pelas crianças, e por fim o caderno, para que no final registrem o nome escrito.

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O planejamento é uma ferramenta imprescindível para o professor, mas é preciso ter flexibilidade para mudar em tempos de pandemia e de tantas transformações na Educação. 

Você também pode sugerir que as crianças façam um varal de apresentação da turma com as fotos. Para cada imagem, as crianças escrevem o seu nome e colocam uma característica, ou uma frase de apresentação.  Por exemplo: Sou o Pedro. Amo o alfabeto. Essa atividade pode ser feita em casa com apoio da família ou em sala de aula, no caderno, ou computador, usando um programa de escrita.

5) Livro do nome
Crie com seus alunos, no formato físico ou digital, o livro do nome do aluno, onde pode conter a história da escolha do nome da criança. Você pode sugerir uma pesquisa com a família para ser usada como base para a produção do livro em sala de aula.

6) Planos de aula
Indico ainda os planos de aula de NOVA ESCOLA. Além de atividades que exploram os nomes próprios e estão alinhadas a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), é possível conhecer outras sugestões de aula.

Quando o assunto é alfabetização, precisamos saber que não escrevemos do nada, o mundo letrado é a base para a aprendizagem na leitura e escrita. Esse aprendizado começa em casa, no contexto familiar, e dentro dele os nomes próprios ocupam lugar de destaque, pois também marcam nossa identidade. Então, o melhor é estabelecer uma boa parceria com as famílias para aproveitar todas as possibilidades de aprendizagem para nossos alunos.

Para todos vocês, professores alfabetizadores, desejo que despertem e descubram muitos meninos e meninas apaixonados pelo alfabeto, leitura e escrita.

Beijo especial no Pedro, em meus alunos e todas as crianças, que nessa pandemia vêm dando o seu melhor na participação das aulas, estudos, mesmo com tantos desafios e dificuldades. Chamo a atenção para governantes, redes de ensino, professores, famílias, toda a sociedade, para que juntos possamos pensar e colocar em prática ações para que nenhuma criança, nenhum aluno, fique sem estudar, seja na pandemia ou em qualquer outro momento.

Um abraço e até a próxima.

Mara

Mara Mansani é professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF, no livro “Muda o Mundo, Raimundo”. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

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