Ensino Fundamental 2: 5 dicas para o diagnóstico no ensino remoto

Saiba o que levar em conta para avaliar os conhecimentos da turma depois de um ano de pandemia

POR:
Camila Cecílio
Crédito: Getty Images

Diagnosticar os conhecimentos dos alunos ao início de um ano letivo é ação de rotina da professora Aline Cristina de Oliveira Vieira, que dá aulas de Língua Portuguesa do 8º e 9º ano na Escola Estadual Coronel Eduardo José de Camargo, em Paraibuna (SP). A atividade, comum para dar insumos ao planejamento dos docentes com suas novas turmas, ganham um espaço ainda mais importante para nortear os trabalhos e estratégias para este ano em que a diversidade de níveis de aprendizagem entre os estudantes cresceu devido ao acesso irregular aos conteúdos durante o isolamento social.

Além dos resultados da aplicação de um teste para avaliar os conhecimentos, Aline está se baseando na leitura dos relatórios de desempenho, atividades e outras avaliações que seus novos alunos realizaram no ano passado, na série anterior, para entender quais serão os direcionamentos para 2021. “A análise que fiz para o diagnóstico me permitiu conhecer a realidade do percurso formativo de cada estudante, bem como algumas das causas das dificuldades”, diz a professora. Informações prévias sobre quais materiais os alunos tiveram ou não contato também podem ajudar. Por isso, ela recomenda o diálogo com os professores que estiveram com a turma no último ano letivo – o que se torna mais possível quando o aluno se mantém na mesma escola.

Como utilizar o roteiro de observação para planejar o próximo ano letivo?

Ferramenta ajuda a mapear e registrar os problemas da escola também na pandemia. Envolver professores, funcionários e alunos amplia o olhar na busca de soluções. 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – que já vem sendo uma bússola para os professores na priorização dos conteúdos –  também tem uma aliada poderosa nesse processo. “A BNCC contribui com os parâmetros necessários para que a análise desde a sondagem ao feedback de intervenções pedagógicas”, diz Dayane Martin Silva, professora de Língua Portuguesa para o 9º ano da Escola Estadual Judith Ferreira Piva, em Ribeirão Pires (SP). O planejamento dos diagnósticos de aprendizagem e as suas respectivas análises são pautadas nas habilidades previstas na Base para cada ano.

O que considerar para o diagnóstico no ensino remoto

1 - Acesso à ferramenta utilizada.  Será que há especificidades a serem consideradas na turma para que todos consigam participar da avaliação a distância? “Um levantamento de quais dispositivos as famílias e os alunos dispõem e quais plataformas acessam com maior facilidade são informações que auxiliam na escolha das ferramentas, além de estreitar a comunicação durante o processo.”, ressalta Débora Rodrigues Fucidji, professora de Língua Portuguesa do 9º ano na Escola Estadual Profº Jacomo Stávale, em São Paulo (SP).

2 - Monitoramento e acompanhamento da aplicação. É crucial que o aluno realize a avaliação diagnóstica com o próprio repertório, sem apoio de outros materiais ou mesmo da internet. Parece sem importância, mas é, sim, um fator que garante a obtenção de informações mais consistentes, segundo as professoras. Para isso, disponha de ferramentas que permitam o acompanhamento dos acessos ao documento, estipule tempo para envio das resoluções e sistematize dados. 

3 - Habilidades aferidas. Elencar as habilidades da BNCC é decisivo para a escolha do instrumento avaliativo e sua elaboração. No atual contexto, seria importante considerar, também, os resultados de 2019 e 2020 de cada turma. Considere as habilidades prioritárias e as articuláveis entre os anos.

4 - Dê o feedback. Divida as informações obtidas com os estudantes.  As correções e indicações de conhecimentos que precisam ser reforçados também possibilita aos estudantes que possam revisitar objetos de estudo e avançar no desenvolvimento e aquisição de novas habilidades.

5 – Inove nos formatos. As avaliações podem ser impressas ou digitalizadas, mas formatos dinâmicos como quiz, Google Formulários e atividades gamificadas também podem ajudar no engajamento do diagnóstico a distância. Mas, independentemente do formato, é importante que o professor tenha claro os objetivos da atividade proposta e como ela pode colaborar para trazer informações que colaborem para o planejamento docente.